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Um afeto que (não) se encerra

Portador de uma incurável e crônica nostalgia, o menino André Setaro adora reproduzir a seguinte sentença que Orson Welles teria dito a Peter Bogdanovich: “O cinema morreu em 1962”. De acordo com esta teoria orsonwellesiana, o último suspiro da grande arte ocorreu exatamente com O Homem que matou o facínora, de John Ford.

Pois bem. Apesar de ter consciência de que nesta tese não está toda a verdade, Setaro não se cansa de propagá-la. E, sempre que está a beber o defunto, balbucia: “O cinema morreu em 1962”.  E, com uma incontível e estranha mistura de felicidade e melancolia, repete: “O cinema morreu em 1962”.

Pois muito bem. Mesmo ouvindo esta fúnebre notícia de tão sábios mensageiros, não creio que esta morte realmente tenha acontecido (mortes acontecem?), porém jamais irei contestá-la. Falta-me autoridade para tanto. Entendo quase nada deste negócio de cinema e, muito menos, de funerais. 

Diante desta confissão, pergunta-me o assíduo e impaciente cinéfilo: por que diabos, então, você traz este fantasmagórico tema à baila?  E eu respondo. Somente por causa desta paradoxal coincidência: Setaro, que tanto acredita na morte cinemástica (royalties para Riachão) em 1962, começou a colecionar cartazes, fotos, press-books originais de filmes e outras mumunhas exatamente em 1962.

Mas, tudo isso seria apenas uma pitoresca coincidência não fosse por conta de outro assassinato que está prestes a acontecer. Setaro decidiu se desfazer de todo este seu acervo a preços que variam de R$ 5 a R$ 20, segundo me informou em longa conversa telefônica hoje pela manhã. Um crime fatal.

Porém, nestes casos que envolvem morte e cinema, nem tento dissuadi-lo. Apenas torço que tão bacana material fique em mãos que não deixem que o afeto se encerre.

P.S. 1. Os homens e mulheres de boa vontade que quiserem adquirir alguma peça do acervo podem e devem entrar em contato com Setaro no seguinte endereço eletrônico.
setaro@gmail.com

P.S. 2. No nosso diálogo de hoje, lá pras tantas pergunto se Setaro tem o cartaz Oh, Rebuceteio, aquela obra-prima da pornochachada nacional, pois quero fazer uma moldura e colocar na sala lá de casa.  
- O filme de Cláudio Cunha? Tenho sim. Venha aqui que lhe dou.
- Mas, Setaro, eu quero comprar.
- Não.
É por estas e outras que o capitalismo não vai pra frente aqui na Bahia. Logo no primeiro negócio, o cidadão coloca o afeto acima do vil metal. Assim não dá.

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32 Comments on “Um afeto que (não) se encerra”

  1. #1 Mauro Sacco Lima
    on Jan 5th, 2009 at 8:04 pm

    Gostei da vigulacao em: “sempre que está a beber o defunto, balbucia:”
    O 1962, e inclindo ou nao incluindo “O Homem que matou o facínora”?

    [Reply]

  2. #2 André Setaro
    on Jan 5th, 2009 at 9:33 pm

    O afeto que não se encerra, como no título de um livro que Paulo Francis escreveu, é com certas pessoas, com amigos e entes queridos. Mas o afeto com papéis, este, sim, pode vir, exceção se faça a livros especiais, a se acabar como, aliás, em tudo na vida. Além do mais, meus mini-cartazes e ‘press-releases’ foram acumulados sem nenhum sentido de ordem e, portanto, ficaram anos e anos sem serventia, porque, quando vinha a necessitar de algum dele, a minha bagunça, assustadora, não permitia o encontro com o que desejava. Mas, durante uma ira, quis desocupar um quarto-depósito no qual estavam ‘a dormir’ o material (cartazes, mini-cartazes e muitas fotografias). Minha cara-metade, ao saber de minha disposição em jogar tudo fora, exclamou: “Mas isto deve valer algum dinheiro” já que ela somente pensa no vil mental. E se dispôs a arrumar o material em ordem alfabética. Vou procurar o tal do ‘Rebuceteio” e lho faço de mimo natalício já que nunca, nesta vida, lhe dei um figo podre. Cláudio Cunha, o diretor desta mixórdia cultuada, quis, neste filme, lançar uma nova dança: o ‘rebuceteiro’, mistura de rebolado com, desculpe a expressão, buceta. Tem tudo para lhe dar o prazer que um filme de tal qualidade pode dar a quem pede isso mesmo. Fora das águas, apenas existem as areias que queimam neste verão tropical que tem no Porto da Barra sua razão de ser e de expor a beleza dos raios de sol. Agradeço a nota, que, como de hábito, tem o inconfudível estilo franceliano e o bom humor de sempre. Assina: “O menino Setaro”.

