Até a noite do último domingo, guiava-me pelo seguinte e inabalável axioma: não há possibilidade de os programas esportivos tornarem-se ainda piores. Ledo e ivo engano. Nem mesmo os axiomas resistem à lógica absurda das mesas-redondas televisivas. A última histeria dominical fez com que este meu axioma descesse envergonhado pelos vestiários antes do intervalo comercial.
A chibança na TV, travestida de indignação, começou logo após a prisão de André Luís, zagueiro do Botafogo. Aos que têm o saudável hábito de não acompanhar o noticiário, informo: depois de ser expulso da partida contra o Náutico, o atleta botafoguense xingou deus e o diabo no Estádio dos Aflitos, agrediu torcedores com gestos e uma garrafa d’água, fez careta para Irmã Dulce - e foi parar no xilindró.
Pois bem.
Mais transtornados do que o referido beque, os comentaristas babavam impropérios ininteligíveis e repetiam ad infinitum as cenas de truculência da PM (desculpe-me a redundância) de Pernambuco. E babavam mais impropérios ininteligíveis.
Todos sabemos que meganhas não são raça de gente nem aqui, nem em Cabrobró. Desconfio, porém, que os referidos comentaristas não bradavam exatamente contra a específica ação policialesca. Algo muito mais grave estava, literalmente, em jogo: a perda da imunidade daqueles que se envolvem com o futebol.
Explico.
No Brasil, jogador de futebol em atividade pode cometer os mais diversos delitos que nada acontece. Estão acima da lei. Os boleiros daqui já confessaram relações perigosas com traficantes, cometeram homicídios no trânsito, brigaram em boates e em ambientes menos nobres, sonegaram impostos, praticaram o crime de racismo - e nada. No máximo, alguns impropérios ininteligíveis nas mesas-redondas e tudo voltava ao normal.
Pois muito bem.
Noves fora a violência da PM, que, óbvio, é condenável, esta prisão simboliza o rompimento desta cadeia de impunidade. Jogador tornou-se passível de punição. E, creio, era contra isso que eles bradavam. Os comentaristas xingavam não para acabar com a truculência da polícia, mas sim para perpetuar a imunidade dos jogadores e adjacências. “Onde já se viu botar atleta na cadeia? Daqui a alguns dias, levam os cartolas e, depois, se não dissermos nada, poderão colocar no xilindró até mesmo nós mesmos. E aí, como já não dissemos nada, não poderemos mais dizer nada ”, pareciam falar estes impolutos homens do microfone, numa versão farsesca do poema de Eduardo Alves da Costa, que, por milênios, foi atribuído farsescamente a Maiakovski.






on Jun 4th, 2008 at 7:53 pm
Franci, assino embaixo, tal como vi Maiakovski assinar o dele ali mesmo, no calçadão que tinha entre a avenida sete e a joana angélica; na moral, o poema é mesmo do russo; tudo, menos isso.
São Tomé, já que não crê neste ser superior que lhe orienta, mando-lhe um linque de uma revista de sua própria capitania de Pernambuco. Eis. http://www.continentemulticultural.com.br/revista085/materia.asp?m=Literatura&s=1
Caso continue a descrença, leia este outro escrito no Estadão, em 2003. Receba. http://www.brasilnews.com.br/News3.php3?CodReg=8781&edit=Artigos&Codnews=999
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on Jun 5th, 2008 at 9:55 am
Antes na cadeia pernambucana imunda (desculpe-me a redundância) que flagrado num motel com as bibas!
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on Jun 5th, 2008 at 10:39 am
Blog há muito jogado as traças, mostra ainda ser a “vox populi”.
Mas, deixando de lado a rasgação de seda, nem lembrava mais como funcionava essa casa de fazer ingresia. Vamos brincar de deixar essa obsessão por assuntos meramente pebolísticos e voltar mais a atenção ao único blog autorizado pelo MKC.
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on Jun 5th, 2008 at 10:43 am
É uma pena que os policiais não tenham dado umas quantas lapadas também nos jogadores do Náutico, em nome da isonomia.
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on Jun 5th, 2008 at 12:24 pm
Para quem defendeu a candura e a responsabilidade social de joãozinho da mamãe no final de semana, este desagravo para a volante da poliça militar pernambucana parece deslocado.
Vossa senhoria anda bebendo o quê?
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on Jun 5th, 2008 at 12:51 pm
Pois é, Franciel
desse mal eu não mais padeço. Já há alguns séculos não perco meu tempo “ouvindo” e “vendo” aquela súcia de imbecis “especialistas” em esportes a proferir um verdadeiro tsunami de besteiras, principalmente quando o assunto é futebol, como se esse esporte ainda valesse a pena ser comentado (com raríssimas exceções, sabemos, resultado de futebol é decidido nas salas do dirigentes).
Então, meu caro, assim com também deixei de frequentar estádios, muito mal assisto um joguinho ou outro na TV (jamais os 90 minutos) e quando um desses palhaços se anuncia na telinha, rapidamente transfiro para qualquer coisa que, por mais idiota que seja, será menos nociva que aquele palavrório inútil.
É isso aí.
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on Jun 5th, 2008 at 5:29 pm
E vc acredita em jornalista desna de quando …. dois sobrepesos, duas sobremedidas….
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on Jun 6th, 2008 at 7:21 pm
Seu ódio pelos “meganhas” deve ser poque, na qualidade de maconheiro, já deve ter tomado muita bolacha na cara.
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on Jun 7th, 2008 at 8:54 am
Caro Blogueiro,
Concordo que muitos atletas exegeram e abusam da violência nos estádios. Entretanto, no caso em comento, a polícia pernambucana, agindo de forma truculenta, desnecessária, bairrista, não tinha nenhuma base legal para prender o estabanado atleta do botafogo. Que crime cometeu o referido atleta? O nobre blogueiro poderia alegar que, ao “dar dedo” para a torcida, o atleta cometeu o crime de injúria, art. 140 do Código Penal. Porém, segundo a doutrina, tal crime só se configura quando cometido com dolo, ou seja, o agente age de forma conciênte com o escopo de atingir o bem jurídico honra. No meu entender, o atleta não agiu de forma livre e conciente, uma vez que toda o imbrólio se desenvolveu após injusta expulsão e, sendo assim, o atleta agiu movido por forte emoção, fato que, por si só, elimina a tipicidade de sua conduta. Ademais, a polícia pernambucana, ao atuar nos jogos dos times locais, o faz muito mais como torcedora do que como instituição que tem a função precípua de zelar pela segurança de todos os presentes ao estádio, mormente de todos que participa diretamente do espetáculo. Saudações!
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on Jun 7th, 2008 at 8:32 pm
Ufa! Ainda bem que esse Zaneli aí de cima é Malta Prata.
Já imaginou se fosse Mata Pires!
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on Jun 8th, 2008 at 11:08 pm
escopo, imbrólio, tipicidade. conduta, precípua, mormente… ai ai ai ai ai seo françuel
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on Jun 9th, 2008 at 10:48 am
O importante disso tudo é a goleada que o vitória aplicou, domingo passado, no santos de pelé, bicampeão mundial.
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