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Dos motivos que levam as mulheres que odeiam futebol a torcer por um time

Por Fabiana Mascarenhas
Nunca fui dessas mulheres que têm aversão a futebol. Prova disso é que o meu namorado pertence à categoria dos torcedores. Aliás, mais que isso. Além de torcedor, ele é também aspirante a jogador. Não somente daquele tipo que semanalmente se reúne com os amigos para jogar um babinha. Não. É da espécie que comparece aos 565 campeonatos do bairro.
Assim, ao contrário das muitas mulheres que têm interesse mínimo na questão, não me limito apenas a assistir aos jogos da Seleção Brasileira e roer os dedos quando os rapazes de camisa verde e amarela estão em ação. Também torcia timidamente pelo Rubro-Negro.
Comecei por influência paterna, agora reforçada. Principalmente, nos últimos tempos, mais especificamente a partir do momento em que meu coração começou a bater mais forte por um torcedor fanático do Esporte Clube Vitória (pura coincidência). E os meus conceitos em relação ao futebol, obrigatoriamente, estão sendo modificados, assim como a minha rotina. Para os que já me conheciam antes, não se surpreendam em ouvir, caso me liguem num domingo ensolarado: “Umbora, Vitória.”. Esse tipo de refrão virou coisa comum.
Quem foi Naninha! Fazer o quê?
Mas, o que eu sei sobre a área futebolística? Onze jogadores em cada time, uma bola, um juiz, técnicos enlouquecidos e/ou enfurecidos e torcidas idem. Quando tenho dúvidas (o que ocorre na maioria das vezes), pergunto a ele, que, quando ouve, responde.
Não discutimos, quando o assunto é esse, é claro. Ele colabora muito para isso, já que faz questão da minha companhia em todas as partidas antes, durante e depois, seja para comemorar ou lamentar a perda em meio a um monte de barbudos alucinados. Sei que muitas garotas nem se arriscam a enfrentar tal maratona. E, o que é mais comum, homens não gostam de levar mulher a estádio, o que, ainda, não é meu caso.
Ah, também sou uma namorada que o deixo livre para torcer à vontade, pois não se trata de uma pessoa, digamos, “moderada”. Ele é daqueles que não se importam de viajar mil léguas para ver o Vitorinha jogar até mesmo contra aquele timezinho lá do interior de Ibiricá (não me pergunte se o lugar existe), tira a camisa e não se cansa de gritar: Umbora Vitóra, minha porra! xinga o juiz, a mãe do juiz, a avó e demais familiares e agregados. Nem percebe quando o torcedor ao lado está doido para bater um bolão comigo. Eu? Na minha, é claro. Não o atrapalharia jamais por causa dessa besteira (!).
Agora, chega de ficar tocando a bola no meio campo. Abordo, enfim a questão que dá nome a esse texto: Dos motivos que levam as mulheres que odeiam futebol a torcer por um time.
A princípio eu já sabia o quanto o “maldito” mexe com as emoções masculinas. Depois de meses de convivência com um ser humano “doente”, posso dizer que hoje sei que o futebol é muito pior do que as melhores (isso mesmo) das amantes. Sim, porque pelo menos quando é uma amante a nossa rival, por melhor que ela seja, ainda saímos na vantagem.
Observem.
Existem maneiras e maneiras desse relacionamento terminar: 1. Podemos eliminá-la de alguma forma (como você fará isso, eu não sei) 2. O amor/paixão dele (s) pode acabar com o tempo, ainda que isso signifique uns cinco anos 3. Você pode pagar na mesma moeda (mooom!), ou ainda chegar à conclusão de que é muito superior a ela, a ele e a isso tudo e decidir que é melhor partir para outro, em alguns casos, outros. Enfim, existem algumas boas possibilidades, ok?!
Pois bem, agora pense que o seu rival é o futebol, um jogo que existe desde sei lá quando e que, para nosso desprazer, não vai acabar por, pelo menos, mais mil anos. Trata-se de um amor que, em raríssimas exceções, não termina nunca. E o pior, por si só é impossível de ser platônico, por ser naturalmente correspondido. Por mais que apanhem e sofram, eles jamais deixam de correr atrás, estar do lado, apoiando e motivando.
Pelo futebol eles esquecem daquela antiga regra machista de que homem não chora. Aoonde? As lágrimas correm como nos rostos das crianças. E não têm vergonha de que isso seja feito em meio a cinqüenta mil homens. Batem, apanham e, em muitos casos, matam e morrem (o que é lamentável). Ao contrário da amante, aonde quer que você vá, ele está. Uma pesquisa do Núcleo de Sociologia do Futebol, da UERJ, constatou que cada um dos 5.507 municípios brasileiros está provido de três instalações imprescindíveis: a igreja, a cadeia e o campo de futebol.
Ô Cristo será que jogamos pedra …………. na rede!? Nesse caso, nem Jesus Salva!
Além disso tudo, há ainda o fato de que o futebol consegue transformar um dia que tinha tudo para ser maravilhoso, numa verdadeira lástima. O bom é que também existe o vice-versa. Tudo vai depender do resultado. Se o Vitória ganha, o meu namorado é pura alegria. Grita, brinca, pula e bebe (trata-se de um aficcionado pela cachaça e afins). Já, se ocorrer o contrário, quem sofre sou eu. O rapaz é só revolta. A expressão de dor e o baixo astral são tamanhos que chegam a entristecer até aquelas que, de fato, odeiam futebol. E se levarmos em consideração que com o astral lá embaixo, corremos o sério risco de que outras coisas também insistam em não se entusiasmar…chego à conclusão de que, nesse caso, mesmo não gostando do esporte, torcer contra é loucura. (A propósito, domingo último Vitória 2 x 1 Bahia foi mais um dia de felicidade, mesmo com o ônibus lotado. Sim, ele enfrenta até Buzu cheio para ir ao Barradão).
O fato é que aprendemos a torcer meio que sem perceber e quando nos damos conta estamos vibrando feito loucas (literalmente). Dessa forma, se você um dia se pegar gritando também “Umbora Vitóora, minha porra!”, não se surpreenda. É compreensível, afinal, se não se pode derrotar o inimigo, junte-se a ele.
E você, meu caro, desconfie quando vir uma mulher torcendo desesperadamente por um time. Nem sempre a empolgação demasiada é, de fato, pelo amor ao esporte bretão.
P.S Definição do futebol segundo o Aurélio: jogo de bola no qual os jogadores, divididos em duas equipas de onze, procuram introduzir a bola na baliza do adversário, sem lhe tocar com a mão. Haja coragem!!!
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14 Comentários on “Dos motivos que levam as mulheres que odeiam futebol a torcer por um time”

