Meu amigo Franchico, que bota pra vê talba lascá ni bandas no http://www.rockloco.blogspot.com/, fez o seguinte diagnóstico sobre o seqüestro de Raulzito pelo, com o perdão da má palavra a esta hora, status quo baiano: “Eles ‘homenagearam’ Raul com nome de viaduto que é pra todo mundo passar por cima do roqueiro“.
Paranóico por formação e convicção, confesso que esta teoria me seduz. No entanto, prezados ouvintes, acredito em uma outra, mais conspiratória. E muito pior, como eu já havia dito no final do capítulo 1 desta interminável trilogia raulseixista.
Minha teoria é a seguinte: Parente não é gente. Está provado, carimbado, selado e registrado - é uma raça muito ruim.
Não captou? Então, vem comigo.
Há poucos dias, a cidade estava infestada de fotografias de Raul. De Raul, Raul, não, do ator Nelito Reis que interpreta o astro na peça Metamorfose Ambulante, de Deolindo Checcucci.
Antes de começar mais este parágrafo, a ala nordestina do Conselho Editorial protestou: “Oxente, cabra, você se androgenou, foi? Quer dizer que agora vai ocupar este espaço do Ingresia para discorrer sobre teatro, maquiagem, cenário, figurino e quejandos? Vôte“.
Mesmo esta severa, machista e correta advertência não me fará calar. Vou falar da peça sim. Pois bem. Na ficha técnica acima, esqueci de registrar: o texto do espetáculo é autoria de Plínio Seixas, irmão do carimbador lunático.
Captou agora? Pois é. É exatamente aí que está o maior problema.
Quando as otoridades baianas homenageiam Raul com nome de viaduto é flagrante a falsidade. Mas, o irmão, quando o irmão (re) faz a biografia do roqueiro, engana muito gente. Até a semana passada, segundo leio nas folhas, “mais de 10 mil espectadores já haviam se emocionado com o espetáculo“.
E a apropriação da história de Raul por parte do Plínio é, para nos mantermos no campo das boas maneiras, escrota. Ele transforma seu “irmaozinho queridinho” (tudo na peça é no diminutivo, creiam) em um personagem atormentado, mas “gente boa“. A idéia é (re) construir um Raul para agradar ao gosto médio, às senhoras e senhores da classe média, que tem lotado as poltronas nem tão confortáveis do Teatro do Isba.
Assim, nesta estratégia, Raulzito, que era um apreciador contumaz da canjebrina, não aparece uma única vez com um copo na mão. Até o cigarro roliúde, que é o do sucesso, está apagado na mão do ator Nelito. Os outros atores fumam e tragam. Já o cigarro de Raul não acende. A outra referência às drogas é um papelote de cocaina que sua primeira esposa encontra em sua roupa em uma cena bem rápida. E assim acaba toda a experiência com alucinógenos do Maluco Beleza.
No entanto, o mais grave, na minha imodesta opinião, não se restringe ao campo das substâncias não recomendáveis pela Carta Magna. É na seara musical que as coisas se complicam de vez.
O desfile dos sucessos obedece a uma ordem cronológica completamente non sense. Ou melhor, com sentido extremo. Pela peça toda música foi feita com um próposito, digamos, subversivo/ma non tropo.
Porém, o que mais me causou repugnância (e riso na platéia) foram as menções desrespeitosas para com a música “brega”. Na visão de Plínio, Jerry Adriani, compadre e parceiro de Raul, é transformado em um nada. Para ser mais exato. Em uma fala do roqueiro com ar de desprezo. Tipo assim: “Ah, no início eu fazia música para uns bregas que não valem nada”.
Os bregas podem até não valer, Plínio, mas eles serão vingados no terceiro e último capítulo. Aguarde.
*Cuidado, aí vem o inimigo.






