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Aleluia.


Preparem-se para a mais longa entrevista do jornalismo musical. Nosso destemido reporti Zezão Castro, operário da notícia, esnobou os confortos do Pelourinho e encarou o hômi em pleno show em Camaça City. É tanta história que a metade vai aqui e outra parte no www.rockloco.blogspot.com

Freak doido pra lascar o tédio em banda, no último 22 de agosto fui bater em Camaçari no show de Jerry Adriani, no Johann Sebastian Bach. Centrão. Perto da linha do trem. Deve ter sido uma cena normal para Jerry que nos tempos de São Caetano disseminava o rock n’ roll pelo ABC paulista. Para mim, não era.
No mesmo dia em que o Programa “Jovem Guarda” comemorava 40 anos (foi ao ar pela TV Record de São Paulo às 16h30 de 22 de agosto de 1965), acontecia um evento para marcar a data em Camaça City. Paguei R$ 2,25 e peguei meu buzu das 5 na Lapa. Era verdade, 40 anos de uma onda com epicentro nas bandas da Inglaterra quebrou pelo lado de cá (e ainda quebra…).
A festa era para homenagear o nosso verde amarelo arremedo da beatlemania. Sim, nós tínhamos ídolos de massa, identificados com boa parte da mocidade roqueira dessa nação, consumindo discos Brasil afora. Catapultados pela TV, cantando rock com letras em português, um desses, que já andava por aqui desde os tempos do Balbininho, voltou à cena.
Horas antes dele subir no palco, consegui, através de Pardal, um brother contemporâneo da Ufba que continua comunista, chegar ao hotel onde estava a sua banda. Entre uma garfada e outra do seu jantar, parlou. Gente boa, sem mascaração de estrelinha. Falou tanto que descambou para Raulzito e Seus Panteras, com o luxuoso auxílio de Waldir Serrão, o glorioso Big Ben
“.


ZEZÃO: Como foi sua primeira gravação profissional?

JERRY ADRIANI: Zé, esta pergunta é muito complexa e só posso respondê-la no www.rockloco.blogspot.com.

………..blá, blá, blá e blá.

ZEZÃO: Os Panteras tocaram em algum disco seu?

JERRY: Em estúdio não. Mas, voltando. Ai o Evandro resolveu dar a oportunidade pra Raul. A revista Veja me ligou dizendo que estavam tentando encobrir todas as produções do Raul. Querendo esconder. Com o Raul é o seguinte: ele é um cara totalmente. O Raul tinha o caminho dele, a proposta dele, e por isso que ele deu certo. O Raul tinha uma maneira de pensar, o objetivo dele, ele era um cara desprovido de preconceitos. Fazia as coisas do jeito dele lá. Tinha as visões dele e acabou. O que na verdade hoje que tentam fazer com a obra do Raul é esconder determinadas coisas, como se tivessem vergonha dele. Ele não teria vergonha. Ele era um cara que era desprovido desses tipos de coisa. Não era o propósito dele e era isso que fazia ser o cara que ele era. Pois bem. Até o dia que o Evandro viajou
e ele resolveu fazer o disco a revelia de Evandro (Sociedade da Grã Ordem Cavernista Apresenta Sessão das Dez, 1971″). Daí foi chamando atenção, o Evandro ficou invocado, logo em seguida veio a história do Festival (Internacional da Canção, - FIC, 1972), ele queria cantar lá, mas o Evandro, vendo mais uma mancada que o Raul deu, falou: ou fica como produtor ou como cantor. E o Raul acabou indo para cantar, porque o caminho dele realmente era esse. Raul conversava muito comigo, ia muito na minha casa. Todos nós éramos muitos bons amigos. Então a gente falava muito, conversávamos muito. O mais importante para gente matar essa história, o Raul comigo ou semigo iria conseguir fazer sucesso. Só que o caminho não teria sido este. O caminho que ele percorreu foi o caminho onde eu tive uma participação grande. Porque eu quebrei muita lança para o Raul, principalmente para botar ele no meio. Então não adianta querer esconder isso do povo, porque não interessa. O Raul é o Raul. Tinha a cabeça aberta, era um cara que tinha uma visão muito maior. Ele não pertencia a grupo, ele era uma coisa isolada. O que estou querendo falar é o seguinte: Nós que somos amigos do Raul, pelo menos é a minha maneira de pensar, no depoimento final desta história, o Raul que estão querendo pintar, não é o Raul que nós conhecemos. Raul não era isso, não é um cara que tenta esconder a influência de a, b ou c que estão na mídia hoje fazendo tudo mais, tudo bem. Ele ultrapassou, pulou um muro. Ele deixou de ser do pessoal que o curtia para ser uma coisa universal. Muita gente hoje em dia vai na onda, mas não eram pessoas que, na época, curtiam o Raul, gostavam ou mesmo estivessem do lado dele, como a gente tava. Querem conduzir a coisa e apagar. Acho que defender a imagem do Raul é uma coisa que todos nós queremos. Ele virou um mito. É a mesma coisa que falam de Elvis Presley. Virou fantasma, não morreu, virou santo. Essa é a visão dessas pessoas.

