Nem a lua, nem o conhaque. O que realmente me deixou comovido como o diabo foi saber que chegou ao fim um constrangedor, indecente e inexplicável silêncio. Felizmente, os bons instrumentistas da Bahia resolveram dialogar com os tambores da religiosidade de matriz africana.
É vero que esta revolução na música baiana já acontece desde março de 2006, porém, não fiz fé. Pensei se tratar apenas de mais uma tentativa da interminável série de macumbas pra turista ou, na melhor das hipóteses, de mais uma sessão de lombra music tamborístico-jazzistica.
Ledo e ivo engano.
Na noite deste domingo, na Concha Acústica, finalmente me rendi à Orkestra Rumpilezz, este é o nome do milagre, que une o vigor percussivo dos batuques dos terreiros com um naipe de sopros da mais alta qualidade.
Creiam, hereges, eles fazem um trabalho que livra a Bahia do vexame a que fomos submetidos desde que nossas mais caras heranças musicais foram seqüestradas por um bando de seres rebolantemente macabros. E provam ainda que música ruim não é nossa sina, ao contrário do que já estávamos nos acostumando.
E temos a certeza de algo diferente logo no início da apresentação. O show começa na espinha mole, com os percussionistas dando o tom. Aliás, além da deferência de serem os primeiros a ocupar o palco, o respeito à força dos atabaques, timbaus, surdos e pandeiros se dá também no campo simbólico da indumentária. Os cinco rapazes, mais alinhados do que meio-fio, tocam de smoking branco. (Talvez os mais afoitos digam que isto é besteira. Não acho. Entendo que é uma forma de elevar a percussão, que sempre foi tratada com desleixo). Porém, o couro come mesmo quando os 15 músicos de sopro se juntam aos percussionistas. Acontece, então, uma explosão sonora que nos deixa felizes e orgulhosos. E, depois de tantas vergonhas, nada melhor do que bons motivos para nos orgulharmos e ficarmos contentes com as coisas desta besta e bela província.
Mas, não prosseguirei com esta prosa ruim de pseudo-crítico musical ufanista. Não tenho esta vocação. Faço apenas este último parágrafo para registrar um episódio ocorrido em dezembro de 2003. Na ocasião, assisti pela primeira vez a uma exibição da Spok Frevo Orquestra de Recife, que dialogava com o frevo com respeito, mas sem aquele ranço saudosista. Foi uma experiência de lavar e enxaguar a alma. Ao término, porém, senti apenas vergonha. Vergonha de ser baiano e não termos a capacidade de unir tradição e modernidade de forma sensível e original.
Porém, com a Rumpilezz acabou a inveja. Estou vingado dos pernambucanos.
Agora, chega de lero e som na caixa maestro






on Oct 30th, 2007 at 1:37 pm
Digo nada, na verdade; só leio, lamentando não ter ouvido e visto tb.
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on Oct 30th, 2007 at 2:02 pm
Aberto ao diálogo com o chicote na mão. Brinco, santo Franciel, pois a recomendação para a sua beatificação já está pronta. A sua alma é pia, alegre, benfazeja, os grilos são falantes. Estar em ‘ingresia’ é estar entre os cultos, os inteligentes, os bons pensadores. Eu, à guisa de exemplo, sempre estou ‘em ingresia’. Louvo tudo menos a molequeira. E estou sempre a lembrar daquele plano de um homem a cair na piscina antes que Cae viesse a cantar aquela canção em ‘Hable con ela’.
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on Oct 30th, 2007 at 2:57 pm
Não recebeu nenhuma sinecura? Não fique triste. Passe na barraca de churros que eu tenho um negócio para você.
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on Oct 30th, 2007 at 3:25 pm
Franci,
Não tinha identificado o porquê do seu espanto, até que li a última frase… “(…) que botô pra vê tauba lascá ni banda”. Logo vi que pra música ser tão boa assim tinha que ter o dedo do grande Beto Bahia, o cantor xêta, nesta parada…
Agora, minha preocupação mesmo é outra… Queria saber se vc aceitou o convite de Kiko Nascimento para discutir foco e outras questões óticas sobre Salvador? Topou o convite? Ingresia vai virar Ong? Me avise logo…
Sêo Françuel Responde: Janjão, o referido e honroso convite está sob o rigoroso crivo do glorioso Conselho Editorial do Ingresia.
