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Ivan, El Terrible

O jornalista Ivan de Carvalho, que assina uma coluna na gloriosa Tribuna da Bahia, escreveu um artigo esta semana sobre o problema da segurança pública. No texto, ele citava esta maltratada Ingresia. O material, porém, não foi publicado.

Calma, crianças, larguem a caneta agora mesmo. Pelo amor de Jehová (de Carvalho), esqueçam esta bobagem de manifesto em prol da liberdade de expressão ou de qualquer outra ficção deste gênero. Façam outro favor e economizem naquela ladainha de “Sêo Françuel, estamos com o senhor para o que der e vier”.

Estão comigo? comigo, não, violão. Sou casado e minha mulher é ciumenta. E desconheço coisa mais constrangedora do que solidariedade em caixa de comentário de blog. Aliás, foi exatamente por entender que blog é coisa sem importância que solicitei a Ivan que não maculasse sua coluna com citação do Ingresia. E ele aquiesceu. (Afinal, como não diria a menina Gertrude Stein, um blog é um blog, é um blog é um blog. Apenas).

Em contrapartida, Ivan me solicitou que também não citasse seu nome aqui neste insalubre recinto. Mas, como sou espírito de porco, não obedeci - até porque certa feita travei um diálogo com Ivan que queria tornar público.

Antes de contar o referido diálogo, porém, é preciso contextualizá-lo, falando um pouco sobre a trajetória de Ivan. No início da década de 70, quando toda a redação da Tribuna da Bahia, comandada por João Ubaldo Ribeiro (Sim, já existiram diretores de redação na Bahia alfabetizados), era composta de esquerdistazinhos, El Terrible já professava sua fé na mão invisível do mercado e na intransigente oposição ao marxismo. Melhor dizendo, era um direitista, no linguajar dos esquerdistas. Era, vírgula, continua sendo. Além do liberalismo, Ivan acredita em outras coisas exóticas e invisíveis, como Deus e discos voadores.

Aliás, sua fisionomia já é a de um próprio ET.

Pois muito bem. Certa feita, encontro-o com as feições mais pálidas do que de costume, e pergunto: “O que aconteceu, Ivan?”. Com a voz fugidia, ele responde: “Minha filha está grávida”. Assustado, pergunto: “E o que foi?”. Sem mover uma ruga, ele arremata: “Pica. Só pode ter sido pica”.

Moral da história: quando converso com direitistas com senso de humor, meu raciocínio torna-se mais ágil do que a zaga do Bahia.

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10 Comments on “Ivan, El Terrible”

  1. #1
    on Mar 9th, 2007 at 10:53 am

    < ![CDATA[Francis, minha curiosidade é saber como esta impuluta Ingresia foi parar em um cometário de Ivan de Carvalho sobre segurança pública para a Tribuna da Bahia.

    Que mistura!]]>

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  2. #2
    on Mar 9th, 2007 at 2:52 pm

    < ![CDATA[Atesto a fama de direitista de Ivan. Digo fama, porque, a rigor, ele nunca deu mostras de nenhuma das torpezas reais ou imaginárias de um direitista. A alcunha me foi cochichada assim que cheguei na redação da Tribuna em 92 para cobrir política (em uma época em que cobertura política na Bahia ainda existia): "Olhe, cuidado com Ivan ele defende ACM e é de direita". Olhei pra o senhor que batia sua coluna compenetradíssimo e gostei da figura no ato. O humor redime quase tudo, mas é apenas uma de suas qualidades sutis. Durante o tempo em que fui sua colega na Tribuna e no finado Bahia Hoje nunca o vi falar mal de nenhum companheiro de redação. Reservado e educado, destoava do desmazelo e do fuzuê que grassava na barulhenta e claustrofóbica redação da Djalma Dutra. Generoso com todos e sarcástico com quem merecia, sempre encontrava tempo para irônica, cifrada e discretamente me apitar uma dica. Embora eu fosse uma foca típica sempre me tratou como uma igual. No passo descansado e com a mão escorrada no quadril, soltava com ar distante e casual coisas do tipo "Você criou problema pra sicrano hein?", que me enchiam de estímulo e segurança. Com o tempo, os papos foram derivando da política para existencialismos, inteligência extraterestre, teosofia, astrofísica e outras loucuras e hermetismos saudáveis. Ivan é uma das criaturas mais doces e de espírito mais fino que conheci e, quando lembro dele, sempre me recordo de uma frase de Paulo Bina dita em uma dia em que algum chato reclamou do fato de Ivan, por motivo justificado, não ter aparecido pra trabalhar: "E eu lá tenho moral para exigir alguma coisa de Ivan?".]]>

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  3. #3
    on Mar 9th, 2007 at 3:17 pm

    < ![CDATA[Todo ser inteligente é liberalista e a favor do mercado. O resto é resto.]]>

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  4. #4
    on Mar 10th, 2007 at 4:17 pm

    < ![CDATA[gostei do Ivan! onde posso ler os textos dele on line?]]>

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  5. #5
    on Mar 12th, 2007 at 2:32 pm

    < ![CDATA[Serbon,
    ele escreve no jornal Tribuna da Bahia há 35 anos. O endereço é http://www.tribunadabahia.com.br

    Ah, sim, mas eu não recomendo. E ele me disse que também não.]]>

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  6. #6
    on Mar 12th, 2007 at 3:01 pm

    < ![CDATA[Ivan, prazer em conhecê-lo. Mas seguinte é a porra: de quatro na Fonte é foda, né? Flecha no cú dos prejudicados. Êpa! Empalamento não, painho.]]>

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  7. #7
    on Mar 13th, 2007 at 12:50 pm

    < ![CDATA[Sagacidade não é pra qualquer foca.]]>

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  8. #8
    on Mar 13th, 2007 at 3:41 pm

    < ![CDATA[Tbem não recomendo. Um cara que afirma que não é hora de exportar nosso alcool, ou esta delirando ou é dependente do alcool. Por outro lado recomendo a coluna de
    Jacquinho de Beauvoir, meu amigo BBB (nada de “Big Brother Brasil”, é “Bicha de Bolsa e de Bigode” mesmo!).]]>

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  9. #9
    on Mar 14th, 2007 at 12:18 pm

    < ![CDATA[Antes um jornalista de direita alfabetizado que um semi-alfabetizado de esquerda. Na praça um novo blog.]]>

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  10. #10
    on Mar 15th, 2007 at 3:30 am

    < ![CDATA[Se além de direitista com senso de humor, ele ainda, sendo jornalista, escreve bem, é caso para o Guiness.]]>

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