Em julho de 2006, assim falou Sêo Françuel: “Que porra é esta de revitalização da Orla Marítima de Salvador? Anotem aí: Ou farão uma reforma malamanhada, intrafemural (ou seja, nas coxas), ou transformarão aquilo em um paraíso da especulação imobiliária. E o peão, uma vez mais, receberá no velho às de loscopita”.
Obrigado pelos fartos aplausos, mas não carece tanto. É muito fácil ser um bom profeta na Bahia: basta apostar no absurdo. A possibilidade de erro é remota.
E já que estamos na beira-mar, reproduzo um libelo escrito em agosto do ano passado. Recebam.
VAMOS VIVER DE BRISA
Quarta-feira, Agosto 16th, 2006
Se, como sentenciava o bardo William Burroughs, a linguagem é um vírus, o discurso do alcaide de Soterópolis João Henrique está com infecção generalizada.
E a doença não é uma metáfora.
Ouçam, em negrito, o que ele disse sobre a entrega da Orla Marítima à especulação imobiliária, travestida de liberação do gabarito. Às aspas: “Agora é preciso ter coragem, uma tomada de decisão para algo que devia ter sido feito há 20 anos e para fazer com que as pessoas parem de se indagar por que Salvador é a única cidade do Nordeste que não acordou para o potencial de riqueza de sua Orla”.
Estas 49 palavras do prefeito são muito menos inofensivas do que aparentam. Há, aí, tantas falácias quanto nas propagandas da Bahiatursa para enganar turistas, otários e afins.
Que história é esta, prefeito, de que “é preciso coragem” para se render aos barões da construção civil? Esta ladainha de valente a favor, que durante milênios foi usada por ACM, não cola mais.
É preciso coragem, João, para outras coisas. É preciso coragem para lutar contra os que, nesta bela, besta e maltratada Cidade da Bahia, resistem em abrir mão de seus seculares privilégios. É preciso coragem, João…Aliás, não. Chega de dicas. O senhor sabe muito bem para que é preciso ter coragem.
E outra. Onde é que está escrito que a Orla de Salvador tem que ser igual à das outras capitais na, como é mesmo?, exploração do “potencial de riqueza” ? Nécaras. O inverso é o certo. A cidade tem é que preservar o que ela ainda tem de singular. Nada de sombreamento nas praias e outros confortos do progresso. Por que temos que macaquear as miamis da vida?
Aqui mesmo, em Amaralina, em que pesem os canhões na paisagem, é direito inalienável continuar usufruindo desta brisa que nos beija e balança amorosamente. Sim, prefeito, amorosamente. A questão, para além dos argumentos técnicos, é de preservação também do patrimônio afetivo.
Até o outro João, o valentão da canção de Caymmi, que a todos intimidava, sabia que não era preciso dormir pra sonhar “porque não há sonho mais lindo do que sua terra”.
E nesta batalha contra a invasão da Orla não pode faltar o afeto. Só o amor pela cidade poderá barrar esta investida nefasta. E um governo que se pretende democrático e popular tem o dever de interferir a favor do afeto - e não do poder econômico.
A propósito, lembrei-me de outro crime contra os baianos e um de seus maiores patrimônios, o Carnaval, que começou a ser perpetrado em nome da tal modernização.
No início dos anos 90, Lídice da Mata, a quem quero muito bem, era a prefeita de Soterópolis quando caiu no conto do vigário da profissionalização da folia. Na ocasião, até o trajeto da gloriosa Mudança do Garcia eles, os modernizadores, com o aval dela, quiseram alterar, impedindo que a fuzarca desfilasse na passarela do Campo Grande.
O resultado é que hoje, espremidos mais ainda entre cordas e camarotes, estamos em busca do tempo perdido.
Desta vez, porém, assim como a menina Dolores Ibarruri fez no histórico 19 de julho de 1936, bradaremos: Na Orla de Salvador, no Pasarán.