ZEZÃO: Big Ben, e você produziu o show de Jerry na Bahia?

BIG BEN: Não. Tinha um empresário chamado Edmundo Viana, que Jerry conhece muito.

JERRY: Mas quem produziu esse show todos foi o Carlo Silva, que já faleceu. Foi ele que chamou Raul para tocar comigo.

BIG BEN: Eu apenas, nessa história ai, divulgava o trabalho de Raulzito e seus Panteras na Bahia.

JERRY: Ele era o maior amigo do Raul . Independente de ser o músico.

BIG BEN: Eu mostrei, abri a janela pro Raul na música. Eu já era roqueiro e o Raul estava começando. A primeira banda de rock foi Waldir Serrão e seus Cometas né?

JERRY: A história que Raul me contava antes de casar, na época do rock, antes do Raulzito e seus Panteras é uma história muito engraçada que eu conto sempre. Raul foi tocar num cinema, numa cidade da Bahia que não me lembro qual.

BIG BEN: Serrinha.

JERRY: Aí eles usavam aqueles amplificadores de válvula e não tinha nem baterista, não tinham nada. Foram tocar no cinema o tal de rock’n roll. De repente, subiram cinco pessoas da platéia, um cara de capa, guarda chuva, e os dois com vozeirão (cantarola Blue Suede Shoes). Quando os dois acabaram de cantar, o cara de capa, que já estava em cima do palco, do lados deles, disse: já acabou essa miséria? Raul disse: Já sim senhor! E ele falou: ‘eu sou o delegado e esta miséria não é música. Vocês estão presos’.

BIG BEN: o delegado deu 24 horas para a agente sair da cidade e o Raul todo preocupado. O que é que eu faço?

JERRY: Tem também uns sonhos que eu tinha com o Elvis. O único sonho que tive. Alguém tocou a campainha e quando eu fui atender era o Elvis. Aí ele chegou e falou pra mim: faz o seguinte, e ele disse, porra, já te falei, não fala pra ninguém que eu tô aqui. Eu quero descansar. Não fala pra ninguém. Cê só pode chamar três amigos seus. E eu disse ,como assim, três amigos meus? E então, chamei três amigos meus: Carleba, Mariano e Raul. Aí ficamos na sala da minha casa, a gente: pô Elvis, você na minha casa e tal. E ele naquela coisa (imita Elvis charlando). E a gente falou: nós vamos cantar uma música para você! Em grupo! E a gente começou, com violão, se divertindo. Aí quando a gente tocou Don´t be cruel (cantarola You know I can´t be find, sitting more alone ) ele começou a cantar com a gente e de repente bicho, depois, assim, ele falou, peraí que eu vou aqui e volto já e saiu e foi embora. É muita coisa…

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24 Comments on “Aleluia.”

  1. #1
    on Sep 30th, 2005 at 11:19 am

    < ![CDATA[Moreno é a cara de João Gilberto]]>

    [Reply]

  2. #2
    on Sep 30th, 2005 at 1:31 pm

    < ![CDATA[agora só falta vanderlei cardoso e wanderléa.]]>

    [Reply]

  3. #3
    on Sep 30th, 2005 at 9:58 pm

    < ![CDATA[ingresia filha-da-puta. O que que tem o Jerry Adriani? deixa ele cantar meu! bando de frustrado.]]>

    [Reply]

  4. #4
    on Sep 30th, 2005 at 9:59 pm

    < ![CDATA[ingresia fii-da-puta. O que que tem o Jerry Adriani? deixa ele cantar meu! bando de frustrado.]]>

    [Reply]

  5. #5
    on Oct 2nd, 2005 at 10:54 am

    < ![CDATA[Mais um bundão covarde e anônimo assinando a 4 patas um comentário.
    Lamentável…]]>

    [Reply]

  6. #6
    on Oct 3rd, 2005 at 12:31 pm

    < ![CDATA[Porra, Franciel, onde tinha dessa planta que o Jerry queimou? Essa é das boas, produz até Elvis no meio da sala. Sonho, né? Sei.]]>

    [Reply]

  7. #7
    on Oct 3rd, 2005 at 2:18 pm

    < ![CDATA[apaga esse comment anônimo sem noção de retardado, Francis. babaquice não merece espaço não, bicho.]]>

    [Reply]

  8. #8
    on Oct 3rd, 2005 at 5:30 pm

    < ![CDATA[Jegue Adriani e Vanderlei Cachorro eram os idolos das secretarias do lar no tempo que na Bahia elas eram chamadas de gracheiras. E os dois foram fundamentais para a alta cultura canarinho.Adriani foi fundamental para Raul e Vanderlei para Didi Moco.]]>

    [Reply]

  9. #9
    on Oct 3rd, 2005 at 5:32 pm

    < ![CDATA[Jegue Adriani e Vanderlei Cachorro eram os idolos das secretarias do lar no tempo que na Bahia elas eram chamadas de gracheiras. E os dois foram fundamentais para a alta cultura canarinho.Adriani foi fundamental para Raul e Vanderlei para Didi Moco.]]>

    [Reply]

  10. #10
    on Oct 3rd, 2005 at 8:26 pm

    < ![CDATA[Zezão said...