    [Reply]

  3. #3 André Setaro
    on Jan 5th, 2009 at 9:35 pm

    ERRATA: no qual estava a dormir.

    [Reply]

  4. #4 Anrafel
    on Jan 6th, 2009 at 12:13 am

    Nessa Bahia de Otávio Mangabeira, quando Setaro solicitar uma proposta de algum órgão cultural, perguntarão quanto ele se dispõe a pagar pela guarda do seu material.

    [Reply]

  5. #5 Serbão
    on Jan 6th, 2009 at 1:17 am

    poxa André, mas “The Godfather” pode ser uma exceção aí?

    [Reply]

  6. #6 André Setaro
    on Jan 6th, 2009 at 7:10 am

    Houve um pequeno engano. E creio de bom alvitre ser corrigido em tempo hábil. Os cartazes, mini-cartazes, fotografias e blocos informativos que possuo se localizam no tempo entre 1974 e 1994, as duas décadas nas quais fui colunista diário do garboso jornal soteropolitano “Tribuna da Bahia”. É bom que se corrija. A partir de 1994, desanimado com a ‘infantilismo’ temático que dominou a indústria cultural hollywoodiana, e a progressiva queda de qualidade dos filmes apresentados no circuito comercial, passei a escrever, ainda que no mesmo jornal, apenas uma vez por semana, às gloriosas quintas, o que faço até hoje. Aí, sim, vale dizer: Franciel, talvez, em 1962, não existisse, ainda era um projeto inconsciente de seu pai e, em consequencia (caiu o trema, caiu o trema!), o ‘Ingresia’ ainda teria que esperar o advento da informática. O fato, porém, é que Orson Welles disse a Peter Bogdanovich, em entrevista, e tenho-a como prova, que o cinema acabou em 1962, e o filme-funeral foi “O homem que matou o facínora” (”The man who shot Liberty Valance”), de John Ford, com John Wayne, Lee Marvin, James Stewart, Vera Miles, Woody Stroode. Bogdanovich, no entanto, espantado com a resposta não teve tempo nem de retrucar, pois Welles foi logo dizendo: “Mas o cinema teve o seu apogeu maior do que o da Renascença: 50 anos (1912/1962), enquanto o esplendor renascentista durou 37 anos. Para bom entendedor: Welles fala no auge, no apogeu da arte do filme, considerando que em 1962 o cinema já era uma “cobra criada”, tinha já atingido uma formatação de linguagem adulta e que seria impossível uma evolução em termos linguísticos. De 1962 em diante, segundo o criador de “Cidadão Kane”, constatou-se o perigeu da arte cinematográfica, ainda que excelentes filmes viessem a ser produzidos. O “menino Setaro” começou a ir às salas exibidoras aos 7 anos, em 1957, considerando ter nascido em 1950 e já possui hoje 58 anos, já a tocar as portas dos sessenta e frequentador assíduo das filas de idosos dos bancos da cidade. O fato é que comecei a ir ao cinema ainda no seu apogeu. Já os nascidos “ontem”, a exemplo do egrégio Franciel, deu início à sua ‘navegação’ cinematográfica quando o cinema já se encontrava no perigeu. Simples questão de constatação.

    [Reply]

  7. #7 francielcruz
    on Jan 6th, 2009 at 9:51 am

    Setaro, decida-se.

    Lá no diabo do cineweb Bahia, no endereço http://dreica.tripod.com/ , há a informação de que os tais cartazes são de 1962 a 1974.

    Como diria o glorioso Didi, Mocó, Sonrisal, Mufumbo Novalvina: “Agora, eu fiquei cafuso”.

    Quanto a este negócio de datas natalícias, sou daqueles que pensam que o cinema começou em 1982, com Blade Runner, o caçador de andróides.

    Calma, Setaro, calma, largue este projetor, não jogue isso em mim, estou apenas brincando, calma.

    [Reply]

  8. #8 Anrafel
    on Jan 6th, 2009 at 10:15 am

    Serbão,

    É claro que as controvérsias terão o seu lugar. Seguindo o seu exemplo, eu talvez vá ainda mais longe, já que considero “The Godfather” o melhor filme da (minha) história do cinema. E entre os dez, claro que “Blade Runner” e “Amarcord”, por exemplo, teriam lugar garantido.