on Oct 17th, 2007 at 10:52 am
< ![CDATA[Meu caro Franciel,
Parabéns por este bálsamo que é o Ingresia. Quando você não 'posta' (que língua a nossa!) fico amuado, perco meu dia, vou beber, chego bêbado em casa, arrebetando tudo, a bater em Deus e o mundo. Quando você 'posta' (que língua a nossa), abro a janela de meu quarto e vejo passarinhos a cantar me anunciando um dia radioso. Não resta dúvida: o Ingresia, é, definitivamente, a minha terapêutica.]]>
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on Oct 17th, 2007 at 11:53 am
< ![CDATA[O elemento insiste nesta reclamação somente porque deixará de ser comercializado o cigarrinho do demônio nas bancas de côco do Largo de Amaralina.]]>
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on Oct 17th, 2007 at 1:22 pm
< ![CDATA[Rapaz!!! Setaro andou bebendo algo errado (ou certo sei lá!!!).
Só sei dizer que o "post" (que língua a nossa!) está o ó.
Qunato a "Orla de Salvador"... Sêo Françuel, o Sr. tem visão do futuro. Sabe prever as coisas!!! ... Dá pra me dizer aí qual são os números da Megasena de hoje, pois assim vou poder me picar desse lugarejo.
Sêo Françuel faz outra previsão: Uma pessoa que fala “está o ó” mesmo que receba uma surra de cansanção com urtiga na Estrada Velha do Aeroporto não toma jeito de homem.]]>
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on Oct 17th, 2007 at 2:07 pm
< ![CDATA[A orla é uma merda assim como está. Este negócio de brisa é pra fresco. Aqui venta para cara...
Depois, todos sãos preferem o ar-condiciado.
Por mim sobem os prédios, principalmente entre o Jardim de Alá e o Corsário.
Essa conversa de barraca de praia é papo de bebum.
Por que ninguém reclama da poluição do mar?
A gelosa tem que ser num lugar porreta mas o banho pode ser na bosta.
Sêo Françuel Responde: Tem uns que gostam dos olhos; outros preferem a remela. Como diria o filósofo Bell do chicrete: Fazer o que, cidadão?]]>
[Reply]
on Oct 17th, 2007 at 2:17 pm
< ![CDATA[Dá-lhe, Franciel!
Eu acho que se deve fazer uma intervenção na Orla, mas para torná-la um lugar ainda mais aprazível, dia e noite. E Salvador tem mais é que apostar na diferença, mesmo. Não precisa copiar tudo de outras cidades. Já pensou que massa seria o Corredor da Vitória sem prédios no lado do mar? Tem que valorizar a orla, sim. O problema é que com esses administradores que temos, é melhor deixar tudo na base da água do mar, areia e calçadão. O risco de que aconteçam novos aeroclubes é menor. Sombra na praia, nem pensar!]]>
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on Oct 17th, 2007 at 5:09 pm
< ![CDATA[Boa merda a nossa orla. Vamo construir gente! Vamos fuder com a Pituba, porque a proxima sera' mais adiante em Itapoa, depois vamos erguer espigoes em Stela Maris, e entao mais adiante. Viva a falta de planejamento em que estamos imersos. Mogadicio seja aqui!]]>
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on Oct 17th, 2007 at 7:26 pm
< ![CDATA[Esqueça este negócio de orla de Amaralina, meu bom.
A ilha de Itaparica está logo ali com as maravilhosas praias de Berlinque, Barra do Gil, Amoreiras e Manguinhos, entre outras de águas mansas e tépidas.]]>
[Reply]
on Oct 18th, 2007 at 1:32 am
< ![CDATA[oi "Seu Françuel", como moradora de Amaralina, acho um descalabro o que estão fazendo com os barraqueiros, há 2 verões sem barracas decentes, aqueles elefantes brancos acumulando mosquitos da dengue, além de ratos e sabe-se lá o que mais. Apoio totalmente seu desabafo e me solidarizo como sua vizinha e vítima do desmando.]]>
[Reply]
on Oct 18th, 2007 at 9:28 am
< ![CDATA["...Ô crianças! Mas isso é só o fim, isso é só o fim..." (M.Nova)
Tome pelo meio da caixa toráxica.]]>
[Reply]
on Oct 18th, 2007 at 4:51 pm
< ![CDATA[O Ingresia parafraseando a si mesmo, limitando-se ao recurso da auto-referência. É o cachorro tentando morder o próprio rabo? Mesmo com a preguiça do dono, o blog continua muito bom.]]>
[Reply]
on Oct 18th, 2007 at 7:44 pm
< ![CDATA[Vamos viver de brisa Anarina
Vamos viver no Nordeste
Deixarei aqui, meus amigos, meus livros
Minhas riquezas, minha vergonha
Deixarás aqui, tua filha, tua avó, teu marido
Teu amante
Aqui faz muito calor
No Nordeste faz calor também
Mas lá tem brisa
Vamos viver de brisa Anarina
Vamos viver de brisa.]]>
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on Oct 19th, 2007 at 1:38 pm
< ![CDATA[Franciel, esse negócio de ir pra praia não dá mais barato, não, man. A gente pode acabar se queimando todo...
