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Escândalo no Futebol Baiano

Meu amigo Cláudio Leal fez o que qualquer pessoa com 12,4% de vergonha na cara deve fazer: pé na bunda da Bahia. É mister informar, porém, que ele não deu um adeus às armas, apenas abandonou esta trincheira lambuzada de dendê.


E, para provar que não se calará diante das injustiças, agora mesmo resolveu sacar do coldre os pergaminhos da gloriosa história do Leão Grená, respondendo com lirismo e valentia àqueles que tentam enlamear a trajetória do brioso Leônico.

Cessem tudo e ouçam, pois outro valor mais alto se alevanta.

RESPEITEM A HISTÓRIA DO LEÔNICO

Claudio Leal * 

Como se não bastassem as tentativas de desmoralizar Lula, Chávez, a menina Madeleine e as notas fiscais agropecuárias de Renan Calheiros e do Teatro XVIII, a mídia golpista deseja agora anular o resultado do jogo Guanambi 10×0 Leônico, pela segunda divisão do Campeonato Baiano.

Fundado por imigrantes espanhóis, o Galícia estava praticamente classificado para as finais da segundinha. Dependia apenas de um encontro frugal do Guanambi, do ex-governador Nilo Boi, com o Leônico. Nas contas galegas, o guarda-redes leonino podia ir à esquina comprar a última edição do almanaque do Zé Carioca e, ainda assim, o placar não chegaria a 10×0, com a conseqüente desclassificação do brioso time do Parque Santiago.

Faltou acertar com os baianos.

Torço pelo Vitória, mas tenho ascendente em Leônico. Por isso, venho ao Ingresia  defender os guerreiros da ladeira do Paiva. Em memória do técnico João Guimarães. Em memória de Zélia Gattai, onde quer que ela esteja.

Querem desacreditar a capacidade de um time ser fragorosamente atropelado. Sessenta e sete anos de história nada valem na campanha de difamação que destrói a galeria de títulos não-conquistados pelo Leão Grená. Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre o Leleco – o que não passa de um plágio da Carta Testamento de Getúlio Vargas.

Antes de arrancar este libelo, cabe destacar um trecho comovente da reportagem do Correio da Bahia, na contramão do complô urdido pelo Jornal Nacional e outros veículos financiados pelas Farcs da Colômbia: “O técnico do Guanambi, Edson Borges, assegura que o resultado foi construído com lisura. Queixa-se inclusive da disposição do Leônico, que chegou a fazer cera na partida, dificultando a construção do placar” .

Nada mais verdadeiro.

O aviltamento do jogo ficou nítido no primeiro tempo. Em 45 minutos, por qualquer falha no esquema tático, o Leônico levou apenas quatro gols. Era algo de humilhante. Duas nuvens peregrinas ensaiavam mau humor.

No vestiário, os moleques travessos se ampararam nos ombros uns dos outros, derrotados. Sentimento minúsculo. Precisavam de mais. E voltaram a campo para sofrer uma derrota irrefreável. A galhardia da equipe reverteria o resultado até então medíocre.

No segundo tempo, o goal keeper banhou-se em óleo de fígado de bacalhau e deixou passar mais seis gols. Num dos jogos mais renhidos das últimas décadas, como comprova o depoimento do técnico Edson Borges, fechou-se o 10×0.

A história do Leão Grená é repleta de derrotas esplêndidas. Noves fora o vergonhoso título de campeão baiano de 1966, que desmerece essa trajetória de fracassos, ele pode ostentar, com pequena alteração, a frase do romancista Marques Rebelo: “O América perde sempre”.  Era o seu América um time vagabundo.

Melhor definição não há para o Moleque Travesso: o Leônico perde sempre. 

Num esforço de reportagem, encomendei a pesquisadores terceirizados os placares largos construídos pelo Leônico desde a estréia de Maria Bethânia no espetáculo Opinião. Vejamos:

Em 1965, Bahia 6×0 e CSA de Alagoas 6×0.

Em 70, Ypiranga 5×0 e Galícia 5×0.

Em 72, Botafogo 6×0.

Em 75, Vitória 8×1.

Em 76, Bahia 9×0.

Em 81, Bahia 8×1.

