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Nietzsche ist tot!

(Desde sempre sigo aqueles sábios ensinamentos do menino Nelson Rodrigues que dizia assim: “Quem não se repete morre inédito”. Por conta disso, começarei o texto de hoje igualzinho ao de ontem. Ouçam)  

Tem-se claros indícios de que um cidadão está com grave defeito nas idéias quando ele gasta uma ênclise logo no início do texto. E a situação se agrava mais ainda quando, ainda no primeiro parágrafo, o referido apela e parafraseia a Vedete de Santo Amaro. “Basta de filosofia! A mim me bastava que o meu técnico desse um jeito no Vitória, o único time da Bahia”.

Putaquepariu a mulher do padre!

No entanto, a certeza, a prova cabal, a comprovação da demência só se dá quando esta ladainha que foi entre aspas torna-se uma constante e noturna companheira. E, amigos, em verdade vos confesso: foi exatamente isso que aconteceu com este supersticioso locutor. Desde o início de abril, todos os dias antes de dormir, eu a repetia com um fervor religioso de fazer inveja a Edir Macedo.

Porém, o tempo passava, voava, e nem o prefeito dava jeito na cidade da Bahia, nem o treinador organizava meu baba. Aliás, o inverso era o verdadeiro. O desmantelo da vetusta urbe contagiava (receba, Sontag, a doença como metáfora) o time e vice-versa.

Assim, depois de muitas orações, já estava quase desistindo e dando razão a Nieztsche: Deus está morto.

Mas, qual o quê!

Do nada, como sói com os fenômenos da fé, fez-se a luz no último domingo. O Todo-Poderoso mostrou não só que está vivíssimo como também usa um aparelho auditivo de excelente qualidade, pois ouviu as minhas preces e mandou o Professor Experimentalgiani INTERDITAR O LABORATÓRIO na partida contra o Grêmio. E assim foi feito. Afinal, Pardalgiani pode ser até um inventor, mas não é maluco. Ele sabe que a ira divina é muito mais feroz do que a dos dos torcedores do Vitória.

Derivo, derivo. O fato é que Carpegiani armou a equipe certinha, colocou cada qual no seu cada um e o Vitória deu uma verdadeira aula de ludopédio, coisa de botar no chinelo a Hungria de 54 e a Holanda de 74. Um assombro.

E a recompensa veio na última volta do ponteiro. Dirigido por Carpegiani e guiado por Nosso Senhor, o menino Leandro Domingues acertou uma TAMANCADA sensacional no ângulo direito de Vitor. Só não relato o golaço com mais detalhes porque me faltam as hipérboles. Digo apenas que aquele chute certeiro causou três óbitos instantâneos: matou a equipe do Grêmio, a coruja que ali dormia e o desgraçado do Nietzsche. Por falar no referido, a população do Nordeste de Amaralina desde domingo à noite passeia em romaria por este pacato bairro gritando em alemão castiço e em basco nem tanto:

 
NIETZSCHE IST TOT

AND

UMBORA TRI-TÓ-RIA, CARAJO!

 
P.S Carpegiani reconheceu publicamente a intervenção do Excelentíssimo. OUÇAM AQUI, Ó

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13 Comentários on “Nietzsche ist tot!”

  1. #1 Marcus
    on Jun 3rd, 2009 at 6:45 am

    Mais uma obra prima no cu da madrugada. Ponto final.

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  2. #2 Marcus
    on Jun 3rd, 2009 at 6:46 am

    Mas… tenho algo a dizer sobre este gol. Ele me irritou profundamente. O vitória roubou as glórias do meu Bahia, até aí é fácil aceitar. Mas roubar a velha estrela, aquela estrela tricolor do gol no final, do gol salvador, aquele melhor de todos, aquele que vale como gozada depois de uma longa trepada, é sacanagem. Mas destá, jacaré, a lagoa há de secar, o mundo gira e eu confio em Deus vivo e no eterno retorno.

    [Reply]

  3. #3 Anrafel
    on Jun 3rd, 2009 at 12:28 pm

    Franciel,

    Uma dúvida: foi um lapso ou você, prudentemente, preferiu citar a Holanda de 78 à de 74 (a de 78 estava, entre outras coisas, sem Cruyff)?

    Tomara que aquele chutaço tenha provocado também um outro óbito: o de uns caras que, tendo a percepção do ludopédio na cabeça do dedão do pé, acham que Leandro Domingues não joga nada.

    Rapaz, culpa única e exclusiva da canjebrina. Vou corrigir, já!

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  4. #4 Anrafel
    on Jun 3rd, 2009 at 12:40 pm

    É claro que esse óbito aí é metafórico.

