Nada de anormal que os estúpidos turistas (desculpem a redundância) comprem esta malamanhada versão. Esta ordinária raça, sabemos, compra qualquer coisa. E, se aqui aterrisam sob raios e trovoadas, a culpa deve ser de algum orixá que não lhe foi com os cornos ou com a sua epiderme amarela, de menino parmalat. Então, inventa-se mais duas ou três crendices para enganar os trouxas - e tá tudo lindo.
Até aí, tudo bem, como diria o filósofo Domingos de Souza.
O problema é que, de tanto ouvir esta ladainha, o próprio baiano passou a acreditar nas patacoadas propagandísticas. E as rotineiras e inconseqüentes chuvas que desabam sobre esta província parecem-nos apenas um comercial mal feito. Aqui é sempre, sempre, verão, minha nega.
Definitivamente, o baiano vestiu a camisa listrada das bahiatursas da vida e saiu por aí em um ridículo processo de automacaqueação. De tanto ser visto de forma exótica pelo olhar estrangeiro, os nativos passaram a se ver assim também. O que restava de beleza e irreverência parece estar sendo levado pela enxurrada de imbecilidade.
E, como não poderia deixar de ser, esta representação do alheamento chegou às telas de cinema. A Bahia, em Ó Paí Ó, é caricaturizada de forma risonhamente constrangedora. Mas, ou talvez exatamente por isso, o filme é o maior sucesso de bilheteria dos últimos tempos em Soterópolis.
Os baianos, cada vez mais, se reconhecem na própria farsa.






on Apr 12th, 2007 at 10:39 am
< ![CDATA[Concordo em gênero, número e grau, françuel. enfim, uma crítica lúcida, certeira, pontiaguda e boa sobre esse devaneio gaudenzístico-lavinístico de monique gardenberg. ela mesma disse que já não vinha à Bahia (relaxada, para ficar de boa) há algum tempo e que só teve a inspiração para realizar o filme quando, enfim, conseguiu descansar na baêa... pois, então, relaxou tanto que fez uma merda sem tamanho, macaqueação de baiano para turista ver e vir ao próximo carnaval... quem vai se dar de bem é "zoin", capoeirista da rocinha, que vai comer é gente...]]>
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on Apr 12th, 2007 at 11:59 am
< ![CDATA[pois é, rapaz...
há muito tempo já q a Bahia vem comendo essa pilha de q é a “Terra da Felicidade”. mas, na verdade, como disse uma vez Antônio Risério, Salvador é uma “cidade maníaca”, na qual é “proibido não ser feliz”…
eu, q sempre fui um baiano do avesso, branquelo-azedo-parmalat caído de bobeira na América Nagô, nunca me esqueço do grito de Marcelo Nova em Controle Total (a música é chupada do Clash, mas a msg é q vale): “ôôô, aqui em Salvador / ôôô, a cidade do Axé, a cidade do horror” e “mas se quiser chorar / tem fitinhas do Bonfim, acarajé e abará / essa é a grande senha / para lhe imobilizar”…
abs, e “sorria, vc está na Bahia”!
PS: não fui ver o filme e nem pretendo. se o lance é “filme baiano”, sou muito mais O Superoutro, hehehe…]]>
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on Apr 12th, 2007 at 4:01 pm
< ![CDATA[na bahia iô iô iô iô todo mundo embarca na canoa furada desta merda de baianidade, até os rockeiros de hoje embarcam na baianidade. nos anos 80 os rockeiros esculhambaram sem dó nem piedade a baianidade. aí o sistema da baianidade se fortaleceu e baniu o rock de combate pra longe e forjou essa geração de rockeiros dóceis e amantes do ijexá. até a esquerda que tanto atacava os métodos da bahiatursa da era carlista já estão assimilando os cacoetes da baianidade adaptando-as aos métodos petistas e no fundo, como diria valdir moleza, é todo a mesma merda]]>
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on Apr 12th, 2007 at 4:23 pm
< ![CDATA[Agora que vc descobriu a farsa chamada "Bahia", Sêo Françuel.
Eu achava que vosmecê fosse mais esperto.