Agora, acho que esta Rumpilezz deveria ser liderada por nosso amigo Beto Bahia. Aí, como diria meu outro amigo Badinga, seria “um som de arrombar mei mundo”.
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on Oct 30th, 2007 at 4:48 pm
Letieres Leite, tbem responsavel pelo ‘arranjo’ de metade dos grupos de Axe’. Pois é meu caro Franciel, voce como crítico musical é excelente cozinheiro.
Sêo Françuel Pergunta : E daí?
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on Oct 30th, 2007 at 6:26 pm
Franciel, meu bom, por acaso eu estava em Recife quando Gal e Bethânia cantaram acompanhadas pela orquestra de Spock no último carnaval. Como o pessoal diz por lá, “pense numa coisa joiada!”. Vi uns pedaços da Rumpilezz no you tube e a sua levada parece ser bem interessante, às vezes até lembrando coisas do velho Moacir Santos. Tomara que dure.
Se eu fosse vc não ligava pra Janjão, não. Acho que ele tá é com uma pontinha de inveja por não poder taí pra também participar desse negócio do foco e das óticas. Faça o que seu coração mandar.
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on Oct 30th, 2007 at 8:11 pm
Letieres Leite e sua orquestra fazendo um maravilhoso trabalho autoral. Rumpilezz é belez pura.
Sêo Françuel Responde: Ô Martha, quanto tempo! Seja bem-vinda.
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on Oct 30th, 2007 at 8:46 pm
continuo querendo meu troco. E fui eu que falei da orquestra que se apresentou no XIV Festival de Música Instrumental da Bahia e que vc achou que era “uma tentativa da interminável série de macumbas pra turista ou, na melhor das hipóteses, de mais uma sessão de lombra music tamborístico-jazzistica”. E o dono da orquestra toca com Ivete, mas Ivete é minha fã. Eles tem my space Franci, olha lá.
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on Oct 30th, 2007 at 11:00 pm
Francis,
O ingresia tb é cultura. Voto em vc pra editor de cultura de centenário vesper…………
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on Oct 31st, 2007 at 8:42 am
Até parece que 99,99% dos músicos de axé tocam axé porque gostam. Eles tocam axé porque o mercado de trabalho para músicos profissionais na Bahia é o axé. Nas horas vagas, aí sim, eles fazem o que gostam, daí a maioria ter sua bandinha de jazz, mpb, bossa ou sei lá o quê. E a Orkestra Rumpilezz é um trabalho que merece aplausos, sim, independente de Letieres Leite ser arranjador de Ivete Sangalo, porque é um trabalho ousado, inteligente e que respeita tanto a tradição das big bands de sopro, quanto os tambores do candomblé, numa harmonização rara de se ouvir. Quem quiser tirar a prova dos nove é só ouvir aqui tb:
http://www.myspace.com/letieresleiteamporkestrarumpilezz>
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on Oct 31st, 2007 at 9:57 am
Chicão do Rockloco retransmitiu e eu estou aumentando a corrente. Os supostos 100 melhores discos da Música Brasileira podem voar para o vosso pc aqui: http://omedi.net/?p=371. Todo mundo vai reclamar, a injustiça já foi feita, mas dá pra conhecer guardar e descartar um monte de coisa. E ainda chegar sabido na festa do vinil de Franciel.
Sêo Françuel Responde: Festa? Onde? Tô colado. (Como diria meu amigo Dijasena: “Bota logo na rádia, Sora”).]
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on Oct 31st, 2007 at 11:44 am
Rapaz…
A banda lembra a TIMBALADA de Brown…. Vá de retro, satanás!!!!
Com isso vemos que é possível ainda se fazer coisas boas na Bahia, muito mais do que os meros “Io, IO… Ae, ae…” e por aí vai.
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on Oct 31st, 2007 at 6:41 pm
‘Tem sua bandinha de Jazz…’ Cara, o festival de musica instrumental é um revezamento de bandinhas todas com os mesmos integrantes, figuras manjadas da ‘cena jazz’ baiana. Esse ‘trabaio’ de Leitieres nao tem nada de novo e fede a mofo instrumental. Respeito e’ pau-nas-coxa!
