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O Samba É Doce

Eu canto samba porque só assim eu me sinto contente. Eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver. (Dá-lhe Paulinho da Viola!).

Poizé. Pode chover caco de vidro com sal. Amanhã, uma vez mais, tô colado no Centro Histórico. Além da tradicional chibança, um motivo mais que especial: Teresa Cristina, a voz macia do samba, sem truques.

Abaixo, um textículo escrito há dois anos, na tarde do dia 3 de dezembro, ainda de virote.


O SAMBA É DOCE

Apesar de Vinícius e Baden terem decretado que é preciso um bocado de tristeza, o Dia do Samba* já faz parte, desde priscas eras, de meu calendário de divertimento.

E ontem não foi diferente.

Os personagens da Velha Bahia, intelectuais frustrados, putas, ambulantes, bêbados, corações suburbanos e desocupados de uma forma geral sempre batem ponto. É vero que sem o romantismo de outrora, para desespero, lamento e ranger de dentes dos saudosistas. Mas, como bem disse o nobre sambista, Meu Tempo é Hoje. Ou melhor, foi ontem.

Uma noite de júbilo em que, novamente, foi dado o privilégio às gentes que não têm vergonha de ir ao Centro Histórico de Salvador (apesar dos pesares) de ver e ouvir baianos do calibre de Nelson Rufino, Claudete Macedo, Paulinho Camafeu e do bamba Walmir Lima, entre outros mais e menos cotados. Além disso, haviam forasteiros da mais alta dignidade. Os convidados, aliás, merecem um capítulo à parte (que não contarei agora), assim como o apresentador do espetáculo.

Já passavam das 23h, e Paulo César Pinheiro, que fez uma exibição honesta, ainda nem saíra do palco, quando o apresentador Paulinho Cacá, cheio de chinfra, largou a seguinte: “Que felicidade! Que felicidade! O ex-marido de Clara Nunes e atual de Luciana Rabelo, um dos maiorais, está na cidade. Mas, bom mesmo é o que vem agora, o grande sambista (sic) Francis Hime, o que é uma raridade“. Com uma matéria do jornal Correio da Bahia na mão, o intrépido dirigia-se ao parceiro de Chico Buarque como se fora seu amigo de infância. E tome louvores. E lia a matéria: “Ele é autor de Vai Passar, Meu Caro Amigo, Trocando em Miúdos, de Embarcação, de Risque (sic). Êpa, não sabia que o Francis fazia músicas românticas e gostosas assim…“. Definitivamente, não havia como conter o riso.

E na hora dos comerciais, Paulinho Cacá, com o raciocínio ainda mais entorpecido por produtos etílicos, perde o papel com o nome dos anunciantes e solicita apoio. O outro sopra. “Prefeitura Municipal“. Como ele fala tudo rimado, larga mais esta. “É isso aí, o prefeito Imbassahy, aquele que soma para depois dividir“. Impagável.

Abre parênteses.
O tempo passa e uma pequena legião de mudernos fica mais impaciente, pois a nova musa deles, Elza Soares, não aparece. Claro que, para completar minha alegria, a ex-mulher de Garrincha não deu o ar da graça. A decepção dos mudernos me deixou ainda mais feliz. Fecha parênteses.

Volta a voz para nosso herói Paulinho Cacá. Ele segue mandando abraços para as mais diversas personalidades. “Vamos dar os parabéns ao grande sambista Ermelino, que completa 47 anos amanhã e já não é mais menino“, pediu o apresentador. Eu, que sou metido a gostar do desconhecido, e principalmente do desconhecido que não presta, busco ajuda nas memórias Ram, Rom e no banco de dados do lado esquerdo do cérebro, mas nada. Nada de Ermelino. Até que um amigo vem e fulmina. “Ermelino tá completando 47 anos, é? Tá bem crescidinho. Tá na hora de tomar vergonha e mudar de nome“. Só durepox para cessar de rir.

E a festa oficial se encerra, já na madrugada, com Dona Ivone Lara no comando. Eu prossigo atrás dos Carrinhos de Café, misturando altas doses de Paulinho da Viola com cachaça de procedência duvidosa.

Reconheço que, sem a ajuda de um pedaço de cocada que me foi gentilmente cedido por uma amiga, na base do “abra a boca e feche os olhos”, talvez a festa não fosse tão alegre. Talvez fosse, pois não é sempre que dependo de produtos que não têm no tabuleiro da baiana para me divertir. Pelo sim, pelo não…

O fato é que, mais uma vez, pude constatar uma máxima desta mesma minha amiga. “A Bahia é generosa em trilha sonora, cenário, personagens. A escassez é de cineasta“. Bingo!