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=798947>
[Reply]
on Oct 19th, 2007 at 1:42 pm
< ![CDATA[O engraçado é que quando eu vi a cena do microondas à Tim Lopes em Tropa de Elite, ainda pensei comigo: "tão dando idéia pra malandro"... Não deu outra. Agora salve-se quem puder, pois a era medieval é aqui e agora.
Sêo Françuel Responde: Não há erro. É só apostar no absurdo.]]>
[Reply]
on Oct 19th, 2007 at 1:48 pm
< ![CDATA[Prefiro um Ubaldo sóbrio a uma amaranta bêbada.]]>
[Reply]
on Oct 19th, 2007 at 3:18 pm
< ![CDATA[Rapaz, se tem uma coisa bonita em Salvador é a orla, justamente por não ter sido feito nela o que se fez, por exemplo, no Recife. Dá um tom ingênuo e doce à cidade. E, olhe, muito boa a sua argumentação sobre o patrimônio afetivo, sr. Frankandwell.]]>
[Reply]
on Oct 19th, 2007 at 4:25 pm
< ![CDATA[Rapaz, pessoalmente, sou totalmente contra a própria existência de barracas na orla. Na década de 70, quando eu era guri, eu morava ali em Jaguaribe, e aquilo era um paraíso. Não tinha banana de barraca nenhuma tocando pagode, sujando a praia e assediando os banhistas. Era a areia, o mar e o sol. Pronto, acabou. Tinha no máximo uma baiana de acarajé aqui defronte o Sesc e outra lá na 3ª ponte. E olhe lá. A praia era linda, limpa e sossegada. Claro que craudeava no fim de semana e tal, mas quem quisesse beber que trouxesse seu isopor e fizesse sua farofa. Era estender a toalha na areia, abrir a cadeira, a sombrinha e curtir. Fim. Depois que inventaram de superlotar as praias da cidade com essas barracas feias e insuportáveis eu simplesmente perdi o gosto de ir à essas praias daqui. Pra quê? Beber cerveja quente e cara? Pegar uma diarréia com as lambretas imundas que eles vendem? Contrair pano branco nas cadeiras oleosas e nojentas que eles colocam na areia? Não, obrigado. Fora que esse papo de gerar emprego pra população é balela. Os donos das barracas são gringos que pagam uma miséria e exploram os empregados - que aliás, não têm preparo para atuarem como garçons. Enfim: DERRUBEM ESSAS DESGRAÇAS E DEVOLVAM AS PRAIAS AO POVO, SEUS FDPs!
(Desculpa aí o desabafo, França.)
Sêo Françuel Incentiva: Dá-lhe, Chicoviski. Pode descer a ripa.]]>
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on Oct 19th, 2007 at 6:42 pm
< ![CDATA[a orla só vai ficar decente qdo construirem prédios de 15 andares em toda sua extensão.]]>
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on Oct 19th, 2007 at 11:20 pm
< ![CDATA[Revitalização das barracas ou da orla? Será que querem uma revitalização ou ambientes propostos a construção de grandes empreendimentos, já que a orla oferece algo bom ao capital espe-cú-lativo? Alphaville é sinônimo de natureza! Qual será a ong ambientalista que receberá incentivos financeiros para sobreviver lutando contra as empresas concorrentes das grandes empresas empreendedoras?
Nessa terra de gigantes...]]>
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on Oct 20th, 2007 at 10:41 am
< ![CDATA[¿qué está sucediendo, canijah?
cabeza del hielo, cabrón!]]>
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on Oct 20th, 2007 at 11:48 am
< ![CDATA[Quando se coloca o alemão nos pineu é para carbonizar o corpo, para o difunto virar cinza e não haver nem vestigios do crime. Se o ocorpo foi encontrado, é por que o trabalho foi mal feito. Esse amarodres..sei não...]]>
[Reply]