Esta grave inclinação no eixo de rotação da terra é conseqüência (deixa o trema, revisor fidumasanta) direta daquilo que todos vocês estão pensando: o rebuliço que tomou conta da Bahia e de uma banda de Sergipe por causa das estripulias cometidas pela professora Jaqueline Carvalho num destes shows de pagode que abundam (ops!) nesta besta e ainda bela província.
Amigos, em verdade vos digo: Nem nos Ba X Vis mais decisivos da história do Ludopédio Soteropolitano se viu uma cidade tão dividida. De um lado do ringue, prostraram-se as senhoras de santana, amaldiçoando a indecência e outras mumunhas. Do outro, uns mudernos cerraram os punhos, de forma veemente e um tanto quanto afrescalhada, reclamando da hipocrisia da sociedade.
No meio desta chibança, chamou a atenção o silêncio ensurdecedor de Ivete Sangalo. Logo ela, que tem opinado sobre tudo, desde a obra de Machado de Assis até os aspectos semiológicos dos peidos dos ciganos, cala-se neste grave momento da nação? É inaceitável. Vamos torcer para que este mutismo seja apenas um fastio passageiro provocado pela gravidez. Se Deus quiser, já, já, ela volta.
Mas, derivo. O fato é que, diante do remelexo da moça, este recatado locutor só conseguia repetir aquele tradicional slogan da funerária: “Há momentos em que faltam as palavras”.
A priori, pensei até em vestir uma capa de udenista moralizador travestido de intelectual e dizer que a dança provocante da professora era reflexo do atual estágio da educação na Bahia. Cheguei até a empostar a voz e elaborar o seguinte discurso: “Antes, tínhamos Anísio Teixeira; hoje estamos todos enfiados na barbárie”.
Mas a verdade, minha comadre, é que o intelectual de Caetité, um homem reto, é exceção baiana. A culpa por nossas cotidianas e sensuais tragédias não é a falta de educação, mas sim um problema de, digamos assim, abundância topográfica. Afinal, é impossível manter-se equilibrado com tantas ladeiras. E, para descer e subir os incontáveis morros, rebolar é preciso. Por isso, as moças e os moços de Soterópolis vivem mexendo mais do que Ferry -Boat em dia de mar agitado. A questão, como se vê, não é somente pedagógica.
Aliás, não é à toa que o maior brega da cidade, a gloriosa e decadente Montanha, está encravado exatamente numa área íngreme. Geografia é destino. A propósito, de acordo com dados da Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador (Conder), no ano da graça de 2000, existiam apenas 125 ladeiras na cidade, o que é uma rematada mentira, quase tão deslavada quanto àquela que diz que temos somente 365 igrejas.
É por tudo isso, amigos, que quando a educação baiana começa a descer ladeira abaixo ao som do pagodão não tem reza de carola que segure.






on Sep 1st, 2009 at 11:40 pm
Hoje, dia 1 de setembro, voce deveria estar louvando o amor e a união daqueles que se amam e vivem unidos.
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on Sep 2nd, 2009 at 3:29 am
A sensualidade mestiça, sugerida por Dorival Caymmi e Jorge Amado, quedou enfiada na estética da fuleiragem-music, que trata a mulher com uma sutileza digna do funk carioca ou do rap americano.
Aguarda-se para logo logo o troco da ilustre pedagoga na forma de uma canção de desagravo chamada “Eu quebro paradigmas, sou uma docente decente”.
E que dona Sangalo continue de boca fechada. Ela é brilhante assim.
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on Sep 2nd, 2009 at 11:55 am
seu franciel,
É meu caro, acho degradante esse fato pq a sensualidade é uma de nossas marcas, mas depravação e super exposição, não(vixe, pareço minha vó). Ao menos não era. O tempo bom quando o samba da minha terra fazia todo mundo bulir agora faz ragar calcinha e deixava mulherio indócil. Sei lá, a Bahia era fábrica de talentos musicais que nos orgulhávamos, essa fábrica miou e nos resta enfiar tudo e digerir como nos convir. Não sei se isso é conservadorismo ou preconceito elitista, só sei que não me agrada ser representado dessa forma.
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on Sep 2nd, 2009 at 3:26 pm
Rapaz, eu acho que isso reflete bem o estado da educ-glub-ação glub-glub-glub… *
(Interrompemos esta transmissão por que mar de merda que cerca o repórter acaba de encobri-lo).
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on Sep 2nd, 2009 at 6:51 pm
“Só fiz aquilo por que havia tomado dois litros de whisky”
¬¬
Pelo menos rebola melhor do que fala
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on Sep 2nd, 2009 at 9:41 pm
“Um dia, meu filho, as mulé vão dançar quase sem calcinha na sua frente e você vai poder filmar usando só um telefone”. Fosse eu alertado disso já na tenra infância, teria realizado meus trabalhos filosófico-masturbatórios com muito mais disciplina e denodo.
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on Sep 3rd, 2009 at 3:33 am
Não procedem os boatos de que a cidadã vai fazer propaganda de lingerie ou whisky. Se for assim, Bobô vai fazer anúncio de cimento.
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on Sep 3rd, 2009 at 5:21 pm
falou, falou e não disse nada hein seo francis, tá todo enfiado na dúvida sobre que posição tomar.
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on Sep 4th, 2009 at 9:54 am
O problema também é outro.
E se ela houvesse dançado a “enfiadinha” há dez anos atrás, quando não vicejavam os celulares com câmeras de gigamegapixels? Ninguém saberia, nem os pobres alunos, nem os chocados pais e nem os escandalizados colegas professores.
Quantas outras professorinhas, imagino, não beberam dois litros de uísque e não dançaram “Todo Enfiado” e outros congêneres por anos a fio, sem nem mesmo lembrarem no dia seguinte. Tudo era soterrado pela ressaca delas e dos espectadores. Aposto que esses, nesse caso aí em particular, nem recordavam, no dia seguinte, do acontecido. Mas eis que foram atender uma ligação e notaram que a memória de seus bólidos comunicativos estava “Toda Atolada”. Aí descobriram o que tinham filmado, do alto da manguacera!
É vulgar, chinelagem pura, o “Todo Enfiado”. Mas também é vulgar essa superexposição inevitável de todos os nossos atos por uma tecnologia onipresente, que impede qualquer um de fazer uma merda etílica sem pagar por isso com a eternização do constrangimento. Arre.
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on Sep 5th, 2009 at 12:24 am
Quebra, ordinária!
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on Sep 6th, 2009 at 1:21 pm
Dei uma futucada no blog e gostei.
Tu conhece Irecê é, véi? (Pra estar falando tanto em xibungagem).
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on Sep 7th, 2009 at 3:40 pm
O Big Brother preconizado por George Orwell chegou, já está dominando e - o mais cruel de tudo: somos nós mesmos. Que mente ultramaquiavélica poderia imaginar que a tecnologia seria usada por nós mesmos contra nós mesmos? Foi a armadilha suprema. Agora fudeu. O inimigo sou eu, vc, ele, nós, vós e eles. Peidou? Virou manchete. A humanidade merece se fuder. Nós baianos então, nem se fala.
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on Sep 9th, 2009 at 1:39 am
A educação baiana é uma menina que desce a ladeira e morre no asfalto
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