…E o sempre atento leitor do Ingresia, após passar as vistas no malfadado panfleto abaixo, deve agora estar fazendo as seguintes e sagazes perguntas: “Será que todos os homens honestos do Brasil morreram e só sobrou este editor, que fica apontando o dedo contra todo o mundo e mais meia banda de Sergipe? Por acaso ele se acha o sal da terra?”
Antes que pairem quaisquer dúvidas sobre minha honra, respondo rápido e caceteiro: Claro que não. Também tenho meus pecados. Gosto de carne de porco; sou fã de Odair José; aprecio dormir até tarde; faço uso de substâncias não recomendadas pela Carta Magna; pratico o anarquismo fiscal (que o governo insiste em chamar de sonegação) - se bem que nessa modalidade não tenho tanta perícia, pois estou há três anos consecutivos na malha fina, etc, etc e coisa e tal. Enfim, sou um brasileiro normal.
(Vocês não estão vendo, mas logo após proferir esta última e maldita frase alguns prepostos da Polícia Federal jogaram-me no Camburão. Destino? Brasília. Eles querem saber o que é que eu, cabeludo, tenho com o carequinha Marcos Valério, que outro dia pronunciou estas mesmas palavras: sou um brasileiro normal).
Nem bem fechei o parêntese e já toca a sirene. Trimmmm, triiiiiimmm, trimmmmm. É o presidente da CPI Delcídio Amoral (PT/MS), solicitando silêncio aos nobres parlamentares para que começe a minha, com o perdão da má palavra a esta hora, oitiva.
Indignado, como só os canalhas sabem ficar, Onix Lorenzeti (PFL/RS) começa o interrogatório.
- Qual o seu nome?
- Franciel
- E qual o porquê de seu nome ser Franciel ?
- Hã?
- Já impaciente, ele repete: Qual o porquê de seu nome ser Franciel ?
- É que…
Um petista furioso interrompe e larga a seguinte: Tá provado. É um alienígena, um estrangeiro, que conspira para derrubar o governo Lula. É o golpe da elite brasileira mancomunada com escusos e internacionais interésses (pela forma de pronunciar a palavra interesses percebi que o parlamentar era gaúcho). Para confirmar sua teoria, ele arremata.
- O senhor é Francês?
- Não. Sou descendente de cearenses.
A senadora Heloísa Helena (PSOL/AL), em sua estridência costumeira, tenta intervir em meu favor, com aquele sotaque insuportável: Gente, é que no Nordeste temos a mania de butar o nome do minino numa mistura do nome do pai com o da mãe.
- Quais os nomes de seus pais, meu filho? Deve ser Francisco e Muriel, né?
- Não, senadora. Eles se chamavam João e Consue…
Nem bem termino a resposta e a aguerrida parlamentar não se contém: “Aí, danou-se“.
Pela primeira vez todos ficam em silêncio, estupefactos. Em seguida, a balbúrdia volta a reinar. Gritos, socos e pontapés. Trimmmmm, triiiiiiiiiiim, trimmmmmmm. A sessão está suspensa. Mais gritos, socos, gritos, pontapés, gritos e os trabalhos recomeçam depois de uma reunião secreta de líderes. E eles retornam mais agressivos que antes.
- Se seu nome é Franciel por que em seu blogue muitos lhe chamam de Sandro?
Acho melhor não esclarecer tão nebuloso fato e reservo-me ao direito constitucional ao silêncio. Meus algozes, então, mudam o foco, mas não a virulência.
- No seu primeiro texto, o senhor havia proibido que lhe chamassem de Franci. No entanto, muitos continuaram lhe chamando assim, certo?
- Certo.
- E o senhor está processando os que cometem tal injúria? O senhor sabe que crime deste tipo contra a honra prescreve rápido?
- Não, não estou processando.
- Então o senhor está compactuando com tal prática?
- Doutor, desculpe, deputado, é que o Conselho Editorial do Ingresia argumentou que não posso afugentar os já escassos leitores. Então, eles me pressionaram e eu me calei.
-Como é?
-É isso mesmo, doutor, eu me calei. Aliás, todo jornalista que não é obtuso, ou muito cheio de si, sabe que o que ele faz em um jornal, revista, rádio, TV ou blogue é moralmente indefensável.
PRENDA-NO, PRENDAM-NO. FRANCIEL FALOU A VERDADE. E ISSO É INADMISSÍVEL AQUI NA CPI, gritou o presidente apoplético.
