“Êpa“, grita o chefe do Conselho Editorial, e arremata: “Pare as máquinas, Sêu Françuel. E mude o disco. Este negócio de falar de música popular brasileira no Ingresia não é bem quisto pelos ouvintes desta emissora. Já não basta o programa anterior dedicado a Gal Costa? Você esqueceu que um ouvinte mais exaltado, inclusive, disse que ‘Já aconteceram discussões enriquecedoras e magníficas aqui, sobre assuntos sérios e dignos?’”.
Ok, ok, já que é disso que vocês gostam, então recebam.
Seguinte é este.
Há exatos 31 anos, no dia 25 de outubro de 1975, o regime militar suicidava Vladimir Herzog. Vlado, então diretor do departamento de jornalismo da TV Cultura, foi vítima da ação de alguns mequetrefes, como o delegado Romeu Tuma e o jornalista Cláudio Marques, que acusavam o tal departamento da emissora de ser um “antro de subversão”.
Bom. Esta história todo mundo sabe - e eu nem sou chegado a efemérides. Relembro-a, apenas, porque não dá para deixar a data passar em branco, especialmente quando olho para o lado e vejo os jornalistas de hoje em dia. Ô raça! Até mesmo fora das redações, nos bares, becos, esquinas e listas de discussões na internet, a maioria repete, sem a menor cerimônia, o discurso dos donos de jornal. E a cara sem-vergonha nem fica mais vermelha.
Porém, mais do que falar mal de covardes ou louvar os mortos, é preciso flores em vida. E elas vão para Otto Filgueiras.
Uma das histórias que ele protagonizou aqui na Bahia não deu no rádio, nem nas bancas de jornal. O fato, comparado com o atual quadro de subserviência, é tão inacreditável que só dei crédito porque quem atestou a veracidade foi meu amigo José Sinval - e se Sinval garantiu, tá garantido.
(Antes de começar o relato, vale lembrar que o episódio se deu num tempo em que ACM ainda estava vivo. Aliás, vivíssimo. Acabara de ser indicado pela ditadura para comandar o governo da Bahia. Era uma época em que os cachorros mordiam Ulisses Guimarães. Portanto, Otto Filgueiras não cometeu este asqueroso esporte atual de chutar canino morto).
Pois bem. No dia 20 de dezembro de 1978, estava reunida toda a curriola carlista na sede do jornal, esperando chegar o primeiro exemplar do Correio da Bahia. Porém, o tempo passava, e nada. Enquanto eles esperavam, Otto Filgueiras liderava um levante sensacional na redação do referido.
Faço outro rápido parêntese para informar que, neste período, os funcionários do jornal da Paralela ganhavam muito mais do que os colegas do jornal A Tarde, que era, e ainda é, o de maior circulação. “Se é para vender a alma ao diabo que seja por um preço caro“, brincavam os jornalistas do Correio .
Pois muito bem. Na etapa de implantação do referido, os jornalistas recebiam a verba quinzenalmente. Acontece que até aquela noite do lançamento, o pagamento da quinzena ainda não havia sido feito. E, então, Otto Filgueiras comandou a rebelião. “Sem salário, não tem jornal“.
E ainda dizem que aqueles eram tempos sombrios.
Quem tá certo é Paulo Mendes Campos, que dizia assim: Antigamente, as coisas eram piores, mas depois foram piorando, piorando…
Agora, como chegamos a este degradado estágio atual, realmente, para mim, é indecifrável. Alguém aí tem alguma idéia?






on Oct 26th, 2006 at 9:26 am
< ![CDATA[Estes rabiscos foram escritos no final da tarde de ontem, porém não foram publicados porque o sistema estava fora do ar. Aliás, assim como Edson Gomes, eu sempre acho que a culpa é do sistema, que é um vampiro, ô, ô, ô.]]>
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on Oct 26th, 2006 at 10:36 am
< ![CDATA[Valeu você ter lembrado essa história. Os tempos eram realmente piores, a categoria é que foi ficando frouxa, desarticulada, desanimada, como se mais nada tem para lutar e sonhar. Grande Otto! Joana.]]>
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on Oct 26th, 2006 at 11:16 am
< ![CDATA[ESta história no Correio da Bahia, que eu nunca tinha escutado, é muito boa, mas o título do texto tá difudê.]]>
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on Oct 26th, 2006 at 2:46 pm
< ![CDATA[Franciel, apesar de muito nova e um pouco imatura, tive a alegria e o prazer de conviver com Otto Filgueiras. Grande profissional e grande companheiro.]]>
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on Oct 26th, 2006 at 3:53 pm
< ![CDATA[Tenho sim. Começa pela academia de jornalismo (como pede o caso aqui), empreendedorismo, Educação privada e outros setores que precisam de socorro ideológico. Precisam sair do provinciansmo que assola este país, que se apequena nesta hora. Imagine Franci, se na FACOM você tivesse uma aula que o indignasse ao ponto de cada um alununo querer abrir o seu próprio jornal?]]>
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on Oct 26th, 2006 at 5:17 pm
< ![CDATA[E o que dizer agora que o digníssimo Correio será um jornal de oposição?]]>
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on Oct 26th, 2006 at 6:10 pm
< ![CDATA[Seria o "degradado estágio atual" uma refêrencia a situação de indigência futebolística do jahia e do vicetória na série cê?]]>
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on Oct 27th, 2006 at 12:09 am
< ![CDATA[e tome helô no sindicato. kkkkkkkkkkk]]>
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on Oct 27th, 2006 at 8:19 am
< ![CDATA[bastou gal voltar a cantar, e pronto: foi chuva pra uma semana.]]>
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on Oct 27th, 2006 at 11:11 am
< ![CDATA[Franciel,
este foi o título mais baiano da história da Ingrisia.]]>
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on Oct 27th, 2006 at 11:29 am
< ![CDATA[Friiiiiiiiiiigeral, friiiiiiiigeral]]>
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on Oct 27th, 2006 at 12:27 pm
< ![CDATA[GOSTEI!!!!
Após ser ultrajado e quase linchado no Post anterior, consegui que esse significante veículo cultural voltasse a publicar coisas importantes e sérias.
Bom, adorei a pergunta de Valmar, o diário da Paralela vai ser oposição???
Só na Bahia…]]>
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on Oct 27th, 2006 at 4:29 pm
< ![CDATA[Não sei se o Diário da paralela será de oposição (vcs tão levando muita fé em Wagner, né não???)mas que os vibrantes, espertos e destemidos jornalistas que por lá desfilam vão acreditar, ah, isso vão]]>
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on Oct 27th, 2006 at 5:21 pm
< ![CDATA[Aaah, a infâmia!]]>
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on Oct 27th, 2006 at 5:38 pm
< ![CDATA[Às vezes fico pensando: será que a ficha da galera ainda não caiu? Porra... depois de uma mudança histórica dessas, na politica baiana, ainda têm pessoas com esse amendrontamento fudido? Faça a sua parte que eu faço a minha. Já passamos por tantas na história que vocês mesmos, e outros póstumos escribas, registraram! O que há de diferente, agora, na História, caralho?]]>
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on Oct 29th, 2006 at 11:50 pm
< ![CDATA[Francis, não fuja do assunto. Esqueça das suas intrigas conjugais com a gloriosa imprensa nacional e nos diga como foi o seu domingo eleitoral pós Barueri]]>
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on Oct 31st, 2006 at 1:56 pm
< ![CDATA[bom rabisco, bom...]]>
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