    Vou esperar Vandeca e Wanderlei para ver qualé. Ela tinha até alguns rocks em suas bolachas. Ele não]]>

    [Reply]

  11. #11
    on Oct 4th, 2005 at 8:30 am

    < ![CDATA["Com o Raul é o seguinte: ele é um cara totalmente."
    Depois de velho jerry deu (lá elel!) para isso…]]>

    [Reply]

  12. #12
    on Oct 4th, 2005 at 4:25 pm

    < ![CDATA[Este sonho foi foda. "porra, já te falei, não fala pra ninguém que eu tô aqui. Eu quero descansar". Ahh!!!! Jerry não morreu.]]>

    [Reply]

  13. #13
    on Oct 4th, 2005 at 7:54 pm

    < ![CDATA[Tem um cara bom as pampa ai na area; o Paquito! Voces conhecem? O que acham dele? Acho ele o maximo. Ele e' unico na cena rocker baiana.]]>

    [Reply]

  14. #14
    on Oct 4th, 2005 at 8:55 pm

    < ![CDATA[esse carlito marron que deixou o comentário acima é um clone descarado]]>

    [Reply]

  15. #15
    on Oct 4th, 2005 at 9:59 pm

    < ![CDATA[Esse carlito marron, o verdadeiro gosta mesmo é do Paquito!]]>

    [Reply]

  16. #16
    on Oct 4th, 2005 at 11:16 pm

    < ![CDATA[carlito marron, primeiro e único:
    Todos os comentários acima não são de minha autoria… Aliás, que catso vem a ser esse tal de paquito.]]>

    [Reply]

  17. #17
    on Oct 5th, 2005 at 9:44 am

    < ![CDATA[Franci, vc que é tão sabido, por que ninguém fala nada contra os "canhão" quem andam soltos por aí nas ruas em plena campanha pelo desarmamento ?]]>

    [Reply]

  18. #18
    on Oct 5th, 2005 at 9:55 am

    < ![CDATA[Este "Domain City" clonou meu comentario.Me dei ao trabalho de olhar o end. e é dos u.s. of a.Cuidado ingresia, os ianques estão invadindo.]]>

    [Reply]

  19. #19
    on Oct 6th, 2005 at 4:10 pm

    < ![CDATA[Que Jerry Adriani, que nada. O que interessa é que o Velho Caluca voltou de Viagem e reapareceu no blog de lá ele (www.calucavaqueiro.blogspot.com).]]>

    [Reply]

  20. #20
    on Oct 8th, 2005 at 2:23 am

    < ![CDATA[Gato felix, vc é um dançarino. E esse carlito marrom falso é um otarobaxastral!la,la,la,la,la, aaaaaahhhhh!

    e acabei de (re),graças a deus, ver,nascido para matar do kubrick.

    Se franciel não voltar logo, vou tomar contar.

    sora

    ps- Zezão meu filho cadê vc?]]>

    [Reply]

  21. #21
    on Oct 8th, 2005 at 4:54 pm

    < ![CDATA[Meu caro Zezão, por que você você não entrevistou Pardal? Após alguns tragos na "boa", a conversa descarilaria para outros trilhos, tipo: quais os cargos de secretaria, chantejeados pelo PCdoB, na prefeitura no governo CaÊ; o tipo de gente convidada pelos stalinistas para compor a chapa nas eleições sindicais dos servidores municipais em Educação, agora em novembro.
    Tudo isso daria pano prá manga.]]>

    [Reply]

  22. #22
    on Oct 10th, 2005 at 6:31 pm

    < ![CDATA[Foi descoberta dentro de uma carranca uma fotografia da infância de mestre caluca. o link está aqui]]>

    [Reply]

  23. #23
    on Oct 13th, 2005 at 9:17 am

    < ![CDATA[Franciel, meu filho, cadê vc? num trabalha mais não, é? Tô te pagando pra quê, mermão? Vamos, mexa essa bunda flácida da cadeira e comece a produzir mais algum daqueles seus posts supimpas aí, man!]]>

    [Reply]

  24. #24
    on Oct 13th, 2005 at 10:01 am

    < ![CDATA[Qual dos dos dois é o Caluca?]]>

    [Reply]

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