Aceito que me acusem de quase tudo, pois devo ter uns três ou nove defeitos, mas há uma imputação que repilo (Dirceu, José; 2005) de forma veemente: a de que não respeito as tradições. Isto, nécaras.
É óbvio que não chego a ser um José Ramos Tinhorão, que deus o tenha, porém acho que a esculhambação deve ter um freio e é obrigação preservar nossa cultura.
E qual é nossa cultura neste mês de junho? Ora, entoar cantigas em louvor aos santos. Então, seguindo esta estratégia religiosa-musical, renderei homenagem a uma santa. Mas, não uma santa qualquer. Minha formação comunista ortodoxa impele-me a postar-me do lado dos oprimidos. Por isso defenderei uma santa deserdada.
Aliás, se eu fosse um pouco mais cretino do que de costume pegaria este embalo e desenvolveria agora uma abalizada análise comparativa entre as dores do fado e de minha santa querida. Falaria de plangência e outras mumunhas. Porém, sigo sempre o conselho de minha finada mãe: “Meu filho, até a fraude deve ter limite”.
Assim, apenas levanto minha voz em defesa da Geni do Panteão, aquela que mais sofreu injúrias e difamações, a menina Maria Madalena. Na verdade, a voz que se alevanta não é minha - e sim a da fadista Lucília do Carmo. Portanto, encerro esta rápida prosopopéia e entrego o microfone a quem de direito. Ouçam.
A letra abaixo foi retirada DESTE BLOG por indicação da menina Luiza.
Maria Madalena
Mote de: Augusto Gil / Glosa de: Gabriel D’Oliveira /Popular *fado das horas*
Repertório de Lucília do Carmo
Quem por amor se perdeu
Não chore, não tenha pena
Uma das santas do céu
Foi Maria Madalena
Desse amor que nos encanta / Até Cristo padeceu
Para poder tornar santa / Quem por amor se perdeu
Jesus só nos quis mostrar / Que o amor não se condena
Por isso, quem sabe amar / Não chore, não tenha pena
A Virgem Nossa Senhora / Quando o amor conheceu
Fez da maior pecadora / Uma das santas do céu
E de tanta que pecou / Da maior à mais pequena
Aquela que mais amou / Foi Maria Madalena






on Jun 19th, 2009 at 12:26 pm
O Ingresia em fase de melomania.
Estranho. Entendi tudo o que a cantora cantou. Em português portuga, isso é raro.
Tinhorão disse que o fado foi levado do Brasil para Portugal. Nossos patrícios bem que poderiam nos agradecer engendrando uma Teresa Salgueiro para esta terra de Cláudia Leite e Ana Carolina.
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on Jun 19th, 2009 at 7:52 pm
Ô Franci, você não havia respondido o e-mail, por isso achei que nem tivesse ouvido o fado. Apois.Essa moda eu nunca tinha ouvido, mas o caçulo de D. Lia MEira, minha mãe, voltou de Portugal “incutidin” com fados e me mandou uns MP3 de uma cantora que ele conheceu lá. Essa canção foi a que mais me chamou atenção, justamente pelo tema um tanto quanto sugestivo: “amor e pecado”.
Valeu o post!!
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on Jun 20th, 2009 at 7:51 pm
carayo!!!! o Tinhorão morreu????
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on Jun 20th, 2009 at 8:52 pm
Morreu, não, é sacanagem do França.
Tinhorão é meio (meio?) pirracento - o cara torce o nariz até para Paulinho da Viola - mas se o pessoal que escreve sobre música no Brasil tivesse um quinto do rigor e conhecimento históricos dele os cadernos de cultura só teriam a ganhar.
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serbon Reply:
June 23rd, 2009 at 12:50 pm
eu concordo. eu pesquiso MPB nas horas vagas - e Tinhorão é referência. comprei livros dele e os uso como apoio, ao lado do Dicionário de Música do Mário de Andrade , outra referência no gênero.
mas o Tinhorao é pirracento mesmo - ele detesta Tom Jobim , por exemplo.
mas o cara tem informação pra caramba. uma pena que seja tratado com desdém pelos ‘críticos’ que escrevem sobre música. que o taxaram injustamente de xenófobo. na verdade, o Tinhorão reclama mesmo da imbecilidade de relegar a terceiro plano a música feita no Brasil, nos rincões, como maracatu, côcos, etc, e exaltar qualquer porcaria que venha de fora, como Jonas Brothers.
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