“Quem rouba um, é moleque
Aos dez, promovido a ladrão
Se rouba 100 já passou de doutor
E 10 mil, é figura nacional…”
(Tom Zé, em Profissão de Ladrão)
Aligeiradas anotações em defesa dos nossos congressistas e contra as desatinadas acusações praticadas em nome da febril ânsia pelo errôneo conceito de moral e ética na política
Por Janjão de Aratuípe*
É grande inverdade a assertiva de que prestar serviços sexuais para gozo e regozijo do sujeito pagante seja o mais remoto dentre todos os ofícios. Muito antes de entrar em atividade a primeira puta, um seu filho já havia inventado a prática profissional de se apropriar do alheio.
Senão vejamos, todos nascemos nus, correto? Nada, portanto, nos é, de berço, propriedade. Nem as mais vultosas riquezas, nem a mais reles primeira roupa de baixo – com folga ou não para armazenar quantias e valores – são pela natureza nos oferecida. Destarte, a razão de ser da existência humana reside na práxis ininterrupta de acrescentar-se.
Como, então se pode, em nome de arroubos de moral ou no afã aligeirado de se pedir por ética, cobrar dos congressistas brasileiros, que, além de leis e decisões as mais cruciais para o destino nacional, queiram se despir daquela que é a própria essência do ente vivo sobre a Terra, a premente necessidade de se apropriar das coisas?
Se desde a primeira vez que enchemos nossos pulmões de ar, já aspiramos o que não nos pertencia, nada mais natural pode sê-lo, senão o ímpeto de lançar mãos e dentes sobre o que, temporariamente, ainda não é nosso!
Legalmente eleitos para representar-nos, os nobres parlamentares, que deixam seus torrões natais para viver metade da semana no Planalto Central, sofrendo com as inesgotáveis viagens que nossas contribuições involuntárias à pátria sustentam, não fazem nada além do que deles se espera… Ou, porventura, o atento amigo leitor acredita em algo mais legítimo do que a necessidade de se acrescentar, aumentar o que de cada um vira posse?
Não fazem os nossos briosos representantes na câmara nacional mais do que aquilo para o quê a natureza humana nos dirige. Tudo que se diga em contrário outra coisa não se assemelha, senão ao conceitual exercício de atribuição de valores.
O termo “honestidade”, por exemplo, é uma deliberada designação, arbitrariamente concebida pela língua, para tratar da idéia do comportamento social que não difira dos parâmetros – igualmente arbitrários – por nós estabelecidos, a partir do convívio em sociedade.
Tomando este juízo se pode concluir que o ato de se apoderar do alheio é, sendo como vimos uma ação natural, de berço nos ofertada como herança, uma prática ordinária, comum a todos que por entes humanos venham a conhecer a luz. Pegar o que não nos pertence, em sendo comum, é preponderante e, portanto, honesto.
Para não nos alongarmos no que tão límpido se apresenta, devemos compreender que nada fazem nossos congressistas, senão cumprir o seu desígnio natural. Outro sentimento não nos deve restar a não ser o de gratidão, a nossos legítimos representantes, por nós a tal cargo outorgados, por estarem a praticar aquilo que nos é primária necessidade.
Os mais exaltados até podem – em virtude dos recursos cada vez mais escassos e inevitavelmente distribuídos e concentrados conforme a capacidade de cada qual em se apoderar do que originalmente não lhe pertencia – bradar, lançando mão de vocábulos pejorativos como ilicitude, gatunice e até furto. Mas não se trata aqui de uma motivação digna de reclame. Muito pelo contrário, é uma falta de emprego do real entendimento das coisas, uma ação deveras injusta para com nossos deputados.
Se delegados são os poderes para que os altivos congressistas o façam tudo aquilo que nós por cá não podemos, então que o pratiquem no máximo do esforço e com todo o denodo possível. Isso apenas valoriza e, em muitos e muitos reais e dólares, o nosso voto.
Particularmente, decepcionados poderiam estar os que ainda não encontraram na lista dos ativos e passivos do mensalão o nome de seu deputado. Quero confortá-los com a certeza de que ainda hão de aparecer, caso contrário poderão não ser dignos de seu voto de confiança noutra vindoura oportunidade, vez que não estariam estes últimos, aparentemente, a se aumentar, como o deveria quem lá estivesse imbuído de tal atribuição, por nós referendada nas urnas.
No entanto, ainda em defesa dos que anonimamente permanecem, tenho a dizer que a arte de se apropriar do que a outrem pertencia quanto mais bem cumprida, menos aparente se faz. Aquele a quem nenhuma acusação ou dedo em riste pese, pode ser, em verdade, o mais sagaz de nossos representantes, o que melhor sabe se acrescentar, sem fazer alarde. Infelizmente, poderá ser vítima do próprio silêncio e perder vossa confiança, ainda que injustamente. Todavia, o que fazer? De riscos se faz a vida… De riscos, e também de furtos e roubos. Aliás, que fez este interlocutor até agora, senão furtar o seu precioso tempo?
Deixemos o congresso cumprir o que lhe cabe e vamos todos procurar o que fazer, que é melhor!
* É filósofo, cientista, cinemástico e ladrão nas horas vagas. Furtou estas mal digitadas de um livro famoso na Data Nacional, aos sete dias do mês de setembro do ano da Graça de dois mil e cinco.






