É vero que havia prometido continuar narrando a saga de Elomar no Teatro Castro Alves, porém um valor mais alto se alevantou (royalties para o menino Camões). Seguinte é este. No próximo dia 28, esta Bahia oximorística, que já está com o movimento parado, irá desacelerar de vez. Na referida data, a nossa briosa província se vestirá de sol, preguiça e folia para receber tchan, tchan, tchan…Branco Leone – o melhor e mais FEIO escritor da gloriosa e longeva história do Cambuci. E olha que conquistar estes dois títulos (melhor e mais feio) não foi brincadeira. Para que vocês tenham uma idéia do tamanho da proeza de Albano Martins Ribeiro (eis o castigo que nosso herói recebeu na pia batismal), ele teve que desbancar importantes e horrendas personalidades do mundo das letras nascidas naquele tradicional bairro paulistano. Um exemplo? Recebam: Antônio Delfim Netto, sim, ele mesmo, o homem, o gordo, o mito, o pentelho.
E aos que acham que derrotar Delfim é uma façanha menor, informo ainda que Branco conseguiu também vencer a boréstia e produziu um longo livro chamado Incompletos, que está revolucionando a literatura em toda a região da Mooca e em uma banda de Aricanduva. “É obra densa da melhor qualidade”, garantiu-me A MOÇA que trabalha lá em casa, não sem antes acrescentar. “Se é Incompletos e ele já escreveu 38 páginas, imagina quando for inteiro, Sêo Françuel? Vai ser coisa de botar Guerra e Paz no chinelo, de fazer corar Tolstói”.
Pois bem, torcida brasileira. É este monstro sagrado das letras de pindorama que estará aqui aportando. E, como todos os visitantes, ele vem apenas com o intuito de comer. Não que vá praticar o turismo sexual, nécaras, até porque, segundo garante, é casado com uma sobrinha de Mário Monicelli e neta de Vittorio Gassman. “Não sou bígamo, refiro-me à mesma mulher!”, bradou, antes mesmo que eu fizesse quaisquer insinuações.
Porém, derivo. Dizia que ele vem apenas com o intuito de comer, mas no sentido estritamente gastronômico. É que o referido é metido a conhecer as almas das cidades através das culinárias, como se as urbes possuíssem tais abstrações (falo da inexistência da alma, não da culinária). E, antes mesmo das entradas e bandeiras, ele começou: “Francinho, podemos comer uma maniçobinha (a melhor vive em Cachoeira, mas tem saído de férias nestas épocas), ou mesmo um pirãozinho de leite com rabada na Ceasinha. Pra arredondar o fundo da cesta, duas Gabrielas geladinhas, antes”.
Não entendi o porquê de o referido falar tudo no diminutivo, mas ele diz que já contraiu matrimônio (contrair matrimônio, eis a doença como metáfora e vice-versa) e não tenho porque duvidar de sua masculinidade (copiráite para a campanha de Marta). Casado ou não, o fato é que nosso ilustre visitante deveria ter conhecido uma budega que durante séculos conseguiu captar esta tal alma da cidade: O glorioso Buteco do Beleza, ali no início da Ladeira da Rua do Paraíso.
Lembro-me que em priscas eras, quando cursava Alemão (Sim. qual o problema? Sou um quase políglota. Não falo fluentemente quase seis línguas) na casa de azulejo que pertenceu a Simões Filho no Bairro da Saúde, nem bem terminava as aulas e eu já estava batendo ponto no referido e glorioso Buteco. O dono, Beleza, chegava com o cardápio (na verdade, a barriga do infeliz chegava 15 minutos antes) e repetia: “Temos 56 tipos e variedades de comida, mas, hoje, nosso microprocessador eletrônico só tá servindo pão com moela”. E, enquanto desviava minha costela dos automóveis que insistiam em trafegar pela rua, aproveitava para apreciar a referida iguaria.
