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Sobre Passeatas

Não me queiram mal os adeptos das passeatas e similares, porém em verdade vos digo: acho de mais serventia o silêncio dos cachorros irrigando descuidados postes do que os gritos dos rebanhos que ficam zanzando pelas ruas. Zanzando, aliás, é modo de dizer. Os manifestantes, de quaisquer colorações, andam sempre em linha burra e reta, como se fossem milicos. E é exatamente esta vocação militaresca o que mais abomino nestes eventos.
Antes, porém, que os debilóides direitistas (desculpem a redundância) encharquem minha caixa de comentários, repito: o mau juízo vale para todos. Inclusive, em se tratando de marchas, uma das coisas mais ridículas são aquelas filas indianas do MST. Nove fora a justeza dos pleitos, parece-me uma boiada sendo tangida. Aliás, minto. Alguns bois possuem a virtude da desobediência.
Mas, derivo.
Falava do abominável aspecto militar das passeatas. Sei que devem existir outros - talvez até menos horrendos. E por que me prendo somente a este detalhe? Pergunta-me o impaciente militante. Porque, desde sempre, desconfio que deus, o diabo e a verdade estão apenas nas nuances, ora.

P.S Mais sobre passeatas na segunda-feira - se eu não estiver cansado desta prosa ruim.

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6 Comentários on “Sobre Passeatas”

  1. #1
    on Aug 10th, 2007 at 6:00 pm

    < ![CDATA[Se fosse uma fila com Juliana Paz, na frente, e Angelina Jouli atrás, você militaria na causa?]]>

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  2. #2
    on Aug 10th, 2007 at 6:53 pm

    < ![CDATA[desconfio que você anda levando sinecura do sapo barbudo e do tirano do caribe para não falar dos cubanos deportados.]]>

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  3. #3
    on Aug 10th, 2007 at 7:22 pm

    < ![CDATA[Sem essa de todo mundo fazer passeata! Precisamos criar certos critérios para impedir que a Dona Zelite ocupe as ruas, que, como sabemos, pertencem ao povo. De agora em diante, para participar de manifestação pública, é preciso:

    Cortar o mindinho da mão esquerda;
    Ter a língua presa e o intestino solto;
    Cantar só com gerúndio em “ENO”, como Zé Dirceu: “Caminhano e cantano e seguino a canção..”.;
    Ter a aprovação do Jô Soares;
    Gritar “Fora FHC”]]>

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  4. #4
    on Aug 11th, 2007 at 11:53 am

    < ![CDATA[mas franciel, sua cara não nega. com esse cabelo bicho-grilo, esse visual hippie-militante-de-esquerda, vc tem o tipo de q já foi a muita passeata, pelo menos no imaginário.
    a gente tem certeza q vc foi praquelas do “FORA COLLOR” e se por muito muito muito muito menos o Collor foi impichado, porque Lulla continua impune e faceiro??]]>

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  5. #5
    on Aug 11th, 2007 at 3:52 pm

    < ![CDATA[Para uma passeata de segunda-feira, nada melhor do que lembrar o velho e lendário 'Avalanche', bar que ficava na rua João das Botas, em frente aquele centro médico do Canela. Frequentei-o com grande intensidade, mas não sei se foi de sua época. Já com 57 anos, os 60 já se anunciam e um frio corre pela espinha, ainda mais com duas gloriosas pontes de safena que me foram financiadas pela alma caridosa do caixa dois de Zuleido Veras e da Guantamo. Mas o Avalanche, comecei a frequentá-lo no radioso ano de 1969, quando entrei para a Faculdade de Direito. Naquela época quase todos os meus colegas fumavam e bebiam muito. Quem não gostava de uma cerveja ou não portava, no bolso, uma carteira de cigarro, era honrosa exceção. Quando as aulas terminavam, meio-dia, íamos ao Avalanche e as mesas ficavam cheias de garrafas de cerveja, algumas com estas, numerosas, debaixo das mesas. Sexta, então, era dia sagrado: de meia-dia a maioria permanecia até meio-noite. Homens e mulheres, mulheres e homens. O Avalanche faz muita falta e já no seu final entrou em decadência. O seu apogeu se deu nos anos 70. Os garçons ficaram célebres, a exemplo de Sergipe, Pelé, que depois foram aproveitados por outros bares - Pelé, por exemplo, ficou muito tempo no Quintal do Raso da Catarina, quando era de Franco e não a caricatura que é hoje. Tínha, aí, como invenção de Franco, o 'chopp ao forno' e 'requeijão na brasa', bom para acompanhar o chopinho amigo. Beber era uma maravilha em tempos idos. Como no Colon da Visconde de São Lourenço, no fundo, lugar ideal para os amantes do álcool.
    Constato, com grande tristeza, que estes bares ou estão fechados ou em profunda decadência. E os jovens atuais não curtem mais os porres homéricos, a cervejada como um processo etílico, uma ’sentada’ sem tempo ajustado para terminar. O espírito neoliberal, perverso, determinou a exclusão da disponibilidade para se jogar conversa fora e a contemplação da vida.]]>

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  6. #6
    on Aug 13th, 2007 at 5:33 pm

    < ![CDATA[passeata???? não é do meu tempo naummmm... mas do jeito que as coisas estão se desmanchando o povo só vai poder (poder?) chiar na rabeira do desfile do 7 de setembro]]>

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