Meu irrevogável afeto por los olvidados e ofendidos pelas grandezas do Brasil estende-se também à geografia – mais precisamente aos bairros e adjacências desta besta e bela província. Tem sido assim desde tempos imemoriais e assim continuará ad infinitum, amém. Lembro-me que derna de quando aqui aportei, e lá se vão alguns séculos, sempre fui simpático às localidades, digamos, desprestigiadas.
Dentro desta estratégia, minha primeira parada em Soterópolis foi logo na briosa Rua da Poeira, na Saúde, exatamente na divisa com o bairro de Nazaré. Recordo que os moradores de tão distinto e limpo logradouro tinham uma quase vergonha de falar que moravam lá. E, sinceramente, não entendia o motivo, já que a Saúde era (e é) muito mais simpática do que Nazaré.
Pois bem. Tempos depois, descambei para outra morada de entorno, o glorioso o Engenho Velho de Brotas. Apesar de ser uma espécie de apêndice do insosso bairro de Brotas, não há nem discussão de que aquele é muito mais bacana do que este. É óbvio que não é preciso muito esforço para que uma localidade, mesmo periférica, seja mais atraente do que Brotas.
O fato, porém, é que tomei gosto pelas tais sub-localidades. E esta atração fatal não parou mais. Atualmente, por exemplo, cheguei ao ápice do desprestígio, pois escolhi a gloriosa Amaralina, que fica espremida entre a futilidade do Rio Vermelho e o novo-riquismo da Pituba. (Mas, lá no alto do morro, onde Amaralina roça com o Nordeste, sou um burocrata quase feliz).
De todas estas localidades secundárias, a única que me parecia em desvantagem em relação a principal era a Barroquinha. Mas, confesso que nunca soube explicar os porquês de tal fato. Talvez existisse algum óbice, vá lá, cultural - pois enquanto a Baixa dos Sapateiros atraiu Ary Barroso para imortalizar suas morenas frajolas, a Barroquinha comparecia com Joãozinho do Arrocha e sua nigrinha.
Inobstante (recebam, sacanas, um inobstante pelas caixas de catarro) este problema musical, continuei perseverando. Eu sabia que um dia a argumentação pró-barroquinha ia aparecer. E apareceu. Semana passada estava lendo um relato de Rafael Galvão sobre a aprazível e degradada localidade quando se fez um estalo a la Vieira :”A Barroquinha é a resistência e a vanguarda ao mesmo tempo”, pensei com meus desgastados botões e me preparei para mais um momento ingresia de falsa erudição.
Seguinte é este.
A gloriosa Igreja da Barroquinha, que começou a ser construída no início do século XVIII, mais precisamente em 1722, está agora se transformando em um Centro Cultural. Não tenho a informação precisa, mas creio que talvez esta transformação de igreja em centro cultural seja única em Salvador. Aqui e alhures sempre tem prevalecido o inverso. Os religiosos, mais especificamente os da zuadenta Igreja Universal, têm ocupado os espaços de cultura, especialmente nossos cinema de rua (não, não chore Setaro), para gritar e berrar em nome do senhor
Pois muito bem. Continuando na história da resistência e vanguarda na velha Barroca, lembrei-me que atrás da referida Igreja da Barroquinha, conforme ensina o menino Renato da Silveira, existiu o primeiro terreiro de candomblé da Bahia, comandado pela mãe-de-santo alforriada Iyá Adetá. O referido culto negro, que começou no ano da graça de 1807, foi obrigado a abandonar a Barroquinha por causa dos brancos endinheirados, porém espalhou-se pela cidade e acabou sendo o precursor de terreiros importantes como o Gantois e Casa Branca.
Então, é isso. Vamos, agora, torcer para que este exemplo da Barroquinha, que transforma igreja em butecos e similares, se espalhe pela cidade, assim como ocorreu com os terreiros.
Oremos.







on Nov 17th, 2008 at 8:32 pm
< ![CDATA[Ô Franciel, tu morou na Poeira?
Um tio meu e meus primos moraram ali a vida inteira. Sabe Deus o quanto andei por aquelas bandas -- e pela Saúde, onde minha avó morava. ;)
Morei lá no início da década de 80. Vadiei muito ali. Tinha uns amigos que moravam ali próximo da Igreja. Era uma beleza. De quando em vez, ainda retorno à Saúde. Tem, pelos menos, dois restaurante bacanas. O armazém, e um alemão, na Casa em que Simões Filho morou.