on Aug 23rd, 2005 at 5:31 pm
< ![CDATA[vilge. tenha medo.]]>
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on Aug 23rd, 2005 at 6:04 pm
< ![CDATA[Ai, que meda]]>
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on Aug 24th, 2005 at 12:42 pm
< ![CDATA[Alô nação tricolor,
ano que vem o bahia vai jogar no campo do lasca, na Ribeira, porque na fonte nova não tem jogo da serie C.]]>
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on Aug 24th, 2005 at 12:44 pm
< ![CDATA[Esse negócio de artista é complicado. Quando o sujeito diz que é artista eu saco logo o talão de cheques.]]>
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on Aug 24th, 2005 at 2:18 pm
< ![CDATA[boa frase de Godard, citando Joseph Goebbels ("Quando ouço falar em cultura, saco logo meu revólver") no filme O Desprezo (1965). o francês ainda colocou a frase na boca de Fritz Lang, alemão como o ministro da propaganda nazista. e eu nem faço mestrado na Facom. como diria Zezão: Legal, aquela coisa do Glauber, né?]]>
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on Aug 24th, 2005 at 2:21 pm
< ![CDATA[que é a própria coisa.]]>
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on Aug 24th, 2005 at 7:51 pm
< ![CDATA[Sêu Franciel,
Sei que ando meio afastado desta ingresia, culpa desta dor da moléstia que tem me atacado graças a uma inflamação no asiático (esse nervo que nasce no topo do lombo, desce pelos quarto, passa pelo mocotó e só para no calcanhar). Lurdinha, minha mula, até tem se queixado, urrando mais do que o normal, só porque, devido a danada da dor da gota serena, eu não ponho mais a cela nela nem quando vou tomar uns cambuí no bar de Zé de Bizito, lá pros lado do Quizambu.
Mas não pude deixar de lhe mandar essa missiva prá lhe dizer três coisas - Releve se alguma dessas coisas lhe parecer ofensivo, mas carecia lhe chamar no pau da colher, pois, como dizia o velho Abelardo, meu finado pai: “Quem não pode com o porrão não segura na rodilha”.
1 - Esse negócio de ir a teatro não me parece coisa de sertanejo descente. Gente de pêia vai, no máximo, aos autos de quermesse. Mesmo assim prá ficar de fuxico com as moças.
2 - Homem que é homem não jura vingança, vai lá, olha bem fundo do olho do cabra e diz: “Seu peste, vou te dar um fim”. E mete a faca no bucho do infeliz. Se jurar, das duas uma: ou se lenha antes, ou corre o risco de não cumprir a jura. E aí a desgraça tá feita e ninguém mais vai levar fé no sujeito.
3 - Seu ateu filho de uma égua. Quem virá é Jesus. Está nas escrituras. O inimigo já está entre nós, mas ele vai se acabar no dia que Nosso Senhor voltar. Quem viver verá.
Atenciosamente,
Manoel Feliciano da Paixão (o CALUCA)]]>
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on Aug 25th, 2005 at 9:37 am
< ![CDATA[Cite o homi direito. Zezão diria, após longa evolução braçal..."legal aquela coisa Glauber"....
O tradutor]]>
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on Aug 25th, 2005 at 10:24 am
< ![CDATA[esse Caluca é mesmo um homem do seu tempo. lá do século 19, bem entendido.]]>
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on Aug 25th, 2005 at 2:54 pm
< ![CDATA[Mas uma coisa o senhor Wells Burger aí em cima deve admitir: o texto dele é ótimo, parece um manuscrito perdido do José Cândido de Carvalho (se não me engano no nome), aquele autor do livro O Coronel e o Lobisomem, que é divertidíssimo. vai até virar um daqueles filmes vagabundos da Globo e da muié de Caetano.]]>
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on Aug 25th, 2005 at 6:47 pm
< ![CDATA[Eu acho que esse tal de Caluca é muito do falador. Ói, eu não tô comeno é nada desse seu jeito de home brabo! Home que é home não deixa mula urrando assim não fio, ainda mais por causa de uma inflamaçãozinha no asiático. Oxe, oxe, oxe, oxe, toma tento cabra e ao invés de tu ficar aqui tomando todo o espaço do ingresia, deveria era cuidar de sua mula que já deve de tá em outros pastos.]]>
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on Sep 3rd, 2005 at 4:36 am
< ![CDATA[Franciel, meu filho, tu escreveu como a porra ultimamente!!!
Passo coisa de uma semana e meia sem aparecer e tem essa enormidade de posts?!!. Ave Maria!!!
Passei aqui só pra deixar esse recado, que já estou um pouco tocado pela cachaça, vou dormir, acordar, acabar de baixar rock lobster do b52 no soulseek e avaliar as questões. Isso que ainda tem uma parada gay no domingo!!! mas tudo bem que o sábado é longo…. e a ingresia tá é animada.
Gil]]>
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