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Glauber, O Visionário

O Nordeste de Amaralina e uma banda de Sergipe são testemunhas de que evitei, ao máximo, recorrer ao desgastado chavão do ex-governador Octávio Mangabeira. As misérias proliferavam-se nesta província besta e bela – e eu prosseguia, firme, agüentando a onda. No entanto, depois dos últimos acontecimentos, não dá mais pra segurar, explode coração: “Pensem em dois absurdos, na Bahia já existem precedentes”.

Ao primeiro.

Na última sexta-feira, o glorioso Tribunal de Justiça acatou uma ação de 101 ex-deputados e mandou a egrégia e augusta Assembléia Legislativa desembolsar uma bagatela de pouco mais de R$ 100 milhões. Com isso, o Estado, na prática, passaria a ter 164 parlamentares. Uma beleza.

Tal medida, porém, não me causou espanto. Afinal, nem é preciso conhecer a hermenêutica jurídica para saber que no Brasil existem três tipos de justiça: a boa, a ruim e a baiana.

Este, portanto, é um absurdo que, se não havia precedente, era ao menos previsível. Vamos, então, ao segundo.

Na calada da noite da última terça-feira, ocorreu a premiação da 34ª Jornada Internacional de Cinema.

Até aí, como diria o filósofo Domingos de Souza, tudo bem. Afinal, todo ano tem Jornada - apesar de quase ninguém tomar conhecimento deste clandestino evento. Esta tendência à clandestinidade, aliás, deve ser um resquício dos tempos temerários, quando se recorria à imunidade diplomática do Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA) para exibição de filmes proibidos pela ditadura militar.

Mas, derivo.

Voltemos à lambança da noite de terça.

Na categoria filme nordestino só havia um inscrito - a obra de Rosemberg Cariri sobre Patativa do Assaré. O W x O estava garantindo. Mas, o júri do evento, que era simpático, competente e generoso, resolveu inovar: agraciou o organizador da Jornada, o persistente Guido Araújo, com um papel de 10 mil. Esta verba, não custa lembrar, foi ofertada pelo Banco do Nordeste do Brasil, que, arrependido, quer o dinheiro de volta. Aos incréus, forneço este linque para dirimir as dúvidas.

É por estas e outras (muitas outras), torcida brasileira, que eu sempre digo: vocês podem reclamar (e com alguma razão) dos filmes de Glauber Rocha, porém jamais desprezem a capacidade de profetizar do conquistense.

Ouçam o que ele disse em 1957, há exatos 50 anos, em carta ao poeta Fernando da Rocha Peres: “Não dê muito cartaz a Guido”.

Palavras da Salvação.

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10 Comentários on “Glauber, O Visionário”

  1. #1
    on Sep 21st, 2007 at 10:57 am

    < ![CDATA[Franci,

    Não entendi a sua estupefação! Vc não sabe que Guido Araújo como bom amigo que é, todos os anos traz os seus amigos para a Bahia, inclusive os que compõem o júri da Jornada?

    E amigo que é amigo nunca falta. Amigo é pra acudir amigo. E de que importa que a Jornada não é um longa-metragem e o prêmio deveria ser entregue a um filme?

    Como diria Milton Nascimento, em meio às lágrimas do veloz e delicado Ayrton Senna: "Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito"...

    Trata-se de amizade! Vamos todos respeitar este sentimento nobre!


    Sêo Françuel Responde Ah, bom. Trata-se, então, de uma inspiração betobrantiana: Ação entre amigos]]>

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  2. #2
    on Sep 21st, 2007 at 11:13 am

    < ![CDATA[Quanto a Guido eu não sei, mas franciel, 161 deputados a mais? Queta moço. Proponho um acordo no TJ: paguem o dobro de salários e aposentadorias e vai todo mundo pra casa. Agora, se pedir voto vai preso!

    Sêo Françuel Responde: Menezes, não precisa exagerar. São apenas 101 a mais - e não 161, oquei?]]>

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  3. #3
    on Sep 21st, 2007 at 2:06 pm

    < ![CDATA[Pena. Se fosse só o Rosemberg concorrendo ele perderia para si próprio.

    Sêo Françuel Responde: Pinto, mas foi exatamente isso que aconteceu. Era seu conterrâneo concorrendo sozinho. E perdeu.]]>

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  4. #4
    on Sep 21st, 2007 at 2:35 pm

    < ![CDATA[E, afinal, Guido vai devolver o cheque ou embolsar a grana?

    Sêo Françuel Responde: Kátia, como diria Dona Milu, mistéééério. Mas, de verdade, até agora não consegui entender o porquê de tanta lambança.]]>

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  5. #5
    on Sep 21st, 2007 at 3:56 pm

    < ![CDATA[Depois falam de mim...]]>

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  6. #6
    on Sep 21st, 2007 at 4:36 pm

    < ![CDATA[Pior foi a declaração do sujeito para justificar o feito. Não caia bem premiar o cineasta duas vezes com o dinheiro do BNB, mas a grana vem a calhar no bolso do Guido. Fazer festival nesta terra é uma arte. Triste Bahia!!!]]>

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  7. #7
    on Sep 21st, 2007 at 4:43 pm

    < ![CDATA[Depois tem cineasta baiano que se diz perseGUIDO]]>

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  8. #8
    on Sep 21st, 2007 at 5:43 pm

    < ![CDATA[Ah, bom! Menos mal.]]>

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  9. #9
    on Sep 21st, 2007 at 8:32 pm

    < ![CDATA[Esse pitoresco enredo não é de todo ruim. Daria uma novela roquesanterística (parafraseando meu amigo Françucarlos em seus hábitos neologísticos). Inclua-se aí, como um dos núcleos cabeça-de-chave, o comovente caso dos deputados. Mas, pra jornada de cinema, tá xumbrega.]]>

    [Reply]

  10. #10
    on Sep 24th, 2007 at 1:03 pm

    < ![CDATA[sem condiçoes....]]>

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