A farsa aqui está até no cabelo de Q-boa do governador.]]>
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on Apr 12th, 2007 at 4:47 pm
< ![CDATA[uma errata:
o último verso da letra é: “essa é a grande senha / Oxum, badauê e Zanzibar…”]]>
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on Apr 13th, 2007 at 2:30 pm
< ![CDATA[O filme não se trata de olhar estrangeiro ou coisa de turista. Salvo os excessos próprios da origem teatral do texto e atores, o filme é o que rola na rua. Então, caro Franci, eu acho que vc diz tudo quando fala que baiano se auto-folcloriza, terminando por acreditar que aqui nunca chove, todos são alegres e comem caruru na sexta. Por sinal, deixe eu adiantar o lado que o meu já está esfriando.]]>
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on Apr 13th, 2007 at 3:47 pm
< ![CDATA[Se francis.. acho que estamos presenciando a era do AXEMOVIE. deus é +... Cidade baixa foi pelo mesmo caminho: clichês, clichês...parecia que os personagens ttinham que falar todas as gírias baianas em 2 horas. Não vi OPAIÒ, mas deve ser do mesmo quilo.Ou seja, cerveja, temos que continuar vestindo a caricatura do bom baiano, comendo acarajé, bebendo agua de coco e correndo atras do trio eletrico...T]]>
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on Apr 13th, 2007 at 5:46 pm
< ![CDATA[É sêo (Tasso) Franço el;
Não vi o filme ainda, mas acredito que ele é a transposição para o cinema da esteriotipização que o Teatro baiano faz, e só faz. Fruto do bom e velho binômio Cultura & Turismo que se instalou por aqui durante tanto tempo, como se a Bahia não produzisse nada que não fosse turístico.
Essa baianidade para turista ver já está tão entranhada entre os habitantes dessa terra que a criatura engoliu o criador. Tem gente que vive a vida inteira enrtretendo turistas com “apresentações artísticas”, como tocar berimbau ou algum instrumento de percussão e jogar capoeira.
Fazem tanto isso a ponto de achar que eles mesmos são pontos turísticos. E se consideram cultos porque conseguem embromar em diversos idiomas. E ai de você que diga o contrário!
Mas não esqueça: sorria, porque você está na Bahia!]]>
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on Apr 13th, 2007 at 7:38 pm
< ![CDATA[Franciel, depois de ler esse post só reforço minha decisão de incluir esta película no meu “Index Prohibitorium” onde aquele abacaxi chamado “Dois Filhos de Francisco” encabeça a lista.]]>
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on Apr 15th, 2007 at 1:47 pm
< ![CDATA[Grande contribuicao para o debate! Se o baiano realmente conseguisse se enxergar na fraca e ideologizada safra de filmes "baianos" (convenhamos, "Esses Mocos", por exemplo, o que é aquilo?). Mas nao pode. Ó Paí Ó, com todos os defeitos, consegue ser mais verdadeiramente baiano.]]>
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on Apr 16th, 2007 at 12:11 pm
< ![CDATA[O referido é verdade e dou fé. A miséria cultural baiana ascende. Minhas mãos não possuem mais forças para segurar o nariz.]]>
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on Apr 16th, 2007 at 1:36 pm
< ![CDATA[Dra, tem razão é Antônio Risério (que confesso desconhecer). Quando digo que esta fétida vai de mal a pior, neguinho ainda me chama de agourento e de jogar contra o patrimônio. Se esse tal patrimônio for a nulidade cultural herdada da BahiaTursa há tempos imemoriais, dispenso. Minha parte eu quero é em dinheiro.]]>
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on Apr 16th, 2007 at 4:29 pm
< ![CDATA[Da mesma forma que na Europa pensam que somos um bando de indios que moram na floresta Amazonica e vivem nas choupanas, acho que o Brasil nteiro pensa que somos um bando de malemolentes, micos de circo com cabelos cejio de gueri-gueri e que passamos o dia todo no Pelouriho comendo acarajé a batando tambor pra gringo Ver...e pra finalizar..Aê Aê Aê Ê ÊÊ Ê Ô ÔÔ]]>
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on Apr 16th, 2007 at 6:54 pm
< ![CDATA[Dá-lhe Poções, minha porra!]]>
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on Apr 17th, 2007 at 9:35 pm
< ![CDATA[O filme pode não ser bom, mas o trailer é inovador. É o primeiro trailer de
filme que eu vejo em que não se fala absolutamente
nada a respeito do enredo
do mesmo e onde um sujeito fica repetindo setenta e cinco mil vezes uma frase.]]>
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on Apr 18th, 2007 at 11:42 am
< ![CDATA[O mais incrivel foi a pressa com que o grupelho do "audio-visual" baiano tentou rotular o filme de não-baiano. Como se ser-ou-não-ser baiano fosse alguma porra. Boa porra!]]>
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