Logo depois que o canalhocrata pernambucano Nielson Nogueira Dias assoprou seu inescrupuloso apito pela última vez na peleja entre Vitória X Flamengo, na fria noite de sábado no Engenhão, a seguinte e paradoxal pergunta pairou sob o céu nublado da capital fluminense: Como é que diversos jogadores produzem bem abaixo da média (e do que são capazes) e ainda assim a equipe consegue fazer uma boa partida?
Repetindo: Como é que diversos jogadores produzem bem abaixo da média (e do que são capazes) e ainda assim a equipe consegue fazer uma boa partida? Foi exatamente este questionamento que fiz ao ver o Leão derrotado por 2 x 1 pelo rubro-negro carioca.
Depois de me raciocinar todo, coloquei a culpa na geografia. Sim, na geografia, pois, mais do que qualquer outro local de Pindorama, o Rio de Janeiro tem um inexplicável fascínio pelos paradoxos. Aqui tudo é três ou novecentos. A beleza e a perversidade coexistem de forma obscena e inadmissível. A cidade é extravagantemente bela e terrivelmente perversa com a maior parte de sua população. As mulheres são lindas e insuportavelmente chatas. A riqueza zomba da pobreza e vice-versa, pois os miseráveis não perdoam os que esnobam até o supérfluo. Além de tudo isso, sabedoria e burrice também atingem patamares altíssimos. Tudo aqui causa atração e repulsa – até o sotaque.
E o futebol, enquanto representação da vida, não consegue fugir a estas determinações. Os times considerados grandes não têm sequer uma mísera casa, um campo de treinamento aceitável. No entanto, esbanjam os trinta dinheiros nas concentrações dos hotéis de luxo.
É óbvio que estas síndromes dos paradoxos e das contradições contaminam até os mais ilustres visitantes, como no caso do Brioso Vitória. No jogo de sábado, por exemplo, alguns dos principais jogadores do time estiveram numa jornada infeliz. De nossa zaga, que é uma das melhores do Brasil, só se salvou o menino Victor Ramos. Viáfara, um dos goleiros com maior domínio de bola do continente americano, não conseguiu sair jogando uma só vez – e ainda entregou a rapadura num chute bizarro que deu origem ao segundo gol. No meio-campo, VANDERSON retroagiu, teve um revertério e lembrou os seus piores momentos no Vitória, quando se destacava apenas pela violência e falta de habilidade. Apodi, que já é uma contradição ambulante (um instante faz uma jogada genial e em outro um lance estúpido), não conseguiu reeditar seus momentos de brilho. E a promessa Elkesson não mereceu nem mesmo o nome de promessa.
Inobstante todos estes problemas, o Vitória jogou bem e merecia um resultado melhor, por mais paradoxal que possa parecer.
E como este negócio de contradição e paradoxo é mais contagioso do que a gripe do porco, nem mesmo este cartesiano locutor ficou imune. Por isso, vos digo: a derrota não foi um péssimo resultado. Ao contrário. Até fará bem a este jovem time do Vitória. E, antes que me acusem de maluco, mais do que já mereço, explico.
Seguinte é este.
Este revés servirá para dar um freio na garotada. Eles precisam tirar o salto e voltar a jogar com garra e determinação em todos os jogos. Não podem se deixar picar pelo mosquito da arrogância. Têm que saber quais são suas virtudes e limitações. E, amigos, em verdade vos informo: um triunfo ontem, que nos levaria à liderança provisória, poderia mexer ainda mais com a cabeça da gurizada.
E foi exatamente por isso que, quando saí do Engenhão, não estava abatido pelo fracasso. O inverso é verdadeiro. Primeiro, porque o time não se acovardou um só instante. E, principalmente, porque reforcei a convicção de que, mesmo quando muita coisa dá errado, há algo certo com este time: há comando.
E ademais (recebam, hereges, um ademais pelos mamilos no fim da transmissão) sempre sigo as orientações e ensinamentos do povo do Norte e Nordeste de Amaralina, que ontem à noite saiu em passeata pelos morros aqui do Rio de janeiro com as seguintes palavras de ordem que salvam e libertam:
ESTE CAMPEONATO É IGUAL A MINGAU QUENTE
POR ISSO VAMOS COMÊ-LO PELAS BEIRADAS






on Jul 7th, 2009 at 6:28 pm
Coerente com uma de suas alcunhas - ‘o psicopata da razão’ - Franciel mostra com seus argumentos como o gênio pode servir ao auto-engano.
Bem vindo de volta. Agora aprenda: quem abandona os amigos no fim de semana não recebe boa paga.
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