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on Oct 31st, 2007 at 8:25 pm
sabe de uma coisa, franciel?
não vi nem ouvi a rumpilezz e não gostei. é axé de zelite
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on Nov 1st, 2007 at 1:05 am
Peço licença ao ilustríssimo amigo Franciel para me reportar ao não menos digno Véio da Roça…
Por primeiro, queria dizer que respeito todos os véios e mais ainda as roças.
Por derradeiro, queria dizer que sou contra toda a tentativa de “solucionática” (royalties pra Dadá, o Beija-Flor).
Ingrisia boa é a que vem pra atravancar… Resolver é coisa pros entendidos… Nada contra estes também, faz cada um o que quer, que há de ser tudo da lei.
Míope das idéias, fico à vontade sem foco algum… Aliás, tenho especial apetência pelo caos e grande inclinação ao descalabro… Dia de pinto no lixo pra mim é quando o fogo detona a lona do circo!
Longa vida à ingresia!
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on Nov 4th, 2007 at 12:46 am
Letieres acha que entendo de música e tentou me explicar a novidade com termos que são grego para mim. Pelo que quase entendi, a tentativa é fundir mesmo, misturar as tais sonoridades de verdade. Ela suspeita que esteja quase chegando lá. Eu suspeito que um dia vou entender. Nunca ouvi a Rumpilezz mas o Ingresia me fez chegar ao http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=109778728 . Gostei do que ouvi, especialmente “Anunciação”.
Marcus, com a autoridade de quem entende quase nada de música e de outras mumunhas, eu garanto: é bom pra caralho. Anunciação, que é em homenagem a um velho percussionista, é bacana, mas, de todas, eu prefiro Taboão, que, infelizmente, não está disponível no site.
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on Nov 6th, 2007 at 9:30 am
Pois bem Bira Reis, que desperte a curiosidade e o sentimento de todos. Mas que o som é bom, não tenho dúvidas.
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on Nov 8th, 2007 at 8:41 am
Quem ainda não teve a oportunidade de conferir a tão comentada ORKESTRA RUMPILEZZ deve ir ao Teatro Vila Velha no dia 13/10 (próxima terça) às 20:00h .Para quem não ouviu e não gostou ou para quem ouviu e não entendeu vale a pena conferir. Franciel você está convidadíssimo e terá mais uma oportunidade de assistir a um show completo da ORKESTRA RUMPILEZZ .Bira você também pode ir, por que eu acho que você não viu a RUMPILEZZ você viu outra Orquestra.
ALÁFIA!!
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on Mar 17th, 2008 at 11:31 am
Salve Franciel !!!
Li e reli inúmeras vezes seu artigo, só agora tomei coragem de comentar…rs
conclusão:
Vou imprimir,ampliar e colocar na parede do nosso estúdio ! ( a casa Rumpilezz).
Magnifico. Vc parece que estava escutando meus pensamentos quando idealizei este projeto; desde os comentários a respeito da valorização do nosso universo percurssivo baiano (ainda que tardia), até sua percepção sobre a indumentária. fiquei dando risada a toa, rs
Aguardo sua presença em nossos concertos. (os próximos serão no Pelourinho, Praça Tereza Batista as 20h, dias 18 e 25 de março)
um forte axé,
Letieres
Meu velho, fico feliz que tenha gostado. Lamento apenas que o som da Rumpilezz (ainda) não tenha se transformado em trilha sonora da Bahia. Se existesse um mínimo de vergonha nesta província, a música de vocês deveria ser executada nas rádios diariamente.
Mas, tenho fé que esta trama de tambores e sopros ainda vai dominar o mundo.
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on Mar 19th, 2008 at 4:50 pm
rumpilezz eh a melhor coisa rolando na noite soteropolitana hj. sensacional!
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on Jul 8th, 2008 at 10:09 am
REALMENTE NOSSA BAHIA TEM MUITA MAGIA…A MUSICA DA RUMPILEZZ JA FAZ PARTE DESSA MAGIA!!!!!
ESPERO QUE OS QUE CRITICAM, TALVEZ POR NAO TEREM ESCUTADO A ORKESTRA, CONSIGAM ABRIR SEUS CORACOES E OUVIDOS!!!!
NUNCA SE OUVIU ESSE CONCEITO TRADICAO\MODERNIDADE COM TANTA CONSISTENCIA , PROFUNDIDADE E PRINCIPALMENTE BAIANIDADE!!!!!
ALAFIA PARA TODOS
GUIGA SCOTT
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