    [Reply]

  9. #9 kid bengala
    on Jan 6th, 2009 at 11:48 am

    mas q nada… o maior diretor de cinema da história é orlando sena, aquele cineasta sem filme q ensinava cinema na universidade de cuba (cáspite de cuspe, arghhh), e q hoje é aspone do audiovisual invisível de um desses ministérios de cultura comandado por juca “boca de calçola sem elástico” ferreira.

    [Reply]

  10. #10 André Setaro
    on Jan 6th, 2009 at 1:59 pm

    Conheci uma pessoa, quando era menino de Nazaré, que gostava de ‘rebucetear’. Ele pegava uma mulher e fazia com que ela dançasse à sua frente, nua com a mão no bolso, com suas ‘vergonhas’ despidas. Era o que chamava, e até com certa elegância estilística, o ‘rebuceteio de uma mulher-dama’. Não sei se Cláudio Cunha tomou conhecimento desse aloprado personagem. Creio que não. Mas o ‘copyright’ é dele, sim. Bom aluno de português, gostava de conjugar o verbo ‘rebucetear’. Eu rebuceteio, dizia ele, que continuava, tu rebuceteias, ele rebuceteia, nós rebuceteamos, vós rebuceteias, eles rebuceteiam. Um colega, que gostava de perturbar a paciência do rapaz (era meio amalucado, como toda pessoa de gênio e talento), perguntava: “E você sabe dizê-lo no imperfeito do subjetivo?” Ele não negava fogo: Se eu rebuceteasse, se tu rebuceteasses, se ele rebuceteasse, se nós rebuceteássemos, se vós rebuceteásseis, se eles rebuceteássem. Mesmo o Professor Ulysses, homem baixinho e gordo, grave, como era do feitio dos professores secundários naquela época de boa educação (hoje reina o caos e o analfabetismo inclusive dentro da universidade), implicante, que exigia os modos corretos da conjugação verbal, ficava admirado com a maneira ágil e esperta de Julião Taboca (agora me lembrei o nome dele) conjugar o Rebucetear. Sou do tempo do Severino Vieira e do Central, onde o aluno realmente tinha que estudar para passar. Julião Taboca foi um caso particular, mas, segundo soube pela rádio de Pequim, é hoje um ilustre advogado e diretor da Petrobras.

    [Reply]

  11. #11 Sócrates Santana
    on Jan 6th, 2009 at 5:35 pm

    Vá de reto…

    [Reply]

  12. #12 serbon
    on Jan 6th, 2009 at 6:41 pm

    pois é, “Amarcord’… tem a “Comilança” tbem.
    e eu ainda acho que Hannibal “Cannibal” Lecter faz o Silencio dos Inocentes merecer um cantinho nesta lista.

    [Reply]

  13. #13 Anrafel
    on Jan 6th, 2009 at 10:12 pm

    Orlando Senna dirigiu uns três filmes, dirigiu e roteirizou outros três e foi roteirista de talvez uns dez. Pra cineasta brasileiro (e baiano, ainda por cima) até que tá bom.

    Lembro que quando o seu “Iracema” foi liberado, quase à mesma época foi lançado o “Iracema, a virgem dos lábios de mel”, de Carlos Coimbra.

    Esse último ficou mais conhecido pelo simples fato de que quando nos referíamos a ele metíamos um parêntese: “Iracema, a virgem dos (grandes) lábios de mel”.

    A protagonista era Helena Ramos.

    [Reply]

  14. #14 Ernandes Santos
    on Jan 6th, 2009 at 10:54 pm

    Só fico indignado quando alguém faz alguma coisa boa, pois com bagaceira já tô acostumado. Independente do ano ou século destes cartazes pegarei alguns pra mim. Agora, se o Setaro não parar de comentar vou chamar o Navarro. kkkkkkkkkkk

    [Reply]

  15. #15 kid bengala
    on Jan 7th, 2009 at 10:54 pm

    pô rafel. a gente falando de john ford, marco ferreri, amacord de fellini, silêncio dos inocentes, orson welles, godfather, blade runner e vc vem justificar uma nulidade como esse orlando sena e seu filme iracem???? dá um tempo. tú é louco é? ou será q vc trabalha na seCÚlt??

