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É HOJE

 

Óbvio que absurdos estão sempre à espreita, porém é muito improvável que exista, nos 12 continentes, alguma coisa mais constrangedora (e irritante) do que versões musicais. Mesmo com toda a compaixão cristã, é nula a possibilidade de se perdoar o que Fernanda Abreu (que deus a tenha) fez com o menino Jackson do Pandeiro. É lógico que o respeito aos originais deve-se estender a todas as áreas.

 

Há poucos instantes, por exemplo, estava pensando em escrever algo sobre o talento de Cau Gomez, mesmo sabendo que o talento do referido não carece de meu desmoralizado aval. Mas, desisti logo que minhas ordinárias retinas depararam-se com o texto abaixo de Cláudio Leal, no Terra Magazine. Como era inútil fazer alguma versão porque tudo já estava dito ali, no original, decidi apenas informar que logo mais, às 19h, todos os caminhos levam à Galeria do Livro (Boulevard 161, Itaigara), onde haverá o lançamento do número 61 da revista Gráfica-Arte Internacional na qual Gomez é um dos destaques.

 

Cau Gomez: da montanha ao mar

Claudio Leal

Sorriso fisgado, alegria mambembe. O cartum do desenhista Cau Gomez, 36 anos, imprime ao riso do brasileiro as tintas do cidadão que monta, diariamente, um circo de lona rasgada. Homem e mulher trôpegos que resistem ao País - e a suas alegrias improvisadas.

Cau, 20 anos de profissão lavrados na estrada Minas-Bahia - que pode muito bem cruzar com estradas de outros países e mundos - integra a Seleção Brasileira de Cartum. Seus desenhos já foram impressos nas revistas Playboy, Palavra e Entrelivros, nos jornais O Estado de S. Paulo, O cometa, Jornal do Brasil e Courrier International (França); ganhou o reconhecimento de craques como Ziraldo e Angeli. Atualmente, trabalha no jornal A Tarde, em Salvador. Em boa vizinhança: seu companheiro de prancheta é o cartunista Osmani Simanca.

Ainda petiz, deu os primeiros traços na imprensa de Minas Gerais. Uma honra: ilustrava as crônicas do escritor Roberto Drummond. De resto, como bom mineiro, tirava leite das montanhas. Milagres diários.

- Comecei com 16 anos, no Diário de Minas. Na época, fui salvo porque o jornal era carente de fotografias e eu fazia mais de dez desenhos por dia, pra ilustrar as páginas. Com essa prática de interpretação de texto, comecei a aprimorar meu desenho.

Na década de 90, se radicou em Salvador. “No início, as formas das montanhas mineiras me marcaram. A Bahia me apresentou ao mar”, define. Antes mesmo de pisar nos gramados de todos os santos, fez uma caricatura do então governador Antonio Carlos Magalhães para a Playboy. De corar anjos barrocos. Anos mais tarde, ACM entrou em sua sala, num jornal baiano. Apontado como autor das bem-traçadas, sentiu o ar ficar quente.

Aos interessados em captar detalhes de processos criativos: Cau faz valer a crença de que a imaginação de pintores e escritores está unida ao desconforto físico. Mirando o papel ou a tela do computador, ele enrola os cabelos, flerta com o teto, olha desconfiado para o próprio esboço, repensa milimetricamente seu traço. Volta a trançar os cabelos e, num daqueles momentos em que a inspiração parece vir do Diabo (a quem não venderia a alma), desce-lhe a forma, a concepção final.

- Numa época, eu tinha mais claro o que me levou ao cartum. Hoje, isso é mais difuso. Meu trabalho me deixou ligado ao jornalismo impresso, mas acho que o desenhista não tem que ficar preso numa mídia só. Tem que circular em várias mídias. Já fiz muros em bares, aproveito qualquer superfície. E temos que recorrer à tinta, ao scanner…

Seus 20 anos de carreira podem ser experimentados na edição 61 da revista Gráfica (www.revistagrafica.com.br), desde fevereiro nas bancas. A Gráfica reúne destaques brasileiros e estrangeiros em design, fotografia, ilustração e artes gráficas. Vencedor de prêmios internacionais (Espanha, Cuba, Itália, Portugal, Grécia…), Cau Gomez mereceu um Portfólio. “Sair nessa revista é um belo sonho”, diz. A publicação destaca ainda Alfredo Sábat, Saul Steinberg e Oscar Reinstein.

Em seu colete, Cau tem vários sensores para evitar a estagnação. Explica:

- Estou experimentando a tinta a óleo. Quando me sinto preso a uma só técnica, isso gera chateação, porque acho que estou estagnado num tipo de linguagem. O ruído que você consegue com esses diversos materiais, esse ruído gráfico, é válido.

O que ele chama de ruído pode ser entendido ainda como a opção pela técnica híbrida. Assim constrói suas charges; acrescenta uns toques e retoques que conferem ao desenho editorial os elementos do cartum. Habilidade aprendida em algum ponto entre o mar e a montanha.

 

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1 Comment on “É HOJE”

  1. #1
    on Apr 24th, 2008 at 4:35 pm

    < ![CDATA[fiquei curioso em saber se "Painho" deu bronca nele pela caricatura...]]>

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