E foi então que, do alto da kombi, o presidente do Afoxé Filhos de Gandhy, Agnaldo Silva, afirmou que…Minto. Não foi exatamente o líder da tradicional entidade carnavalesca quem falou as frases antológicas que reproduzo abaixo, porém, como não sei o nome de quem comandava a chibança na hora, fica como se fosse ele mesmo.
Ouçam.
“Que beleza, pessoal! Estamos passando aqui no Colégio da Polícia Militar, que, se não me falha a memória, completou ou está completando 185 anos. E vou dizer uma coisa, meu povo: Não é qualquer escola que chega neste ponto, não. 185 anos é uma vida”.
Uma vida? Vôte!
Corta para o cortejo, motô.
Robusto como só os (novos) ricos sabem ser, lá vem o jornalista e empresário angolano Raimundo Lima acompanhando uma comitiva de (quase) autoridades daquele próspero país. Antes que este cansado locutor esboce qualquer reação, ele me apresenta a Vírgílio Coelho, vice-ministro da Cultura em Angola, com uma das maiores culhudas jamais ditas em toda a Cidade Baixa: “Virgílio, este aqui é Franciel, pessoa muito ligada à cultura aqui no Brasil”.
Hã? Como assim? Posso ter inúmeros defeitos, não nego. Mas, “ligado à cultura” é uma acusação que não procede. Como diria meu amigo Tonho das Pombas, “isto é que é viagem; o resto é lombra”.
Desembaço as fatigadas retinas e levo o bonde para o início da Colina Sagrada.
Antes, um parágrafo.
(Meu amigo Emílio é baiano há mais de 60 anos - mas não pratica. É tão extrovertido que, quando o visitamos, não se digna ao menos a uma mínima recepção. Trancado no quarto está, trancado fica. E tome-lhe leituras e músicas eruditas)
Pois bem. Desembaço novamente as traiçoeiras retinas e vejo o menino Emílio reclamando na subida da ladeira: “Que palhaçada é esta? Tudo aqui fechado. Só quem pode subir é o governador e o chefe dele, Carlinhos Brown, é?”. Tento retrucar. “Mas, Emílio, antes do meio-dia é sempre assim”. Iracilda, a quem ele enrola sem casar há mais de 40 anos, arremata. “Deixe, moço, ele ter vindo aqui já foi prova de amor demais. Tá tudo certo”.
Tudo certo e igual a dantes.
Os coitados dos servidores comissionados, por exemplo, para garantir o minguado contracheque, são novamente obrigados a vestir a camisa governamental em todo o percurso. “Ah, mas não mudou o governo?“, perguntará algum incauto.
Mudou?
Aliás, a única mudança considerável ocorreu em frente à Igreja do Bonfim. Pela primeira vez em séculos, todos passaram sem ser molestados por trombadinhas. Parece que estes tradicionais amigos do alheio ficaram com medo da concorrência dos políticos. Ano eleitoral é taca.
Bom. Diversos outros e importantes acontecimentos marcaram a festa, mas o telefone tá caro, já falei demais, agora vou desligar, obrigado pela atenção.
Nos próximos dias, todo o Conselho Editorial desta intimorata emissora estará na Chapada Diamantina para um período de profundas reflexões
Comportem-se, crianças. Ou, se puderem, divirtam-se.






on Jan 18th, 2008 at 10:41 pm
< ![CDATA[Seo Françuel, o que foi aquilo que ocorreu em solo conquistense? Como batizar fenômeno de tal envergadura? Pois até um menino estadunidense que havia até feito um website (www.soccersucks.net) desancando o ludopédio, esporte que, para ele, só é apreciado por lésbicas, crianças, hooligans e nazistas, arrependeu-se de seus pecados e jurou de pé juntos que vem ao Bonfim em 2009 agradecer aos céus e à Record Internacional por lhe proporcionarem 90 minutos de gozo e deleite com o esquadrão alviverde. Desde o lançamento do videoclipe de Thriller que o rapaz não ficava tão assombrado com um espetáculo televisivo.]]>
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on Jan 21st, 2008 at 8:23 pm
< ![CDATA[E' que voce nao percebeu a grande gozacao que aquele saite e', que pena.]]>
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on Jan 25th, 2008 at 7:32 pm
< ![CDATA[fui obrigado a ver carlitomarrron no mercadoouro; coisas de prima-argentina-morrendo-de-saudade-da-bainidade-nagô; de cara, sem dinheiro para cerveja, tudo era ainda pior do que poderia ser; mas gilson e esposa me salvaram: foi cerveja, foi carona, foi demais. De público, agradeço.]]>
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