    [Reply]

  16. #16 Nílson
    on Jan 8th, 2009 at 12:58 am

    Já que pronunciates - em vão - o santo nome de Didi Mocó Sonrisal Colesterol, lembro que seria injustiça não incluir na lista dos clássicos “Os trapalhões e as minas do rei salomão”, de 1977. Talvez Setaro concorde que tenha sido o apogeu do perigeu???!!!

    [Reply]

  17. #17 Anrafel
    on Jan 8th, 2009 at 5:49 pm

    Kid, meu caro,

    Não tentei justificar esse ou aquele filme do Senna, embora o repute como o maior cineasta nascido na região de Lençóis no século passado.

    E nesse lugar que falastes, latu senso, eu não trabalho. Portanto, já podeis lutar pela vaga.

    [Reply]

  18. #18 Janjão de Aratuípe
    on Jan 9th, 2009 at 6:58 am

    Talvez o cinema tenha acabado em 1962, mas algo começou com o advento do digital… Ou melhor, tá começando… Quando se pensava em ver tantas filmografias sem sair de Salvador? Era um filminho italiano aqui, um francesinho (não confundir com Francizinho, que é como o dono desta bodega é conhecido no baixo meretrício) ali, um ou outro exemplar de surpreendente sucesso de alguma escola menos tradicional acolá.

    Antes do final dos anos 1990, Wenders (Vcs têm de ver Palermo Shooting, hereges! Aguardem atentos!) e Godard sequer tinham descoberto e se aventurado pelos caminhos do digital… Isso sem falar de Wong Kar-Wai e coisas absolutamente geniais que a animação vem criando ao descobrir o 3D…

    Aliás, taí um gênero que está em plenos pulmões respirando novos ares… Quem viver jamais ouse deixar de assistir “Valsa para Bashir” não só uma obra-prima da imaginação contemporânea, como uma criação que atinge raro patamar em sua vocação humanista. A cena que abre mostra um pesadelo, um homem atormentado fugindo de cachorros ensandecidos em seu encalço. Não me recordo de ter visto algo tão impactante e criativo nos últimos anos de minha existência.

    Enfim, o cinema é arte-produto da técnica, enquanto houver atualização tecnológica ele continuará se transformando - e não falo de efeitos visuais - mas de concepção de linguagem mesmo.

    Talvez o primeiro capítulo dessa arte que chamamos cinema tenha se estagnado em 1962 sob o ponto de vista do esgotamento da evolução de linguagem. Mas eis que chega a técnica, a mesma que possibilitou a lanterna mágica, abrindo novas fronteiras no fazer cinema e, obviamente, possibilitando novas invenções também na articulação e concepção de linguagem. Acho que temos reticências nesta história, ainda tem coisa por vir…

    O cinema morreu?! Viva o cinema! E viva “o menino Setaro”, um homem tão pouco interessado nos modismos de nosso tempo que resolve “estimular a cinefilia” vendendo recuerdos da sétima arte, mesmo quando se diz que a cinefilia morreu…

    Mas Setaro, não conte nada ao menino Orson, a quem muito respeito, mas pessoalmente tô cada dia mais desconfiado de que o cinema não é lá um cabra muito morredor não.

    [Reply]

  19. #19 Janjão de Aratuípe
    on Jan 9th, 2009 at 7:17 am

    …Ah! E se me permitem um comentário a destempo (recebem, ordinários, pelas respectivsa caixas torácicas um “a destempo”) não foi um tanto apressado o menino Orson ao anunciar a morte do cinema antes de Kubrick fundir imagem e som numa coisa só com Laranja Mecânica, 2001: Uma Odisséia no Espaço…

    Ô defuntinho chato esse cinema, né? Toda hora alguém lembra de um seu velho suspiro novo.

    [Reply]

  20. #20 Faustino
    on Jan 9th, 2009 at 10:54 am

    Prefiro Ó Paí, Ó.

    [Reply]

  21. #21 Chico
    on Jan 9th, 2009 at 12:29 pm

    Prefiro Se Eu Fosse Você. 2.

    [Reply]

  22. #22 John Londong
    on Jan 9th, 2009 at 3:00 pm

    Eu prefiro Senta no meu que eu entro na tua.

    [Reply]

  23. #23 serbon
    on Jan 9th, 2009 at 6:42 pm

    pessoal, “Elas São do Baralho” tem o maior diálogo já registrado pela Sétima Arte nestas terras de Pindorama.
    Antonio Fagundes e Nuno Leal Maia organizam uma suruba para recepcionar o novo chefe do escritório, o Caludio Correa e Castro. só que o véio não entende o convite e leva a esposa.
    chegando lá, aquela saia justa, e os rapazes pedem às ‘moças de vida fácil’ que disfarcem ,pra nao dar bandeira.
    as tantas, o chefe encosta perto de uma delas e puxa papo, falando sobre o clima:
    -Chuva cacête…
    Ela responde de bate pronto:
    -Chupo sim sinhô!

