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Um silêncio indecente

No dia 2 maio de 2003, o tratorista Amilton dos Santos  silenciou, chorou, foi ameaçado de prisão, mas não demoliu uma humilde casa no bairro da Palestina. Mesmo acuado pelo oficial de Justiça Carlos Cerqueira e pela ordem de reintegração de posse assinada pelo juiz Cláudio Oliveira, ele não recuou. Foi aporrinhado por 12 minutos de fama, porém voltou a usufruir o sossego do anonimato.

Quase cinco anos depois, no dia 27 de fevereiro de 2008, o prefeito João Henrique, que tanto gosta de chorar, apenas silenciou. E, mesmo sem ser ameaçado, ao menos publicamente, compactuou com a demolição do terreiro Oyá Onipó Neto, ordenada pela nova dona da cidade, Kátia Carmelo. Ao permitir tão macabro ato, talvez o alcaide de Soterópolis não seja agraciado com o conforto do esquecimento. Não é possível que a história absolva tão indecente silêncio.

E olha que ele poderia dizer qualquer coisa. Invocar, por exemplo, forças ocultas e superiores. Ou, então, consultar o google e largar algo deste tipo: “A culpa é do nome Kátia, que é uma variação de Catarina e indica uma pessoa que gosta de obter conhecimentos e de usá-los para convencer os outros a agir como ela deseja. As kátias querem desmoralizar ainda mais a Bahia –se é que isto é possível. Primeiro foi aquela delegada-secretária dos grampos telefônicos. Agora, esta outra”. Mas João preferiu apenas o silêncio.

O mesmo e obsequioso silêncio que ele deverá sacar do coldre se a tal Kátia Carmelo, que continua na Prefeitura, decidir demolir novos terreiros sob a acusação de “construções ilegais”. E não vai ser difícil. Afinal, de acordo com o Projeto de Mapeamento dos Terreiros de Salvador, realizado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao), sob a coordenação do antropólogo Jocélio Teles, dos 1159 terreiros que estão em funcionamento, apenas 456 têm escritura registrada.

Oremos. Em voz alta.

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13 Comentários on “Um silêncio indecente”

  1. #1
    on Mar 4th, 2008 at 11:05 am

    < ![CDATA[Não sei nem o que comentar, diante de um fato tão imbecil como este adotado pelo "prefeito" (lá deles, pois não votei nessa merda).

    Sem comentários mesmo.]]>

    [Reply]

  2. #2
    on Mar 4th, 2008 at 1:59 pm

    < ![CDATA[Caetano, flatulência, João Henrique... Franci, estou sentindo que é falta de assunto. Então, toma ai http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL138728-6091,00-PRICASSO+FAZ+ARTE+COM+SEU+PENIS.html
    Isso é PINTURA.
    Bjs.]]>

    [Reply]

  3. #3
    on Mar 4th, 2008 at 2:44 pm

    < ![CDATA[Para quem peida não há condenação. E para quem faz merdas como esta?]]>

    [Reply]

  4. #4
    on Mar 4th, 2008 at 2:46 pm

    < ![CDATA[Li a matéria sobre o tal Pricasso. Os quadros são bons pra caralho! KKKKKKKKKKKKKKK]]>

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  5. #5
    on Mar 4th, 2008 at 8:49 pm

    < ![CDATA[Um pincel não faria uma boca tão perfeita como a da modelo.]]>

    [Reply]

  6. #6
    on Mar 4th, 2008 at 8:50 pm

    < ![CDATA[Franciel, voce frequenta que terreiro? Voce dá erê?]]>

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  7. #7
    on Mar 5th, 2008 at 10:58 am

    < ![CDATA[Será que o silêncio do João não é por conta dele ser evangelicuzinho?
    Franci, você tá trabalhando demais. Vai virar um erê-mita?]]>

    [Reply]

  8. #8
    on Mar 5th, 2008 at 11:15 am

    < ![CDATA[Olhaí, Françuel
    eu não disse que depois do PUM só poderia vir MERDA? O João Henrique vai ficar na história como O HOMEM QUE DESTRUIU SALVADOR. Já começou desdizendo tudo que ele pregava quando vereador. Ninguém deveria pagar estacionamento etc. etc. Agora, se vc vai à praia, pode preparar uns trocados para o a campanha dele. Depois, a liberação do gabarito da orla vai nos transformar numa maldita Copacabana ou Boa Viagem, como direito a sombra na praia a partir das 15 horas, sem falar na "barreiração" do vento para quem mora por trás dos pretensos espigões.
    Agora, vai acabar com a cultura religiosa afrobaiana, mandando nossos orixás para o espaço (não o deles, mas o do prefeito).
    Entretanto, eu não acredito na solidão do ato da proprietária de Soterópolis, Dona Katia Carmelo. Acho que o dedão do prefeito está por trás, até pelo fato de ser evangélico e a gente sabe o que eles acham do candomblé (vide manifestações diversas na TV e por aí). Acredito mais é que tirou o dele da seringa (ano eleitoral) e deixou o da Carmelo na fogueira, que nem Joana D'Arc.
    Espero, sinceramente, que o João Henrique nem chegue a ser candidato, pois como o próprio pai, João Durval, disse " ele é um moleque".
    Atotô, meu pai.]]>

    [Reply]

  9. #9
    on Mar 5th, 2008 at 11:48 am

    < ![CDATA[olha, esse negócio de demolir terreiro, sei não. vai que um exu despejado resolve se vingar....]]>

    [Reply]

  10. #10
    on Mar 5th, 2008 at 11:48 am

    < ![CDATA[ha! muito louca aquela notícia que vc me passou. agora tá explicado o que era a SARÇA ARDENTE...]]>

    [Reply]

  11. #11
    on Mar 5th, 2008 at 12:12 pm

    < ![CDATA[Franci, temos que dar alguma providência com os jogadores Sérgio Bitencourt e Igor Bitencourt: os irmãos, propositadamente, vão para área durante o escanteio só pra peidar e espantar a galera para que possam fazer o gol. Tá phoda!!!

    Moreré, a culpa é da Justiça, vide texto anterior. ]]>

    [Reply]

  12. #12
    on Mar 5th, 2008 at 7:42 pm

    < ![CDATA[E eu, que sou Kátia, juro que não quero convencer ninguém a fazer nada que não queira. Juro!

    E eu juro que pensei em expor a exceção, mas ela estava tão clara que achei que nem deveria. Juro!]]>

    [Reply]

  13. #13
    on Mar 5th, 2008 at 10:02 pm

    < ![CDATA[Mr. Ingresia,
    Emprestei parte do seu texto e cedi a segunda parte para seu link. Juntei com a foto de Vivas sobre o tema e assim resolvi com qualidade minha necessidade de post para o dia de hoje.
    Se o Ingresia resolver elogiar a obra musical e falar bem do meu urbanista preferido - aquele rapaz santamarense que você não ousa dizer o nome - eu aplicarei novamente o gillette press ou copy-past como dizem os bem mais novos de hoje.
    grato.

    Mas, Marcus, a obra musical do referido nem precisa de meu desmoralizado aval. Independentemente das bobagens que atualmente faz e, principalmente, diz, o filho de Dona Claudionor foi um dos responsáveis pela revolução na música popular na década de 60. ]]>

    [Reply]

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