Eu ainda tentei argumentar que a frase não era minha, mas de Janet Malcolm.
Em vão.






on Jul 13th, 2005 at 6:12 pm
< ![CDATA[Sr. Sandro Franciel,
Muito me admira ver/ler/ouvir do senhor tais comentários sobre o meu sutaqui! Logo o senhor, filho de sr. João e dona Consuelo, natural de Irecê e, como jornalista conceituado que é, deve ter um gravador para exercer a profissão. E o melhor, deve usá-lo e gravar a sua própria voz!
E a título de esclarecimento:
Senhor Canijah,a ala cor de rosa do PT usam calcinhas,sim! Mas, diferentemente desse blogueiro, somente em dias de chuva!]]>
[Reply]
on Jul 13th, 2005 at 6:15 pm
< ![CDATA[Desculpem, a mensagem acima é minha, Heloísa Helena (PSOL/AL e ex-petista).]]>
[Reply]
on Jul 13th, 2005 at 6:24 pm
< ![CDATA[Franciel,
Seu blog tá lindo!
Cheio de gente ilustre!
Esse tal de Canijah é argentino ou jamaicano?
PT Saudações!]]>
[Reply]
on Jul 14th, 2005 at 7:04 am
< ![CDATA[Daslu trazendo muamba, mala de dinheiro, 100 mil US$ na cueca e o bahia na 3ª divisão.
O que mais falta acontecer?]]>
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on Jul 14th, 2005 at 12:54 pm
< ![CDATA[Sêo Franciel,
Ainda agora, mesmo tendo passado mais de 10 minutos da hora que Osni, meu neto, leu para mim seu último - com perdão da má palavra -opúsculo, ainda estou a matutar o que o senhor quereria dizer quando falou que era “um brasileiro normal”.
Eu não sei no seu Brasil, mas aqui no meu Brasil não é normal um homem criar cabelo. Esse negócio de criar cabelo é prá mulher ou prá homem que gosta de homem (o que tyalvez seja também normal no seu Brasil).
Aqui no meu Brasil tão pouco é normal fumar outra planta que não seja tabaco -o fumo mesmo. Seja de rolo, picado, de folha, como cigarro, charuto, cigarrilha, como cachimbo de barro ou de madeira ou de sabugo, o negócio é fumar o fumo certo. Certo de que o senhor não fuma o meu fumo, mas prefere fazer fumaça com outro tipo de mato, pergunto-lhe se isso é ser normal.
Aliás, sobre essa sua prática tive horas e horas de conversa com o finado Sêo João, vosso pai, que assim como eu não concordava com sua prática fumageira típica de heresiarcas.
Outra coisa que lhe tira do bolo dos brasileiros normais - pelo menos nesse meu Brasil velho de guerra e safadeza- é que, no meu Brasil, o normal é os machos largarem as fémeas com suas respectivas crias, o que, no caso do senhor, deu-se justamente o contrário.
Posto isso, só me resta selar Balbina (minha mula) e pegar o rumo do Oeste, com destino a Brasília, para protestar contra a vossa prisão. Está mais que provado que o senhor fez o que todo mundo faz na CPI: mentiu.
Recomendações minha a dona Janet e ao Sêo Malcom.
Manoel Feliciano da Paixão,o Caluca]]>
[Reply]
on Jul 14th, 2005 at 2:45 pm
< ![CDATA[Francis Bacon, o seu nome é "ingrisimático", fruto de uma possível memória de seu João e dona Consuelo, onde algum Francisco e algum Manoel, lá prás bandas do Ciará ou Irecê, devam ter cruzado o caminho da família. Além do meis faço apologia a sua normalidade, em contra ponto ao coloquio do sr. Calunga. Segundo entendo sobre a palavra normal é a espontenaidade com aqual as coisas acontecem em determinado ambiente. Talvez o Brasil de algumas pessoas possa parecer pequeno diante de sua imensidão territorial e cultural, como é o caso de Brasília e não como sr. Calunga insinuou de maneira jactante a seu respeito. Se o nobre senhor souber chegar nas manhas nos cantos poderá trafegar assimilando certos ambientes com mais tranquilidade.