on Sep 9th, 2005 at 7:17 am
< ![CDATA[Sobre corrpução é melhor consultar o maior especialista baiano do assunto: http://blog.radiometropole.com.br/
Vá lá e deixe seu comentário a respeito de honestidade, dinheiro público e cinismo.]]>
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on Sep 9th, 2005 at 8:20 am
< ![CDATA[Como diria o Papa, "agora eu vi merda subir de preço". Então, a culpa é de Adão, é?!]]>
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on Sep 9th, 2005 at 10:07 am
< ![CDATA[estou sem palavras no momento, tamanho o impacto que me causou vosso texto, meu caro Janjão. por isso mesmo, acho melhor não dizer nada.]]>
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on Sep 9th, 2005 at 12:07 pm
< ![CDATA[Faço minhas as palavras não ditas por Franchico.]]>
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on Sep 9th, 2005 at 1:05 pm
< ![CDATA[Peço licença para utilizar esse espaço para uma campanha de utilidade pública:
Vá nesse endereço aqui
http://blog.radiometropole.com.br
e deixe um comentário para refrescar a memória dos baianos sobre o hábitos e manias do proprietário do blog.]]>
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on Sep 9th, 2005 at 1:30 pm
< ![CDATA[Tá tudo muito filosopoliticamente estranho aqui. Seu Janjão, muito me admira o seu discurso. Será que o senhor iria achar tão natural a apropriação das coisas alheias, se essa "coisa" fosse, por acaso, aquela que ocupa um lado da cama na qual vossa senhoria se deita? Creio que sim né? Afinal, como frisou bem aqui neste espaço, de riscos se faz a vida. De riscos, furtos e roubos .... e não importa qual seja o objeto usurpado.]]>
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on Sep 9th, 2005 at 1:39 pm
< ![CDATA[Depois do silêncio de Franchico, corroborado por Olindina, este locutor não podia apenas dizer coisas do tipo "é mió calá". A nação exigia um pronunciamento acerca do tratado, e eu assim faria, mas diante da mensagem de Mocinha, resta-me apenas dizer o seguinte ao meu amigo Janjão: "Inframou, véi. Inframou".]]>
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on Sep 9th, 2005 at 2:52 pm
< ![CDATA[Testa,
Ja’ tentei tempo atras, o sacana apagou. Agora eles nem publicam o comentario.
Mario Ladrao]]>
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on Sep 10th, 2005 at 8:58 am
< ![CDATA[uai, uai, uai....
e agora gente é coisa????? Isso aqui tá cada dia mais esquisito.
premoc]]>
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on Sep 10th, 2005 at 9:24 am
< ![CDATA[Janjão de Aratuípe diz:
Que bom, que inframou, Franci… Coisa que me dá gosto é careta de merthiolate… Culpa de Adão?! Acho que não, ele - tal qual este que vos tecla - não vota em ninguém…
Dona Mocinha, o gosto pela propriedade escraviza o homem (e a mulher), nunca ouviu dizer que quanto mais coisa se tem, mais coisas o tem?! Sou dono de nada, não, Senhora. Como disse antes, nasci nu… Já tô no lucro! O resto é coisa que tentam “botar na cabeça da gente”, como vc mesma insinuou…]]>
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on Sep 11th, 2005 at 3:08 pm
< ![CDATA[Chupa Bahia! Chupa Vitória!]]>
[Reply]
on Sep 11th, 2005 at 9:06 pm
< ![CDATA[BETO BAHIA pondera:
Xibungo na Bahia agora é mato!! Só me faltava essa agora, “Janjão de Aratuípe?!” Ainda purcima com um palavriado desse, intupido de istrume pra não dizer nada… Parece jegue enfeitado em dia de procissão… E o pior é que ainda tem quem ache bom!
Porisso é que eu continuo botano, sem pena: Quem comanda é BETO BAHIA, neném!! O Resto é um bucado de minino amarelo, cheidiverme, metido a intendido…
Foquistroti, rumba, ritimimblus, jés, xaxado, roqui, coco e samba?
Só com Beto, minha filha, o único que bota pra vê talba lascá ni banda… E com gosto querosene!]]>
[Reply]
on Sep 12th, 2005 at 3:52 pm
< ![CDATA[Janjão, suas idéias em filosofia costumamos entendê-las como sofismas. Jamais teria coragem de dizê-las a meu filho. Você está entre Maquiavel e Clodovil!!!! Conte-me outra!!]]>
[Reply]
on Sep 12th, 2005 at 4:05 pm
< ![CDATA[Janjão de Aratuípe responde a Canijah:
Acabei de copiar sua frase numa cartolina e prendi na porta do banheiro, pelo lado de dentro. Vou refletir muito sobre o que vc disse… Depois lhe respondo…]]>
[Reply]
on Sep 12th, 2005 at 4:40 pm
< ![CDATA[Rapaz, por falar em banheiro, quase me borrei agora com essa última. Danou-se.]]>
[Reply]
on Sep 12th, 2005 at 5:18 pm
< ![CDATA[Já que botaram Clodovil no meio, o Conselho Editorial ordenou uma matéria sobre moda. Agora, agüentem]]>
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on Sep 13th, 2005 at 9:20 am
< ![CDATA[moda pra mim é coisa de frosô.]]>
[Reply]
on Sep 13th, 2005 at 3:19 pm
< ![CDATA[Roberto Pires diz:
Muito demodê esse seu comentário, Franchinho. Moda é tuuuudo!!! Todo mundo precisa saber sobre o que está “in” e o que está “out”… Aliás, eu adoro esse movimento, “in” and “out”… Acho praticar “in” and “out” completamente “fashion”, desde que feito com carinho, né, mô?!]]>
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on Jan 17th, 2007 at 11:47 am
< ![CDATA[Demodê é coisa de frosô]]>
[Reply]