Pré-estréia é ocasião insalubre para quem realmente quer apreciar um filme. Aqueles que já compareceram a este tipo de evento sabem que 94,37% das pessoas ali presentes vão apenas (e tão-somente) para verem as outras personas importantes. E serem vistas. Fogueira das vaidades.
Já as estréias, bem. Estas são muito piores. Atraem exatamente o refugo - aqueles que não conseguiram convites para a pré-estréia.
Ir ao cinema, nestes dois dias, não é tarefa recomendável para pessoas de bem. O ambiente é hostil e inóspito. Plantões rigorosos.
Mas, eu precisava ir. Faziam quase 20 anos que não assistia a meu filme brasileiro favorito na tela grande. Era necessário, apesar dos perigos. Mesmo mais ansioso do que el niños em véspera de viagem, descambei para o Multiplex Iguatemi atrasado. Mais atrasado do que a zaga do glorioso Rubro-Negro.
No caminho, necas de conter o medo de enfrentar a patuléia que lotaria o local.
22h34.
Entro na sala 8 do referido e vejo o governador Vieira ditando sua covarde carta de despedida. Notei no semblante do populista um nunseioquê de decepção. Respiro. Ajeito-me na poltrona e aguardo a chegada do poeta Paulo Martins ao terraço. Ele chega, mas sua oratória me parece patética.
Que diabos está acontecendo? A cópia restaurada era para deixar o filme (olha o chavão aí gente!) ainda “mais convulsivo e belo”. O tempo passa e percebo que até Júlio Fuentes berra suas insanidades e incoerências sem vigor. O único que parece estar à vontade é Diaz, o ditador solitário.
É hora de parar. Tiro os olhos da telona e desloco-os para os lados, pra frente e pra trás. Há exatamente 26 almas penadas no cinema. Descubro então que os personagens estavam desajeitados pela falta de audiência. Quase uma vergonha. Afinal, o filme foi feito para ser visto por multidões – aquelas que sempre comparecem nos momentos dramáticos e decisivos da nação. Mas, quá! A sensação é a mesma de estar em um estádio, em um jogo inesquecível e memorável, na companhia das arquibancadas vazias.
Pobre Glauber.
Na sua loucura, acreditou que o povo amaria seu cinema. Acreditou, assim como Oswald de Andrade, que seus biscoitos finos seriam digeridos, antropofagicamente, pelas massas. Um grande equívoco glauberiano.
Para que isto ocorresse, eram necessárias concessões ao bom gostismo, à mediocridade. E ele nunca as fez. E prossegue sozinho. Apenas umas 26 almas penadas continuam lhe acompanhando.
É por isso que o Brasil continuará plagiando Terra em Transe, um filme que dói as vistas pela clareza profética. Continuaremos nesta repetição farsesca ad infinitum.
E talvez Eldorado só se livre deste destino no dia em que o povo parar de lutar contra Glauber. Isto é: nunca. E que os anjos da boca torta jamais digam amém






on May 29th, 2005 at 11:23 am
< ![CDATA[forra meu vei ustede num vei. va tomar no ze. que zurertea é uesta? ce ta brochanu. PORRA]]>
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on May 29th, 2005 at 11:24 am
< ![CDATA[forra meu vei ustede num vei. va tomar no ze. que zurertea é uesta? ce ta brochanu. PORRA]]>
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on May 29th, 2005 at 11:30 am
< ![CDATA[To lascado. O cara se foi, Porque ? Esse troço é divan?]]>
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on May 29th, 2005 at 7:10 pm
< ![CDATA[Meu idolo é boca de lata. Picou um saco de agua no viado de santoamaro na Castro, 4 feira de manha. é de madrugada é de manha vou ver meu amô. Xingou nosso pre do sinjorba, bundão essse tal de boiola dos santos amaros.]]>
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on May 30th, 2005 at 9:45 pm
< ![CDATA[João de Aratuípe comenta:
Melhor mesmo deste relançamento de Terra em Transe foi ver - após uma nota coberta da TV Bahia falando da sessão première - a silenciosa e respeitosa assertiva de Casemiro Neto no Jornal do Meio-Dia… Calado, soltou ares de grande respeito e um ligeiro gesto afirmativo, como quem diz: “Que obra-prima!”
Não tivesse morto, Glauber morreria de rir com o respeito que essa horda de ignorantes tenta transmitir em relação ao que não entendem/conhecem…
Casemiro, no meu “mudesto” entender, é um típico personagem glauberiano, síntese da ignorança que atravanca tudo, mas sabe descer rebolando até o chão e acompanha tudo na palma da mão… tchá… tchá… tchá…
Gostar ou não de Glauber não é sinal de ser sabido… Mas admirar por adesão, só para parecer inteligente, é a repetição da fábula da roupa nova do rei, que, aliás, tá virando hit na Bahia…
Burrice aqui agora é mato!!
E até a mediocridade já encontra suas artimanhas para superar tudo com istáile… Tipo: “não sei ler de carreirinha, mas curto drum’bass e a poética do genial Zeca Baleiro”
Vamos torcer pra que o homem forte da TV Bahia, que ensinava nos bancos sagrados da Academia a seguinte proposição matemática: TV = Imagem + Som, proíba definitivamente que os apresentadores pensem e, pior, externem suas impressões…
…E, Casemiro, deixa Glauber em paz, tem muita gente desaparecida na Piedade e uma porrada de desempregado esperando as vagas do Sine…
Vão todos ouvir Zélia Duncan e o novo Djavan, ou qualquer uma destas coisas que um cabra nascido e criado em Aratuípe não consegue entender…
Aliás, quem souber explicar por favor se cale, porque eu quero morrer ignorando a polivalência artística de Miguel Fallabella e a veia literária de Jô Soares (que aliás penso estar desde sempre entupida…).
Franciel, vc que é um homem sabido, a medicina já encontrou meios de fazer ponte safena para veia literária entupida?
Como diria, o caçador de marajá das alagoas: Minha Gente! Vamos deixar Glauber em paz… Até porque o cinema dele não é coisa pra gente séria, não… É coisa de maluco!!
E como bem nos ensina o filósofo Edgard Navarro só tem dois tipo de cabra nesse mitiê: Os maluco e Os viado…
Eu mesmo sou maluco… E você?
Ps: Perguntas que pairam no ar, a partir da supracitada expressão matemática liboriana:
TV - Som = Imagem? E TV - Imagem = Som?
Sou fraco de matemática, mas na dialética…]]>
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on Jun 1st, 2005 at 1:11 pm
< ![CDATA[26 pessoas assistindo glauber rocha é muita gente. Aposto que 70% da 'platéia' não entendeu porra nenhuma e achou genial. 29% cochilou de babar na poltrona. Apenas os intelectuais e estudantes da facom perceberam o tamanho incomensurável da obra do cineasta baiano.]]>
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on Jun 2nd, 2005 at 12:25 pm
< ![CDATA[El Pepe,
infelizmente, por questões religiosas não pude comparecer na despedida da menina Karina. Espero apenas que ela não negue hospedagem quando este humilde for a Londres.
João,
quanta gente ruim você misturou, hein?
Casemiro, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Miguel Falabela, Djavan, Jô Soares, Libório.
Vôte!
Por mim, pode trocar uns pelos outros que eu não quero volta.
Euricão, parabéns.
Você tem a mesma inteligência de seu homônimo - o presidente do Vasco.]]>
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