Ainda era minino pequeno, coisa de sete, oito anos, quando me tornei devoto. Quem me apresentou ao Salvador foi meu pai. Aconteceu algo tipo o estalo de Vieira. Não sei explicar com mais detalhes. Só sei que foi assim. E, depois daquela conversão sob o céu que me protegia (e castigava) no semi-árido, nunca mais me desviei do sagrado caminho. De lá pra cá, é óbvio, desocupado como é, o Cão já atentou diversas vezes, prometendo insinuantes estradas de perdições às minhas velhas e desbotadas alpercatas. Mas, firmes e religiosas pisadas não saem da rota por seduções vãs. Questão de fé.
Calma, minha senhora, toda esta ladainha nostálgica e metida a lírica é por uma boa causa: no último dia 13 de dezembro, entramos no ano da graça 93 DLG (Depois de Luiz Gonzaga). E datas santas existem para serem respeitadas. O Velho Lua completou mais um ano de vida e… Ei, ei, pare. Vira esta boca pra a maré de vazante, incréu. Quem morreu foi Elvis, o irmão bastardo de Gonzagão no Mississippi.
Mas, já que descambei para as bandas do estrangeiro, lembrei-me agora de mais uma coisa que ia falar: a apropriação indébita do Forró pelos ingleses. Poizé. Para tomar as coisas dos outros, os imperialistas inventam as versões mais fantasiosas - vide aquela conversa fiada de que a palavra mágica surgiu quando os engenheiros britânicos estavam construindo a ferrovia Great Western e realizavam folias For All e etc e coisa e tal.
Nero ar.
O velho Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, já ensinou: Forró vem de forrobodó, que os escravos africanos usavam para tratar das festas populares nas quais se dançava diumtudo, como diria os xibungos de hoje em dia. Mas, não. Não deixarei que os baitolas mudem o rumo desta prosa ruim. O fato é que Forró é sinônimo de baile ordinário, sem etiqueta. Só não venha pra cá com estes peitos moles regionalistas porque nesta Ingresia não cabe louvação às raízes ou a purismos bobos. O Forró não é inglês, mas é universal.
E, na verdade, na verdade (cacoete muito usado pelos advogados quando vão começar a mentir), escrevi todas estas bobagens acima apenas como um preâmbulo (longo, muito longo, é vero) para tentar salvar os pecadores que ainda estão na escuridão. Portanto, passem no linque www.gonzagao.com.br/multimidia.php e cliquem em cima de Forró de Mané Vito, primeira música da história do Brasil, gravada em 1949, na qual aparece a palavra Forró.
E mais não digo porque isto aqui não é o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia nem o Correio Repórter. Agora, adiante o lado e vá ouvir logo os sons e as palavras de Gonzagão, que salvam e libertam. Garantia certa de lugar no céu. Bote fé.






on Dec 15th, 2005 at 3:34 pm
< ![CDATA[Sou mais Jackson do Pandeiro.]]>
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on Dec 15th, 2005 at 4:43 pm
< ![CDATA[O que é o forro, senão a reencarnação do blues no nordeste brasileiro. Tá duvidanu mô pai? Então vai:
1º, a escala musical do blues é pentatônica - igualmente se faz a do forró; o blues lamenta, sensualiza e protesta a rotina, assim como o forró; o blues nasce das colônias de exploração norte-americana, o mesmo processo histórico nordestino e depois brasileiro; ambos são tocados por gaitas (uma de sopro da boca outra de fole); Robert Jonhson era preto e emigrante do sul, Luiz Gonzaga descendente de preto do nordeste e migrou para o sul; o blues virou Jazz, virou rock (música popular americana), o forró MPB e depois Calipso…e porra aí vai.]]>
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on Dec 15th, 2005 at 5:02 pm
< ![CDATA[Dieguito habla:
?que pasa?
estas muy loco cabrón!!!
cabecita de hielo.]]>
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on Dec 15th, 2005 at 5:45 pm
< ![CDATA[Sêo Franciel,
O senhor releve as longas linhas que deitarei nesta Ingresia, mas o vossa mercê maltratou por demais este velho ao provocar um assunto ao qual muito me efeiçou: Luiz Gonzaga o Rei do Baião, ou Lula de Januário, como eu o conheci ainda menino na feira de Granito, tocando o pé-de-bode do pai em troca de qualquer cobre.
