Só agora, passadas as regulamentares 48 horas da ressaca, é possível fazer a inevitável e retórica indagação: que fenômeno foi aquele que assombrou Porto Alegre e uma banda de Santa Catarina na noite do último sábado?
Putaquepariu a revolução farroupilha!
É vero que exegetas (recebam, fariseus) da Bíblia já intuíam os primeiros sinais do apocalipse muito antes da bola rolar no Estádio Olímpico. Basta lembrar que no avião rumo à capital gaúcha a primeira fila era ocupada pelo riso ingênuo, puro e franco, daqueles de filme de terror, de Paulo Henrique Amorim. A referida besta-fera jornalística folheava um livro, com soldados nazistas na capa, como quem diz: “olá, boa noite, tudo bem?”.
É óbvio que não estava tudo bem. Ou melhor, que não poderia ficar.
Porém, pisando em astros distraído, relevei as indicações de que o fim do mundo estava próximo. E, em vez de mandar o motô retornar para a Bahia, segui adiante. Só fui ter a certeza de que o plantão nas terras do glorioso Borges de Medeiros seria rigoroso, sopa de tamanco, quando Alcides Gonçalves (ou um outro parceiro de Lupicínio, sei lá) acenou para mim numa budega da Lima e Silva, na Cidade Baixa, com um bigode embriagado e tenebrosamente assustador – coisa de assombrar Zé do Caixão!
Vá matar o DEMÔNHO!
Aliás, um parêntese. Ao ver o tal bigode lupicínico, todos os gaúchos resolveram tirar o corpo fora. Douglas disse que era mais negócio ir para a ExporInter; Cassol inventou uma reunião em Pelotas; Dante Sasso afirmou que não curtia jogo do Grêmio – e Prestes, com a camisa do Chile, garantiu que o enfeite na face de Sêo Alcides era GENIAL! Devendra parece que nasceu em Santo Amaro. Acha tudo lindo e maravilhoso.
Mas, derivo. E fecho o parêntese. E sigo rumo ao local da peleja acompanhado de Milton Ribeiro que, apesar do nariz protuberante, não conseguiu farejar que algo estava fora da ordem.
Mas, estava. Logo na chegada, por exemplo, percebo que somos minoria absoluta. A falta de quantidade, porém, é recompensada pela qualidade. Uma morena linda, acompanhante de um tiozinho baiano, grita o nome do Rubro-Negro com um delicioso sotaque e uma alegria na feição de quem estava sendo recompensada em euros. É fato que ela não sabia nada sobre Ludopédio. Nem precisava. Afinal, para alegrar a reduzida torcida gaúcho-baiana, bastavam as lindas coreografias que a moça, vinda diretamente do Gruta Azul (ou de Tia Carmen, sei lá!), realizava na arquibancada.
E a dança da menina era tão contagiante que inspirava até mesmo a então sisuda zaga gremista, que não parou de bailar o jogo todo. Os atacantes do Vitória partiam em direção ao gol e os defensores azuis deixavam correr frouxo. Parece que estavam no palco de algum Centro de Tradições Gaudérias, pois apenas se mexiam no gramado de forma afrescalhada, como se estivessem dançando chulas, rancheiras, tangos & tragédias.
Por falar em tragédias, ela deu o ar da graça no finzinho do jogo, como sói ocorrer com o desafortunado time do Vitória. Depois de meter 1 x 0 e perder 824 gols, o Leão voltou a flertar com o perigo. O ponteiro do relógio marcava exatamente 41 minutos e trinta e oito segundos da etapa complementar quando o desinfeliz do Marco Aurélio deixou Jonas mandar a criança para o barbante, sem tentar ao menos quebrar-lhe as pernas. Ato contínuo, mandei o zagueiro do Vitória para a puta que o pariu, afinal podem existir
pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passei
duvido que não lhe viesse parecida reação.






on Sep 9th, 2009 at 4:54 am
Franciel meu velho. Espero que tenha voltado e para ficar, faz falta neste mundo virtual onde o mesmo e a mesma coisa nada difere do seis do meia-duzia e sua sábia escrotidão é que trás luz a esse mundo que ainda que novo já me parece cansado.
Mais deixe de contar, o que não sabe e provavelmente nem quer saber. Não tive o prazer da presença do Paulo César Amorim e o frio dolorido foi meu único anfitrião quando estive em Porto Alegre para um encontro histórico e memorável com o digníssimo senhor José Pinheiro Borda, também conhecido pelos íntimos ousados e próximos como o gigante da Beira-Rio! O encontro durou apenas 90 minutos, tempo suficiente para me realizar enquanto torcedor de futebol. Voltei de lá como Campeão Brasileiro de Futebol e no longo retorno de carro ora ouvia, ora sorria ao escutar o Lupicínio Rodrigues cantar:
Esses moços pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam..
Não passavam aquilo que eu já passei
Por meus olhos
Por meus sonhos
Por meu sangue tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim
Abraços Franciel.
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on Sep 9th, 2009 at 6:49 am
Seo Fanciel, como as músicas de Lupcínio fizeram a cabeça de tantos homens chorosos pelas suas mulheres. Já Chico Buarque mandava a morena sambar em paz, dizendo que o rapaz ia mal. E o divino e maravilhoso era só uma fantasia de carnaval. Mas, o Vitória da morena contente voltou a Salvador e fez sua lua de mel.
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on Sep 9th, 2009 at 10:22 am
seu franciel,
Eu tonbém passei mal, rapaz. Vai procurar ninho de jégue que os ovo são grande, isso né coisa que se faça com um coração rubro-negro não; contudo o time vem mostrando garra e vontade, mais uma vez mostrando para esse hereges que temos valentia e não vamos abrir pra niguém. Lutamos com raça contra o cruzeiro, botamos terrro contra o gremio e vamos, como no ano passado decidir quem ganha e quem perde o campeaonato nos jogos que se seguem. Claro, para não perder o costume rebaixaremos mais um time do eixo do mal, já foi o palmeiras, o vasco e agoraserá o botafogo.
VITÓRIA!
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