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Ode ao peladeiro

De acordo com o decreto de nº 666, assinado ontem pela Besta Fera dos Pampas, este Sarneyzão/2009 está moralmente condenado. Nenhum dos líderes, garantiu o Endemoniado, tem o mínimo de dignidade para levantar o caneco.

Palavras da salvação.

Por isso, seu garçom, faça o favor de me trazer depressa uma boa cerva bem gelada e vamos falar de jangada, que é pau que bóia (NS, nenhum sentido, mas deixe a porra do acento, revisor).

Seguinte é este.

Se existisse puliça de respeito nestepaiz (alô, Lula) já era pra esta renca de sacanas, que alguns chamam de atletas profissionais, estar toda no xilindró respondendo por homicício doloso. Afinal, é inaceitável o que os boleiros estão fazendo hodiernamente (recebam, fariseus) contra o bom e velho pebolismo.

Aos desinformados, conto qual é o crime. Seguinte. 97,48% dos assassinos, digo, os jogadores, têm entrado em campo neste torneio nacional iguais àqueles cidadãos com 25 anos de casamento: apenas para cumprir a obrigação. Enquanto isso, o futebol romântico, com gosto de querosene e irreverência (seja lá o que isto signifique), tornou-se uma quimera encontrada somente nas excelentes crônicas do menino Thalles Gomes.

Atualmente, além das extintas raça e hombridade, faltam principalmente o brilho, a improvisação e a deliciosa irresponsabilidade.

Ou melhor, faltavam.

Tudo começou a mudar neste insosso campeonato e na história recente do Ludopédio de Pindorama no crepúsculo de agosto, exatamente no dia 30, a partir das 18h30.

Nesta data e horário, Vitória x Cruzeiro se enfrentavam no Manoel Barradas e, pela primeira vez, Sosthenes José dos Santos Salles começava uma partida como titular no Brasileirão. É fato que ele já havia jogado uns minutos em algumas outras, a exemplo do jogo contra o Goiás, quando entrou no finalzinho e guardou este gol de quem conhece. O fato, no entanto, é que a peleja contra a equipe celeste de Minas foi um divisor de águas. E utilizo esta batida expressão não apenas porque neste referido dia chovia de forma inconsequente nesta província baiana. Uso-a porque, apesar do temporal que caia em Soterópolis, o menino Sosthenes começou a tirar o futebol atual da lama, dando uma série de dribles desconcertantes nos zagueiros cruzeirenses e fazendo-nos lembrar dos craques moleques de antanho.

O show não parou aí. Na partida seguinte, Neto Berola, eis o apelido do santo, azucrinou a pomposa defesa do Grêmio, em pleno estádio Olímpico, e, logo na sequência, emendou um partidaço contra o então líder Palmeiras.

Mas, a prova final de que o atacante Rubro-Negro não estava pra brincadeira, ou melhor, que estava também para brincadeira, veio no último sábado, no jogo contra o Internacional – time que tem um elenco acima da capacidade de seu técnico.

Pois muito bem.

O ponteiro do relógio marcava exatamente 17 minutos e 29 segundos da etapa complementar quando o pirralho de Buerarema, que até dois anos antes ainda jogava no futebol amador, ficou diante do monstro sagrado da equipe colorada, sim, Guiñazu, aquele que nas horas vagas faz o papel de B.A no glorioso Esquadrão Classe A. Pois então. Parecendo que estava na frente de mais um zagueiro do campeonato intermunicipal, Neto Berola simplesmente, sem nenhum pudor, meteu a bola por entre as canetas do argentino.

Putaquepariu o Mercosul!

A partir de então, tudo se transformou. A partida, que até aquele momento era absolutamente parelha, tornou-se um suplício para o time Gaudério, que não agüentou ver seu principal ídolo ser humilhado por um sujeito recém-saído dos cueiros. E a verdade que salva e liberta, amigos ouvintes, é uma só: depois do drible fatal, a agremiação do Sul perdeu completamente o Norte (hoje eu tô foda) e entregou a rapadura.

Antes do apito final do juiz ladrão (desculpe-me mais uma vez a redundância), a menina Scarlett, que nunca me deixa quieto, questiona:

- Mas, Sêo Françuel, Neto Berola é realmente este craque todo?.

E, como sói, nunca deixo a loira sem resposta.

- Num é não, fia. É apenas um peladeiro que adora mostrar que os reis estão nus – o que não deixa de ser uma glória, talvez a maior, neste nosso campeonato de várzea bestamente profissionalizado.

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6 Comments on “Ode ao peladeiro”

  1. #1 Cordoba
    on Sep 23rd, 2009 at 1:57 pm

    ¿ Que pasa? Cabecita de hielo!

    [Reply]

  2. #2 Anrafel
    on Sep 23rd, 2009 at 2:06 pm

    Pois é, torcemos (eu, pelo menos) para os pontos corridos, que vieram. Vinte times encarando trinta e oito jogos depois de estaduais - alguns do tipo onde o terceiro e o quarto colocados não passaram da primeira fase da quarta divisão - e alguns mata-mata de permeio.

    Primeiro vem a exaustão financeira. Paga-se uma grana braba a 3 ou 4 bons jogadores e faltam condições para armar um bom elenco - com exceção do Bahia, que, dizem, tem uma folha de pagamento de 1 milhão de reais, o que é justo para os cracaços que estão por lá.

    Aí vem a exaustão técnica e física. Seis rodadas do segundo turno e qualquer mamífero já sabe que o Palmeiras não será campeão. Desconfia-se seriamente de quem deverá sê-lo. Pois é, uns (ou um?) não sofrem tanto com a lezeira inevitável. E não precisa ter esse grande elenco todo.

    O que fazer? Gols, gols na casa do adversário, não vender jogadores na metade do campeonato, não trocar de técnico bestamente, enquadrar firme esse negócio de boleiro mafioso (pleonasmo?) amolecer jogo por causa de sua antipatia pelo técnico ou salário atrasado. O fedor pode passar dos limites aceitáveis (!).

    Mas, como falou alguém lá no Impedimento, a diferença entre o primeiro e o décimo segundo é de 8 pontos. O equilíbrio atingido. As vagas em aberto.

    Quanto ao netoberolismo, ainda não aderi.

    [Reply]

  3. #3 Luiz
    on Sep 23rd, 2009 at 5:33 pm

    Seu minino, cheguei aqui por indicação do agorístico Ricardo Cabral, e gostei.

    Mais ainda quando vi meu bom companheiro Anrafel comentando. como ele não comenta em qualquer lugar, serve de ótima referência.

    Voltarei sempre.

    Abraços de um cearense quase na terceirona.

    [Reply]

  4. #4 Celso de Carvalho
    on Sep 25th, 2009 at 3:36 pm

    Vc foi escrever isso, os uruguaios se retaram, recorreram à memória da Guerra del Plata e os meninos tiveram q trazer um chocolate e uma cesta de gols do Centenário. A culpa é sua! Mas, vou perdoar por conta do achado “a agremiação do Sul perdeu completamente o Norte”.

    [Reply]

  5. #5 Nílson
    on Sep 25th, 2009 at 11:30 pm

    O netoberolismo é a doença infantil do vicetorismo!!!

    [Reply]

    Vamos lá VITÓRIA!!! Reply:

    Vicetorismo??? O que é isso vindo de um torcedor do Sofrido de Itinga? Desculpe, mas aqui é comentário de Primeira, Terceira aqui não tem vez.
    Aliás, além dos “cracaços” de Itinga, qual o conceito de craque que um torcedor do Sofrido de Itinga pode ter?

    [Reply]

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