  1. #1
    on Jan 24th, 2006 at 4:30 pm

    < ![CDATA[que coisa horrível!]]>

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  2. #2
    on Jan 24th, 2006 at 4:36 pm

    < ![CDATA[Só me resta desejar que você, Fabiana, consiga suporta algumas centenas ou milhares de turnos e rodadas ao lado desta dupla (namorado/time)sem perder a esportiva. Só me resta um dia escrever " Dos motivos que levam os homens que odeiam blogs a lerem o ingresia".]]>

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  3. #3
    on Jan 24th, 2006 at 5:03 pm

    < ![CDATA[Quer dizer que Franciel fica de olho na redonda, enquanto toda a nação rubro-negra tá de olho em Fabiana, é?
    Vai pra casa Franciel, que essa besteirinha um dia cresce na sua testa]]>

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  4. #4
    on Jan 24th, 2006 at 6:46 pm

    < ![CDATA[Por essa eu não esperava, confesso. Que coisa bonita de se ver, amada e amante juntos, assim, na rua, na chuva, na fazenda, no estádio, no bloq.]]>

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  5. #5
    on Jan 24th, 2006 at 8:45 pm

    < ![CDATA[Rapaz se eu fosse você ficava ligado. Como é que deixa uma morena desse tamanho no estádio e fica de olho na bola. Franciel, Franciel, bola é bola, mulher é mulher. Fabi, se preocupa não que um dia eu te acho assim perdida no Barradão e tenha certeza que minha atenção será toda sua. Seu mané]]>

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  6. #6
    on Jan 24th, 2006 at 9:25 pm

    < ![CDATA[é tudo que você e a torcida do framengo esperam, né seu brito barbosa?