“Contudo, para além da culinária, por que a tal birosca captava a alma de Soterópolis?”, deve estar perguntando o impaciente ouvinte que conseguiu sobreviver a estas 156 bêbadas linhas. E eu respondo. Por causa do alto nível dos debates ali travados, que revela todo o grau de instrução desta alfabetizada província.
Seguinte. Certo dia, cheguei mais cedo e consegui uma das cinco vagas no balcão, onde se desenrolava uma apaixonada discussão sobre a 2ª Guerra. Grito vai, grito vem, até que adentra o recinto um senhor bem apessoado (bem apessoado para os padrões de lá). Antes, porém, do tradicional boa tarde, um debatedor solicita sua interferência: “Estevão, você que é oficial de justiça, um intelectual, explique aí como foi esta chibança da 2ª guerra”.
A partir de então, ouvi o melhor e mais baiano resumo sobre a batalha de Stalingrado. Às aspas. “Seguinte. Hitler foi pra cima todo afoito e Stalin ficou na dele, só na cocó (nota da redação: cocó = crocodilagem), botando pra fuder nos alemães”.
Beleza, a conta, por favor.






on Dec 23rd, 2008 at 3:29 pm
Franci, a cada dia percebo que você está a milímetros de herdar de Riachão o título de “cronista da bahia”, mas sabendo de sua catilogência decerto irá declinar do justo posto. Só sei que é com satisfação (sim, satisfação, pq prazer é outra coisa…) renovada que me alimento das suas linhas. Um dia vc será elevado à categoria de estado de espírito… E um interlocutor irá perguntar ao outro: “Como estás?” e ouvirá “muito bem, estou franciel hoje!”
Pagamento em notas miúdas, por favor, pra não dar na pinta.
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on Dec 23rd, 2008 at 4:58 pm
Puta que pariu, Branco. Fui mexer e, tecnoanta que sou, apaguei seu importante comentário.
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on Dec 23rd, 2008 at 5:24 pm
Ele vai de avião?
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on Dec 24th, 2008 at 6:45 pm
“Yo no creo en las almas culinárias de las urbes, pero que las hay, hay”. (Ana Maria Braga)
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on Dec 24th, 2008 at 7:53 pm
Gente,
Não sei se a turma aqui aprecia isso, mas Feliz Natal para todos.
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on Dec 25th, 2008 at 1:47 pm
boa sorte a Branco em sua incursão soteropolitana. Não sei se te falaram ,Franciel, mas Marconi está com ciúmes…
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on Dec 25th, 2008 at 6:00 pm
Gostei do poder de síntese do bem apessoado. Segundo a sabedoria popular, Napoleão perdeu a guerra de forma muito mais rápida e dolorosa.
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on Dec 26th, 2008 at 3:26 pm
Seu Franciel,
Percebi agora que não tenho seu e-mail, então por esta caixa mesmo faço o convite pra vir comer um sarapatel apimentado amanha (27), pelo meu aniver´sario. Pertinho do NE de Amaralina, na rua paraíba - Vela Branca! Grande abraço
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on Dec 29th, 2008 at 11:58 am
*inveja*
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on Dec 29th, 2008 at 1:28 pm
<![cdata[ para todos!
abçs cdatados
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on Dec 29th, 2008 at 2:24 pm
Franci, de volta ao mundo virtual, cumpri meu compromisso e me atualizei de todos os escritos (não recomendo a ninguém, ler assim, corrido, tudo de uma vez…é muito cansativo …quando o velox cair, dê um jeito de ir no vizinho, na lanhouse e leia a porra todo dia, senão acumula a porra e seu francuel escreve muito). De tudo, além do bem apessoado do boteco, e do incompleto do livro do seu amigo (que recomendo, li, minha mulher leu, minha vizinha já deve tá lendo) gostei mais da história do estivador veado …. rio que é um mar …kkk….mas bom mesmo ia ser o sarapatel aí de cima ….será que sobrou ?
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on Dec 29th, 2008 at 9:30 pm
Boas entradas e um abraço por trás.
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