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Caluca Contra a Coluna

“Sêo Franciel,

Releve a desatenção deste velho, que tanto lhe demorou a responder vossa missiva sobre os entreveros com a Coluna do Comandante Luís Carlos Prestes. Acontece que, como é do conhecimento de vossa mercê, este é um assunto que pisa por demais no peito deste combatente do Batalhão Patriótico, tropa de cachimbo arregimentada pelo Coronel Horácio de Matos, lá nos idos de minha juventude, quando bem mal contava 40 quaresmas. Isso prá não falar da minha dependência de Osny, meu neto, que é minha mão e pena quando se trata de escrever na computadora.
Não vou me delongar nesta prosa, prometo que será miúda, mas devo começar - como bem ensinou Deus Nosso Senhor - pelo princípio.
Trabalhava então como vaqueiro - meu ofício de origem - para o Coronel Lourival Sampaio, chefe político de Rui Barbosa, Castro Alves e Capivari (hoje Macajuba) e fiel aliado do Coronel Horácio de Mattos e Guerra. Naquela época, vaqueiro era ocupação de tempos de paz, mas quando o assunto era briga, a gente se virava em jagunço mesmo, pois o cabra que se respeita maneja a lambeteira e o clavinote tão bem quanto o laço e a serigola.
Eu, que sempre fui bom de mira, fui um dos primeiros convocados, junto com o finado João das Torradas, para se apresentar no Zuca, um povoadinho que tinha pros lados da Boa Vista, onde o Coronel Horácio mandou reduzir uma tropa de um bando de fardado que se aproximava da Passagem do Mucugê, distante umas 18 léguas de lá.
Quando chegamos no Zuca, de arma nova e com munição 44 que só buriti em cacho, partimos pro confronto, mas nem chegamos a trocar muitas balas com os ditos fardados, que nessa altura, depois de fazer estrago pros lados da Roncadeira e de Barra do Mendes, já descia rumo Oeste, deixando a Bahia. Cheguei até a pensar que o trabalho acabava ali e que eu volveria a Capivari de arma nova e uns cobres a mais, quando veio a ordem de seguir o bando ‘”até o quinto dos infernos” - esconjuro, misericórdia, perdoe meu Pai.
Passamos quase três anos no encalço dos desinfelizes. Trocamos escaramuças com certos destacamentos e abatemos pra lá de 100 cabras dos fardados, que, naquela altura, já estavam mais para molambos do que para fardolas. Saímos da Bahia, entramos por Goiás, descemos para Minas, volvemos a Goiás, chegamos no mato Grosso e quando já ia deixando o Brasil eu, devo confessar, deserdei.
Não por frouxidão, que vossa mercê sabe que não padeço deste mal, mas por encantamento com a formosura que era Anacleta, minha segunda mulher (que Jesus a tenha a seu lado), uma cabocla letrada – sabia a cartilha e as quatro operações – que terminou roubando meu coração. Não pude mais acompanhar os companheiros, que também a aquela altura era nem um terço da tropa que saiu do Zuca.
Taí, Sêo Franciel, o porquê deste ser um assunto que machuca pisado no peito velho deste pabuleiro que vos aborrece. Anacleta morreu de impaludismo três anos depois, mas até hoje a vista embaça e as águas correm o rosto toda vez que ponho os pensamentos no tempo que tive com ela.
Um abraço deste que muito lhe considera,
Manoel Feliciano da Paixão (O Caluca)”
P.S A idade não faz bem às pessoas. O velho Caluca esqueceu o principal motivo das batalhas: dizer que Prestes, então ainda donzelo, só fez todas estas peripécias no Sertão e na Chapada por causa de uma paixão avassaladora por Lurdinha, uma jumenta que pertencia ao coronel Horácio Mattos.
Isto é verdade e dou fé.
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11 Comments on “Caluca Contra a Coluna”

  1. #1
    on Aug 11th, 2006 at 1:27 pm

    < ![CDATA[então conta logo a história desta jumenta, rapaz.]]>

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  2. #2
    on Aug 12th, 2006 at 3:20 pm

    < ![CDATA[Caluca, a Jumenta era a mãe de Carlão? Lembras daquela fotografia, ainda em preto e branco, lançada neste nobre espaço, cujo o título da cena era os dois filhos de Francisco? É ela a Lurdinha?]]>

    [Reply]

  3. #3
    on Aug 12th, 2006 at 7:45 pm

    < ![CDATA[canijah, que pasá cabrón?
    ainda não olvidastes la noche que coneceste el churro de carlon???
    cabecita de hielo!]]>

    [Reply]

  4. #4
    on Aug 14th, 2006 at 8:15 am

    < ![CDATA[Já andei freqüentando o seio da família Horácio de Mattos, estabelecida na cidade de Piatã, encravada na Chapada. Pena não ter dado certo, pois que hoje teria umas boas terras em meu nome.]]>

    [Reply]

  5. #5
    on Aug 14th, 2006 at 11:31 am

    < ![CDATA[Não entendi porra nenhuma!!! Será que fiquei burro?!?!?!?! NÃO!!!! è que o editor disso aqui tava muito fumada na hora que escreveu. Isso aqui está em pleno declínio.

    E eu sou um idiota que ainda passa por aqui para ler o besteirol.]]>

    [Reply]

  6. #6
    on Aug 14th, 2006 at 2:41 pm

    < ![CDATA[Tô brocano!]]>

    [Reply]

  7. #7
    on Aug 14th, 2006 at 5:32 pm

    < ![CDATA[ô anônimo, se mate!]]>

    [Reply]

  8. #8
    on Aug 15th, 2006 at 11:13 am

    < ![CDATA[E eu sou o corno que ainda escrevo esse arremedo de pasquim, já devia ter fechado essa josta. De jornalista inconpetente já basta eu.]]>

    [Reply]

  9. #9
    on Aug 15th, 2006 at 11:36 am

    < ![CDATA[O pior dos caras que ficam clonando é que eles não têm o menor respeito pela inculta e bela.
    “Inconpetente” é foda.]]>

    [Reply]

  10. #10
    on Aug 15th, 2006 at 12:17 pm

    < ![CDATA[Franciel,
    Tá ficando difícil ler esses comentários. Acho que vc deve fazer o governo Lula não conseguiu até agora: controlar a imprensa, ou melhor, os comentários.
    É cada marca de viado que aperece, clonando o nome alheio, escrevendo mal e dizendo besteira. Nem o Velho Caluca essa raça respeita.]]>

    [Reply]

  11. #11
    on Aug 15th, 2006 at 4:40 pm

    < ![CDATA[Seu Françuel,

    inté hoje me alembro da última passagem sua pela Chapada. Nunca hei de esquecer das nossas andanças pelas trilhas abertas pelos garimpeiros, dos banhos de rio…

    Vorta meus amô!]]>

    [Reply]

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