Voltando à Poeira. Uma das coisas que mais gosto de lá é que mudaram o nome da Rua para Pires de Carvalho, mas ninguém obedeceu. ]]>
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on Nov 18th, 2008 at 12:20 am
< ![CDATA[Brotas tem o melhor pastel da cidade, o do Bar Kurau; tem o viaduto sobre o Vale do Ogunjá, que alguns já escolheram para se arrebentar.
Tem um motel, o Êxtase, que não tem placa. Por reclamações da vizinhança, ela foi retirada e em seu lugar foi colocada outra com os dizeres: "Não funcionamos como motel, por favor não insista". Mas o couro continua comendo.]]>
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on Nov 18th, 2008 at 2:03 pm
< ![CDATA[E assim, os briosos Jornalistas baianos podem até recriar o Jornal da Bahia (que triste fim com MKZ) na Barroquinha.]]>
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on Nov 19th, 2008 at 2:05 pm
< ![CDATA[Sêo Françuel também é "curtura"!!!!
Boto pra lenha nessa aula de história.]]>
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on Nov 20th, 2008 at 12:30 am
< ![CDATA[seo françuel,
saudade do velho baba no maracabado e do dominó
em seo narciso.
viva o glorioso engenho velho de brotas!]]>
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on Nov 20th, 2008 at 2:53 am
< ![CDATA[É normal a substituição de um cinema por uma IURD. É a troca de um templo por outro.
Até a década de oitenta e comecinho da de noventa, eu freqüentava cinema como jamais freqüentei um templo religioso, um estádio de futebol ou mesmo um puteiro. Muitos também faziam daquilo quase um credo religioso e compareciam lá umas 3 ou 4 vezes por semana. Alguns outros, até mais.
Mas essa constância foi caindo, e foi caindo demais. Se por culpa da programação, do aumento fudido dos preços dos ingressos devido à disseminação da meia-entrada (leia-se, carteira de estudante), da precariedade dos cinemas de rua, bem, não sei. O que aconteceu é que os donos tiveram que vender as salas, e quem ofereceu o melhor preço foram os bispos da IURD.
Nesses templos, pelo menos a assistência é maciça.
Agora, quando os templos católicos, por falta de fiéis, começarem a ser vendidos para a Universal, aí vai ser o diabo.
Que passem para Centros Culturais.]]>
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on Nov 20th, 2008 at 4:14 pm
< ![CDATA[Ô Francis Elvis, eu vim da Suecia mais cedo só pra ler o seu blogui e você não fala nada de política?
Não leu o ardigo de Ja Deu Vieira Lima no vésper da tancrê? Se você não puxa assunto, como é que eu me viro, rapá?
Eu quero começar a governar logo, não posso ficar seu sua guruzagem... Quem não tem Agecom caça (ou cassa?) com Ingresia!
Daqui a pouco eu volto, eu vou ali em Lauro de Freitas almoçar com a prefeita e com o secretario da agricostura, reze por mim e por Fatinha, e me dê (lá ele) um norte aí, falou?]]>
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on Nov 20th, 2008 at 4:48 pm
< ![CDATA[Lá vem esse Governador querer mudar de papo.
Meu filho, o Boneco Chuck já lhe apunhalou desde o início.
Uma punhalada certeira não por trás (lá ele) e sim no meio da caixa dos peitos, quando cooptou os prefeitos (receba o cooptou).
Agora, com 35 do segundo tempo a Marinêz é quase morta e não adianta esquentar, digo gastar nada no Pestana.
Entonce mude logo de assunto e vamos rememorar a velha cidade da Bahia.]]>
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on Nov 21st, 2008 at 2:07 pm
< ![CDATA[A propósito, dentro do amplo roteiro cultural que o senhor e sua santa patroa armam por aí para quando chegarmos, incluído discurso do prefeito e banda ao pé da escada do avião, encontre lugar para uma visita a um terreiro de candomblé, faça-me o favor. A última vez que tentei ir a um, com o auxílio da Bahiatursa, quase me levam a carteira bem como coração e intestinos. E preparo uma dessas obras do gênio pernambucano, sociologicamente mais importante que Casa Grande & Senzala, de modo que seria interessante conhecer uma dessas casas.]]>
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