Aproveito a deixa prá dizer a sra. Carol que Canijah é um hibrído de atitudes que envolvem o jeito de ser de ambos os povos.]]>
[Reply]
on Jul 14th, 2005 at 5:29 pm
< ![CDATA[rapaz, eu devo tá sequelado, por que eu não tô entendendo nada que esse povo de fala difícir tá falando. seu doutor Franciel, isso é grave? eu tenho cura? ou meu caso é mera oligofrenia aplicada? de todo modo, seus comentários e relatos acerca dos fatos que assombram a nação são melhores que qualquer jornal nacional.]]>
[Reply]
on Jul 14th, 2005 at 5:55 pm
< ![CDATA[Sêo Canjica,
Vou aqui repetir o que disse outrora ao Sêo Ovando. Calunga é um ratinho pretinho que a gente mata a pisadela. Tenho nome composto e sobre nome que lembra o legado de Cristo. Chamo-me, por batismo, Manoel Feliciano da Paixão. Minha alcunha, ou nome de guerra se preferir, é CALUCA. Entendeu. Cê-A Cá Lê-U Lu Cê-a Cá CALUCA. Se o senhor continuar a insistir no erro, esquecerei minha condição de pós-nonagenário (são poucos os que alcançaram tal feito: Paplo Picasso, Jacques Maritain, Roberto Marinho, Luís Carlos Prestes são os que minha parca memória ainda recorda). Mas, continuando: esquecerei minha condição de nonagenário e vou até a Jamaica ou a Argentina - seja lá onde estejam esses brejos - e dar-te-ei um safanão que irás rodar uma semana até achar uma cerca velha prá encostar o esqueleto.
Ademais (tome outro ademais pelas fuças), um sujeito que se diz híbrido, boa coisa não deve ser, quem dirá normal.
Espero que tenha esclarecido.
Cordialmente,
Manoel Feliciano da Paixão, o Caluca.]]>
[Reply]
on Jul 15th, 2005 at 1:40 pm
< ![CDATA[O que diria o ilustre, de decantada verve, Zé Rudrigues de Miranda:
“Sandro,
Vão dar meia hora de cu vcs e Ricardo Noblá…”]]>
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on Jul 15th, 2005 at 5:38 pm
< ![CDATA[Cambada,
por conta de tenebroso, estive ausente também desta vibrante e vibrática caixa de comentários. Mas, eis-me aqui de regresso para botar ordem nesta joça.
E para manter a minha fama de incoerente, começo respondendo ao anônimo que perguntou o que mais falta acontecer. Pouquíssimas coisas, meu caro. E uma delas era A Vedete de Santo Amaro ser acusado de terrorismo. Confira nesta linque aqui
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI590981-EI306,00.html
Agora, uma resposta pra Manoel Feliciano. Caluca, se eu não lhe conhecesse há mais de 60 anos estaria agora pensando mal do senhor, imaginando que o tratamento tem dado a seu neto Onsi não é digno de um vaqueiro. Lembro-me de que quando eu era minino pequeno, o meu finado pai, todo dia recolhia as lições de tabuada e leitura. Qualquer erro e eu ia direto para o milho. Por isso, não entendo o senhor não ter dado umas boas lapiadas neste Onsi. Ele anda lendo tudo errado para o senhor. Mande ele ler novamente, pois na CPI eu não menti. Eu posso até ter faltado com a verdade antes quando afirmei que era um brasileiro normal. Mas, na CPI eu não disse nada disso. Só falei a verdade, o que não é permitido lá. Dê uma boa pêia neste guri pra ver se ele toma jeito, Caluca.
Chiconha,
devo estar tão seqüelado quanto você, meu caro, pois raras vezes entendo alguma coisa aqui.
Zé Limeira, você realmente só fala absurdos. Tenho mais semelhanças com o carequinha Valério do que com Noblat. Por favor, isso não.]]>
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on Jul 15th, 2005 at 6:30 pm
< ![CDATA["viva a polícia", como costuma dizer um ladrão amigo meu.]]>
[Reply]
on Jul 15th, 2005 at 8:09 pm
< ![CDATA[Tá vendo seu Caduca, escreveu não leu o pau comeu!]]>
[Reply]
on Jul 17th, 2005 at 10:14 am
< ![CDATA[Canjica, não catuca.]]>
[Reply]
on Jul 18th, 2005 at 6:18 pm
< ![CDATA[Eu só quero saber o que a política está fazendo que ainda não prendeu este Franciel]]>
[Reply]