Notam? Em vez de destacar a quebra do recorde de 1976, quando levou nove gols do Bahia, a mídia golpista, salazarista e kzarista, optou por levantar suspeitas sobre a lisura do processo.

Esvaziar a esperança de que o Leônico caminhe rumo à derrota implausível – sofrer um gol por minuto e consagrar o supremo fracasso –, é atentar contra a dignidade de sua torcida, visivelmente reduzida por algumas vitórias esparsas.

Há times que nascem para a glória. Na antiga concentração da ladeira do Paiva, o Leão Grená compreendeu que os títulos são galardões passageiros. Ninguém deve desacreditar a capacidade do Leônico de padecer goleadas.

Leio nas gazetas, porém, que o Galícia recorreu à justiça desportiva para anular o dérbi histórico. Mas há jurisprudência que auxilie as partes contrárias. Basta ler a súmula do cronista fluminense Nelson Rodrigues, na revista Manchete Esportiva: “O escore de 9, de 10, independe de adversário e de quaisquer outros fatores circunstanciais. Ele se demonstra, ele se impõe, ele convence por si mesmo. Mesmo que não exista adversário em campo”. (O berro impresso das manchetes, pág. 95).

Restituam ao Leônico a derrota merecida.


* Claudio Leal é ex-morador da Península Itapagipana e neto de um ex-presidente do Leônico da década de 60.

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15 Comments on “Escândalo no Futebol Baiano”

  1. #1 Osório Villas-Boas
    on Sep 27th, 2007 at 2:19 pm

    Eu não tenho nada a ver com isso!


    Sêo Françuel Responde com uma risada gráfica
    : Há, Há, Há e Há]]>

    [Reply]

  2. #2
    on Sep 27th, 2007 at 7:17 pm

    < ![CDATA[Me identifiquei de imediato com a história.]]>

    [Reply]

  3. #3 Serbão
    on Sep 27th, 2007 at 9:18 pm

    França, essa dos dez a zero entrou pra história.
    tenho uma relação mal resolvida com o glorioso Campeonato Baiano. pelos idos de 1997, montei um bolão com amigos. fizemos os jogos da Esportiva, com a aposta máxima.
    acertamos DOZE jogos.
    o último, o ingrato, foi a partida Fronteira X Bahia.
    cravei Bahêa, seco.
    deu o Fronteira, um a zero; e não me recordo do nome do autor do tento que me derrubou.
    Mas foi para lá, pra fronteira, que tive que me refugiar da fúria dos meus colegas de bolão.
    até hoje, quando faço minha fezinha, cravo triplo nos jogos do ludopédio que vêm de Soterópolis e arredores.

    PS - e o que é feito do ’scratch’ do Fronteira?

    Sêo Françuel Responde: Serbon, de pebolismo (eu falei pebolismo) eu posso falar um pouco de conhecimento, pois estudo e jogo o futebol em 29 idiomas. Agora, em verdade vos digo: nunca vi falar deste time Fronteira. Confira aí nos seus alfarrábios, oquei?]]>

    [Reply]

  4. #4 Pitaco
    on Sep 28th, 2007 at 9:49 am

    O tal Serbon deve ser de fora… Acho que pela proximidade de conceito, ele deveria estar querendo dizer “Conquista”… E numa associação de idéias, usou “Fronteira”… Fronteiras a serem conquistadas…

    Deve ser Conquista 1 x 0 Bahia.

    rsrs

    [Reply]

  5. #5 Sobrenatural
    on Sep 28th, 2007 at 10:48 am

    A Tribuna da Bahia traz nova suspeitas sobre o Leônico, que não tinha dinheiro nem para beber água e chegou a Guanambi. Pede escutas da Polícia Federal! Espero que não ousem mexer com o Ypiranga! Aí vão brigar com o marido Zélia.

    [Reply]

  6. #6 Serbão
    on Sep 28th, 2007 at 11:33 am

    Rapaz, minha memória é tão confiável quanto um painel de votações do Senado… mas acho que era esse nome sim…enfim, era um time que NÃO ganharia nunca do tricolor soteropolitano. mas não tenho 100% de certeza. será que algum torcedor do Bahêa poderia ajudar aÍ?