    Fabi, nesse campeonato, sou mais você.]]>

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  7. #7
    on Jan 25th, 2006 at 9:12 am

    < ![CDATA[Tem a história do chato que repetia sem cessar pra namorada, querendo ter a sua cumplicidade, cada vez que a levava pr'algum programa domingueiro: "Tá vendo aí, que só lhe trago pra lugar bom?"

    Neste caso da dupla Franci e Fabi aplica-se em gênero, número e grau… Ou tem alguém que conhece alguma praça mais aprazível pra beber a gelada de domingo, que não o glorioso Manoel Barradas?

    E de resto, Franci, não ligue pra os comentários maliciosos, isso é coisa ruim que o povo quer botar na sua cabeça…]]>

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  8. #8
    on Jan 25th, 2006 at 9:29 am

    < ![CDATA[Para Fabi:

    Sábia decisão a sua de se juntar ao que, numa ligeira derrapagem, vc chama de “inimigo”… É o reconhecimento de que mãe e agremiação futebolística o cabra só tem uma de cada e pro resto da vida…

    A exceção acontece no caso do “torcedor eclético”, uma sub-variação de metrossexual (o mesmo que xibungo), que se permite ter um time em cada Estado e até mais outros na Itália ou na Espanha… Gente que não merece consideração, quiçá namorada…]]>

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  9. #9
    on Jan 25th, 2006 at 11:26 am

    < ![CDATA[Quando a mulher começa a mandar até no blog, sei não...]]>

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  10. #10
    on Jan 25th, 2006 at 1:01 pm

    < ![CDATA[É por isso que NÃO GOSTAR DE FUTEBOL é um dos meus critérios básicos na hora de escolher alguém. Imagine ter que ficar nessa vida. Tá doido! Eu não joguei pedra na cruz e muito menos na rede.]]>

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  11. #11
    on Jan 25th, 2006 at 2:16 pm

    < ![CDATA[Franciel tá morto não! Isto é que é declaração de amor! Admiradora que sou do futebol-arte de nosso Vitória, fico feliz em ver este casal rubro-negro torcendo, gritando, bebendo juntos pela mesma causa. Tudo pelo Sport (ops!), esporte!!

    saudações rubro-negras]]>

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  12. #12
    on Jan 25th, 2006 at 2:38 pm

    < ![CDATA[Fabiana, minha filha você falou tudo, é bem isso mesmo que acontece...massa seu texto.
    beijo darly]]>

    [Reply]

  13. #13
    on Jan 25th, 2006 at 2:53 pm

    < ![CDATA[Fabiana, me apaixonei por voce. Sei onde voce mora, e espreito por suas saidas fortuitas à banca de jornal. Paixão, nao me deixe assim tão de lado, larga o bosta do Franciel, que F+F só dá em Fome+Filhos.
    Seu,

    Cani]]>

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  14. #14
    on Feb 1st, 2006 at 1:31 pm

    < ![CDATA[Vascaina fiel desde que, na infância, em Petrópolis, virei a casaca passando de pó-de-arroz para cruzmaltina por conta de um menino chamado Alexander Talarico Barata, passei uma vida sem sal nem salame até que conheci um rapaz flamenguista. Digo a vocês:futebol e homem são uma combinação perfeita, seja dividindo a camisa ou se divertindo, como rivais, na ressaca do domingo à noite.]]>

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