Como disse antes, conheci o pai do Rei do Baião, o velho Januário, que foi meu camarada da tropa-de-cachimbo do Coronel Militão Duarte, chefe Político de Salgueiro, mas que controlava as forças desde Mirandiba até Exu, na divisa com a Paraíba.
Januário era fraco no clavinote, mas era o cão (Deus me perdoe) no pé-de-bode. O cabra tirava tanta nota do fole que era difícil de crer que o instrumento só tinha oito baixos. Nas noites de acampamento da tropa, no meio daquele meio mundo de revoluções que tinha naquele tempo, Januário animava todo mundo com seu pé-de-bode, que sempre carregava no lombo da jumenta.
Os filhos dele seguiram todos o exemplo do pai e, sem exceção, viraram muito bons músicos. Lula foi o mais famoso.
Há mais de 30 anos, quando eu morava em Água Fria, soube que Sêo Júlio Carmo, homem mais rico de Alagoinhas na época, tinha contratado Luiz Gonzaga prá tocar na festa de seu aniversário.
O dia, lembro bem, era 2 de julho, o ano é que me foge à memória.
Selei Das Dores (minha égua) e rumei até Aramari, onde a deixei pastando na fazenda do finado Arthur Couto, e segui de kombi até Alagoinhas.
Na casa de Sêo Júlio o fuá tava dobrado. Tinha prá mas de 500 pessoas comendo, bebendo e dançando sem pagar um derréis pela farra. No avarandado da casa, vi os dois (Júlio Carmo e Luiz Gonzaga) sentado lado a lado numa prosa animada. Ao chegar prá beira o velho Júlio me chamou e, sabedor que era da minha amizada com o pai do safoneiro, fez as apresentações devidas.
Luiz ficou animado que até fingiu lembrar-se de mim. Deixando aquela safona branca que sempre o acompanhava numa cadeira de ferro ao lado da dele, o Rei do Baião emendou uma conversa boa comigo e Sêo Júlio.
A prosa só foi interrompida quando o neto do dono da casa, um menino parrudo de uns três ou quatro anos, puxou a sanfona da cadeira e, sem aguentar com o peso da bicha, caiu com instrumento e tudo, danando a chorar em desalento.
O menino nada teve, mas a sanfona arrebentou. Nesse dia, quase Luiz Gonzaga ficava sem tocar. Porém mandaram buscar os 220 baixos do finado Albertino Espinheira, o melhor sanfoneiro daquela região, e o Rei do Baião fez seu espetáculo.
Ainda hoje me recordo da última cantiga tocada naquele dia, quando, mudando um pouco a letra de sua própria música, Luiz Gonzaga saudou o aniversariante: “Vai boiadeiro que a noite já vem/ Amigo Júlio eu lhe dou meus parabéns”.]]>
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on Dec 15th, 2005 at 7:39 pm
< ![CDATA[Canjica meu fio,
Esse é o paralelo mais besteirol que já ouvi recentemente. A ‘escala do forro’, se é que existe tal coisa, seria antes de tudo modal, e nem de longe pentatonica, pois que com mais de cinco elementos. É facil escutar. De resto, as motivações, populações, instrumentos e manifestações, são bastante dispares e nao se prestam a tal paralelo. Agora, gaitas, meu amigo, pera ai, voce tem por profissao extrapolar?
Seu paralelo não serve nem pra coluna de caderno cultural de sabado no vespertino da Tancredo Neves, mas nao perca a fé em Deus, continue tentando.
?que pasa?
estas muy loco cabrón!!!
cabecita de hielo.]]>
[Reply]
on Dec 15th, 2005 at 8:16 pm
< ![CDATA[É melhor dançar que discutir forró.]]>
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on Dec 16th, 2005 at 12:56 pm
< ![CDATA[Dieguito, cabecita de gelo, você tá muito louco, eu só tava brincando! Vá usar drogas prá relaxar!]]>
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on Dec 16th, 2005 at 5:18 pm
< ![CDATA[Sou mais Clemilda. "Eu quero K. H."]]>
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on Dec 16th, 2005 at 6:15 pm
< ![CDATA[Caluca, quando leio suas missivas, me imagino numa noite estrelada, com fogueira ao redor, queimando milho e batata doce, torresmo de tripa de porco com caldo de cana (como fora na época de criança na zona da mata alagoana), sentado e atento ouvindo e rindo dos causos, dignos de um livro de memórias.]]>
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on Dec 17th, 2005 at 9:14 am
< ![CDATA[Não tem nada a ver com o assunto, mas... Tem a ver, já que se está falando de (sacrossanta) música...