Já são quase 17h do dia 3 e minha cabeça não deixa a cidade dormir. O pior, ou o melhor, é que, à meia-noite, tem Bule-Bule e seu samba chula e rural.

Ê Bahia de todos os sambas, sem governo, nem oposição. E Viva Leon Hirszman e Paulo Cezar Saraceni.

Ainda sambando, o mulato Franciel Cruz despede-se.

*Assim como o Samba, o dia em sua homenagem também nasceu na Bahia. A iniciativa foi do vereador Luís Monteiro da Costa. A escolha de 2/12 foi porque nesta data ocorreu a primeira visita de Ary Barroso à capital baiana. Conta a lenda que o primeiro Dia do Samba, no início da década de 70, teve um show antológico do ministro, que então voltava do exílio. Isto é o que garante Edil Pacheco, organizador do evento. Quem sou eu para duvidar de lendas.

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13 Comentários on “O Samba É Doce”

  1. #1
    on Dec 1st, 2005 at 11:27 am

    < ![CDATA[Textículo, Franciel? Só se for testículo de boi, grande como a porra.]]>

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  2. #2
    on Dec 1st, 2005 at 11:56 am

    < ![CDATA[Na moral,você é brau pra porra. Amanhã, você vai poder cantar com seu ídolo Paulinho Boca de Cantor.]]>

    [Reply]

  3. #3
    on Dec 1st, 2005 at 11:57 am

    < ![CDATA[Esse tá bala. Quem não gosta deste samba pode até não ser mau sujeito, mas tá fazendo estágio. Pena que fora deste dia só rola os guigs, oz bambaz e os putões. Puta que pariu!]]>

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  4. #4
    on Dec 1st, 2005 at 12:11 pm

    < ![CDATA[Francis, quero um parêntese nessa prosa, e dizer que o Centro Histórico não estará completo se o roteiro do Samba for o mesmo. O saudoso bairro da Liderade (abra asas sobre nós) tem seu caramanchão há anos na Av. Peixe (lugar para onde universitário amarelo aptº não vai);assim como o bairro do Tororó, que tenta recuperar um pouco da bossa da década de 60; lá no Garcia, no Quintal da Zuzu, onde o Samba é de fino trato; sem falar da lendária Saúde, onde Xisto Bahia começou tudo e Caluca treinava pontaria montado nas galinhas, lá no seu interior.
    Acho, Francis Ford, que ainda não descobrimos a nossa cidade o suficiente. Ainda é cedo mal, começamos a conhecer a vida.]]>

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  5. #5
    on Dec 1st, 2005 at 12:47 pm

    < ![CDATA[Eu quero é Rock!!!]]>

    [Reply]

  6. #6
    on Dec 1st, 2005 at 2:07 pm

    < ![CDATA[maradona habla:
    ?que pasa canijah?
    ?ciumes de mike tyson?
    cabecita de hielo cabrón.]]>

    [Reply]

  7. #7
    on Dec 1st, 2005 at 5:47 pm

    < ![CDATA[gostcho mutcho!
    tcham!!!!!!!!!]]>

    [Reply]

  8. #8
    on Dec 1st, 2005 at 6:23 pm

    < ![CDATA[Franci, meu caro!
    Beba do samba, mas beba da chama também. Mas se lembre: assim como a rapadura, o samba é doce, mas né mole não, viu?]]>

    [Reply]

  9. #9
    on Dec 2nd, 2005 at 8:18 am

    < ![CDATA[E Viva Paulinho, Dona Ivone, a falecida Clara, Dorival, Nelson Sargento, Batatinha e outras milongas mais.
    Franci-EL, bata o pezinho por mim.
    Vou tentar arrastar sandália no “Pearl Jam”, mesmo que sob veementes protestos!!!!]]>

    [Reply]

  10. #10
    on Dec 2nd, 2005 at 8:20 am

    < ![CDATA[Post acima by Sane Maia.]]>

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  11. #11
    on Dec 2nd, 2005 at 10:06 am

    < ![CDATA[Franciel, texto muito bom. Parabéns.]]>

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  12. #12
    on Dec 2nd, 2005 at 3:56 pm

    < ![CDATA[franciel, compadre, valeu ai ´pelo link do bill. é doce morrer no mar!
    rapai, vamo armar um lançamento do livro ai em sao salvador! grande abraço,xs]]>

    [Reply]

  13. #13
    on Dec 2nd, 2005 at 11:11 pm

    < ![CDATA[Franciel, quem disse que em Irecê tem sambista? Você não samba porra nenhuma! Enquanto a Concha requebrava na pancada do pandeiro e do cavaco, tá lá você com estampa de Luiz Gonzaga nos peitu. O seu negócio é rala-buxo no xaxado, seu bobento!]]>

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