    [Reply]

  7. #7 Gijó
    on Sep 28th, 2007 at 5:04 pm

    Times grandes, tradicionais e poderosos como o Corínthians, o Flamengo, o Real Madrid e o Leônico sempre despertam interesse na grande mídia, seja quando são achincalhados ou quando recebem prontas declarações de solidariedade por parte dessa elite que cansou. Cansou de receber saco de mijo (de pobre) na arquibancada. Ora, ficar indignado por que o Moleque Travesso tomou quatro gols em 17 minutos? O Botafogo tomou três do River, com um jogador a menos, no mesmo espaço de tempo, e nenhum jornalista achou estranho. Quero saber porque ninguém, nem a Ingresia, sai em defesa do Redenção, que nunca teve dinheiro para pagar assessoria de imprensa nem oferecer boca livre. Tenho dito.

    [Reply]

  8. #8 Serbão
    on Sep 28th, 2007 at 6:35 pm

    Olha, num sei não , mas acho que o vexame do Botafogo com o River Plate foi bem pior que a goleada sofrida pelo Leonico, guardadas as devidas proporçôes…

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  9. #9 Véio da Roça
    on Sep 28th, 2007 at 7:06 pm

    Olhe aqui, sêo Françuel, esse menino, Claudio Leal, é um danado. Depois que ele deu adeus à velha senhora, anda solto que só vendo. Soube até que ele foi visto transitando pelo Sesc Pompéia acompanhando a vanguarda paulistana (Ná Ozzeti, Zé Miguel Wisnick, Luiz Tatit, Arrigo Barnabé - e Maria da Fé -) como se estivesse numa tarde de sol na Ribeira tomando sorvete de mangaba, na companhia de Waldir Serrão. Só quero ver quando ele “back to Bahia”, de ray-ban espelhado e MP5 nos cornos (made in Santa Efigênia), como não vai ser o furdunço. A triste e dessemelhante nunca mais será a mesma.

    Sêo Françuel Responde: Janio, depois destes seus relatos sobre as peripécias de Claudio em Sumpaulo, a Península Itapagipana ficou em polvorosa.

    [Reply]

  10. #10 Rui
    on Sep 28th, 2007 at 9:58 pm

    Se fosse na Italia, muito dirigente e jogador iria para a cadeia, e o Leônico iria jogar a terceira divisão do futebol bainao com 20 pontos a menos.mas aqui pode tudo.

    [Reply]

  11. #11 Janjão de Aratuípe
    on Sep 30th, 2007 at 9:58 am

    Caro Serbão,

    Peço desculpas duas vezes. Primeiro para garantir que não existe, nem existiu nenhum time na Bahia chamado Fronteira, nem mesmo no futebol amador. Apesar de minha memória debilitada, jamais me atrapalharia com assunto de tão alta relevância.

    Em segundo lugar, é equivocada esta sua segunda frase, também não existe este time que jamais ganharia do tricolor soteropolitano. Haja visto que o Bahia tem perdido até coletivo pros times amadores de Ipitanga.

    A lição que esta fábula da loteca nos diz é a seguinte: Nunca confie no que é ordinário, ainda mais esses ordinários de três cores.

    Sêo Françuel Responde: Na mosca, Janjão. Aliás, me dá o placar?

    [Reply]

  12. #12 zé boquinha
    on Oct 1st, 2007 at 10:16 am

    O resultado desta peleja foi injusto. Depois que o goleiro do Leônico, segurança de cemitério nas horas vagas, disse ter viajado a noite toda e jogado sem café da manhã o placar deveria ter sido 17×0.

    [Reply]

  13. #13
    on Oct 1st, 2007 at 10:20 am

    < ![CDATA[A página 3 do (ex-)vespertino da praça castro alves desta segunda-feira, dia 1º de outubro da graça de nosso senhor, é impossível de ser lida.
    Volta Vitor Hugo!!!

    Sêo Françuel Responde: bem que eu lhe falei que você ainda ia sentir saudade. Receba.]]>

    [Reply]

  14. #14 Zói
    on Oct 2nd, 2007 at 3:13 am

    Tinha que acabar torcendo pelo Vitória. Ô sina.

    [Reply]

  15. #15 Leco
    on Oct 4th, 2007 at 12:14 am

    E não é que o Leônico lembrou com estilo o saudoso Redenção! Viva o folclórico futebol baiano!

    Sêo Françuel Responde: Leco, o momento é grave. Oremos.

    [Reply]

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