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  5. #5 paulo galo
    on Jun 3rd, 2009 at 12:43 pm

    Malgrado (leve, sacana) o praguejar do Gusmão -sujeito da melhor qualidade, posso atestar- ao final de seu comentário, quero dizer a ele e a quem mais que por aqui apareça, vindo das obscuras cercanias de Lauro de Freitas, que o glorioso rubro-negro da Bahia assumiu muito mais que a estrela redentora dessa lenda do período pré-jurássico do futebol brasileiro, o incolor Itinga FC.
    E digo “assumiu” ao invés de “roubou” com sincera esperança de que esse velho amigo entenda de uma vez por todas que desde Charles Muller, o futebol registrou tão épica volta por cima como a que fez o Vitória. Os deuses da raça e do desporto o premiarão por décadas, com glórias e gols.
    E não adianta praga, macumba ou lágrimas sentidas: não criamos zebras em Canabrava, ali o sistema é bruto: é bola na rede em qualquer minuto.

    [Reply]

  6. #6 Franchico
    on Jun 3rd, 2009 at 4:19 pm

    Francis, aquela história que perguntei sua opinião uns dois posts atrás é essa aqui:

    MPT quer proibir axé em festa junina na Bahia

    Neste linque:
    http://www.conjur.com.br/2009-mai-29/mpt-trt-bahia-tentar-impedir-axe-festa-junina

    Abç!

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  7. #7 Maurício Moura Costa
    on Jun 3rd, 2009 at 5:34 pm

    Franciel, bacana essa intervenção do altíssimo na mente do professor. Já era hora que ele ouvísse a voz das arquibancadas.

    Abraço,

    Maurício

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  8. #8 Serbão
    on Jun 4th, 2009 at 2:27 pm

    o outro inventor lá do Morumbi, no domingo prudentemente desistiu e voltou ao arroz com feijão, e escalou um meia de oficio mesmo. resultado: sapecamos um 3×0 no Cruzeiro.

    [Reply]

  9. #9 Calazans
    on Jun 4th, 2009 at 5:16 pm

    Franciel, você é o lampadinha do Carpegianni!

    Além disso, como sertanejo e morador de bairro popular acima do nível do mar, dispõe de autobans sem buracos que levam direto a Nosso Senhor e não precisa trilhar as vias tenebrosas que incréus como eu atravessam, nas quais as preces desaparecem em crateras da Cidade Baixa (haja vista a derrota do Vasco para um Curintias medíocre).

    Quanto a Sontag e Nietzsche, vamos juntar a doença como metáfora da primeira à doença histórica do segundo, que se caracteriza pelo descompasso entre a teoria e práxis, ou entre o saber e o fazer. E é aí que entra o Vitória: Você tem que entender que o saber do Carpeggiani não encontra terreno fértil na práxis do plantel rubronegro e, menos ainda, na sua história. Você, inocente torcedor, quase uma criança absolvida do pecado original, está perdoado, mas seu time não.

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  10. #10 Sálvio Henrique
    on Jun 5th, 2009 at 11:09 am

    Fala, “seo Françoel”!

    Que nosso Vitória pegue aquele porquinho cagão no domingo e “lasq’in banda”, pois se existe outro time que eu odeie (anos-luz depois do itinga, diga-se de passagem), é essa tima verde da capital “paolista”.

    Quanto à menção no ultimo texto… espero estar aqui em mais outro jogo de “quali” como esse contra a tricolete gauchete. Sei que meu pé é BEM QUENTE, mas nesse último jogo ele “frevêu”… Vou usar bota de amianto para evitar o derretimento do piso do nosso santuário na próxima vez! (rs)

    Grande abraço, grande confrade!

    ps.: Itinga ist tot!

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  11. #11 Paulo
    on Jun 5th, 2009 at 3:08 pm

    Aí ó, se lhe faltaram hipérboles (e foi?), Calá apareceu hiperbolizando as palavras (royalties para o conhecido quelônio da Ascom)

    [Reply]

  12. #12 Paulo
    on Jun 5th, 2009 at 3:09 pm

    Aí ó, se lhe faltaram hipérboles (e foi?), Calá apareceu hiperbolizando as palavras (royalties para o conhecido quelônio do espelho d´água da AL)

    [Reply]

  13. #13 felipe nogueira
    on Jun 5th, 2009 at 4:21 pm

    fraciel,
    Bicho, pensei que o febrento do PCC não fosse acorda pra Jesus, mas parece que ele abndonou a transvalorização das posições, jogou dostoievski no mato e s rendeu ao ditado popular cada macaco no seu galho.
    VITÓRIA !VITÓRIA! VITÓRIA!

    [Reply]

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