Acontece hoje, na Fonte Nova, outrora palco sagrado de disputados BA-VIs da primeira divisão do certame nacional (com marcante prevalência do rubro-negro baiano, estatisticamente comprovada!), um evento batizado de Axé pra Você…
Anuncia-se que vão estar lá 18 “grandes atrações” do importante movimento musical da Axé (O movimento é rebolar, descer remexendo até o chão e subir de novo, tendo sentado ou não na boquinha da garrafa…).
Oportunidade única para, em nome do bem comum da Humanidade, sacrificar o velho estádio numa grande explosão, que findaria com todo o tipo de gente ruim… Do avermelhado demente do Rapazolla aos ruidosos dinossauros do Chicrete, de contribuição inestimável para o agigantamento da burrice soteropolitana.
…Sem falar nos 60 mil que vão pra lá assistir e por gosto!! Ou seja, gente pra quem a morte é até pouco…
Como sei que o terrorismo baiano é muito incipiente, apelei para São Cipriano, acendendo três velas de sete dias… Se tudo correr bem, segunda-feira acordaremos todos mais leves…
Se não der certo, saberei que até São Cipriano se bandeou para o lado da Axé Babá, fazendo côro com o papa nazista (como bem disse esta Ingrisia) e com outros mais e menos cotados…
Que Deus ou o Diabo resolvam intervir na terra do sol (Tá mesmo um calor da porra!), pois quase ninguém mais merece tanta ginga, tambor e malemolência, que, há algum tempo, têm se manifestado em doses cavalares!! (com todo o respeito aos eqüinos que têm mais neurônios do que as 18 atrações de hoje juntas)…
Fé remove montanhas, quem sabe, venha remover a velha Vila Olímpica da Bahia…]]>
[Reply]
on Dec 17th, 2005 at 2:19 pm
< ![CDATA[Estamos em contacto com o blogger.com de forma a coletar informacoes e dar inicio ao processo por difamação contra o Sr. Franciel. Aguardem mais noticias.]]>
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on Dec 17th, 2005 at 3:25 pm
< ![CDATA[casa via magia, caluca, crede no evangelho??
definitivamente esse lugar já foi mais bem frequentado.
ps: Franciel, peça para carlão testa fazer uma visita à casa via magia e expor seu (lá dele) argumento.]]>
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on Dec 19th, 2005 at 9:58 am
< ![CDATA[Dr. Mangabeira, acho que vossa excelência esqueceu de outros nomes (inclusive alguns dos presentes nestes comentários acima), mas o Sr. Carlão é imprescindível. Saiba que já existe um fã clube de leitores (as) ávidos(as) de alguma nota sua neste espaço.
Sr. Franciel, quero manter a minha proposta de pé, fazer deste espaço uma ONG e ganharmos muito dinheiro. Inclusive abrindo um processo, a princípio, contra a Casa Via Magia.
Certo de sua devida atenção certifico-me:
França Teixeira Ulm.]]>
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on Dec 19th, 2005 at 2:50 pm
< ![CDATA[essa tal casaviamagia já ouviu falar em liberdade de expressão? processo pelo quê? por dizer o que pensa? aaah é, essa é a terra de acm, né? ninguém pode achar nada ruim, tudo tem que ser lindo, senão a chibata come. me batam um abacate com leite ninho integral aí, na moral...]]>
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on Dec 20th, 2005 at 9:02 am
< ![CDATA[Francis, que erva rasteira é essa cantada por Luiz Gonzaga. É de Cabrobó?]]>
[Reply]
on Jan 3rd, 2006 at 7:44 pm
< ![CDATA[hj ao ver sua elegia estranho aquele mais purista que dizia "Zé, Gonzaga já foi militar, era do PDS, não tô comendo nada"...]]>
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on Jan 3rd, 2006 at 7:46 pm
< ![CDATA[Via Magia
A cada da putaria
Butei no cu de joão
saiu na boca de maria
Fez o mercado cultural
encheu o cu de dinheiro
depois chupou meu pau]]>
[Reply]