    Genial. Vale uns 15 Glauber Rocha, mais uns 5 Mario Peixoto de troco.

    [Reply]

  24. #24 Mangueira entrando...
    on Jan 10th, 2009 at 2:05 am

    O bicho pegou…a verba indenizatória não será mais…paratodos.

    [Reply]

  25. #25 Mangueira entrando...
    on Jan 10th, 2009 at 2:07 am

    Aliás eu acho que o(a) próximo(a) presidente deveria ser Leokret, assim a gente já sabe que bicho vai dar.

    [Reply]

  26. #26 André Setaro
    on Jan 10th, 2009 at 11:18 am

    As chamadas pornochanchadas brasileiras eram, na verdade, comédias de costumes com sugestões de sexo, sem, contudo, explicitá-lo. Foi preciso o advento dos anos 80 para se ver aparecer os filmes realmente pornográficos do cinema brasileiro. Janio Quadros, em 1987, então prefeito da capital paulistana, foi pessoalmente ao cinema onde estavam sendo exibidos, em programa duplo, “O viciado em cú” e “Se minha bunda falasse”. Rasgou, com a sua solenidade peculiar, os cartazes que ficavam na porta da sala exibidora. Mas, raivoso, não pôde proibir a exibição dos filmes, impedindo, apenas, que cartazes fossem colocadas na calçada em frente ao cinema. Com o advento dos pornográficos, estes começaram a ser exibidos em cinemas de primeira linha (Bahia, Guarany, Tamoio…), mas, com o passar do tempo, foram relegados às salas especiais e decadentes. Atualmente o Astor exibe, e em DVD, filmes de alta contudência pornográfica, assim como o outrora majestoso Tupy, lugar de ‘pegação’. Já se disse que, nestas salas, há mais gente dentro do banheiro do que propriamente dentro da sala de projeção.

    [Reply]

    Serbão Reply:

    o Janio garantiu momentos engraçadissimos na cena politica de SP de Piratininga….

    [Reply]

  27. #27 Anrafel
    on Jan 10th, 2009 at 2:02 pm

    Serbon,

    E todos (feitos ou a fazer) de Cacá Diegues.

    (Mas, pelo que eu soube, o Mário Peixoto é um cinesta bastante limitado. Não, enforcamento, não!)

    [Reply]

    Serbão Reply:

    do Cacá ainda livro a cara do Bye Bye Brasil… ele nunca mais vai fazer um filme tão bom quanto este. acho que foi exceção na vida dele.

    [Reply]

  28. #28 Anrafel
    on Jan 10th, 2009 at 2:12 pm

    Essa quem contou foi o Cony:

    Lá pelas comemorações dos 100 anos do cinema, pediram-lhe que citasse dois grandes momentos da sétima arte.

    Ele pensou, pensou e dispôs um deles: um filme de Mazzaroppi havia ficado num cinema do interior de Minas 2 anos ininterruptos em cartaz.

    O outro, passou-se num cinema poeira do Rio. Não se sabe porque, mas o “2001, Uma Odisséia no Espaço” foi para nessa sala. E deu gente. Lá pra perto do final do filme, aquela seqüência que parece sintetizar o hermetismo do filme. Passo a bola para Cony:

    “Silêncio sepulcral na sala, dividida na platéia propriamente dita e no balcão, ambos lotados e perplexos.

    Nem mesmo a música de Richard Strauss quebrava o espanto de todos, antes, o acentuava, tornando-o monumental, epifania de um futuro que começaria naquele instante.

    Uma voz vinda lá de cima, sarça ardente queimando no Monte Sinai instalado no largo do Machado, desceu como um pássaro de bronze avisando a todos:

    - Estou entendendo tudo!

    Ninguém se mexeu. Havia um eleito que estava entendendo aquilo tudo. Todos estavam salvos”.

    [Reply]

    Serbão Reply:

    muito bom!!!!

    [Reply]

  29. #29 Anrafel
    on Jan 12th, 2009 at 1:44 pm

    Jânio Quadras daria um ótimo personagem de pornochanchadas - um daqueles tios caricaturalmente moralistas, mas à visão de uma bela bunda já começa a lamber os bigodes.

    [Reply]

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