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Canalhas e Fantasmas

Música, esporte, notícia. Esta é a sua 03 ponto 5, a mais ingresienta do seu dial, falando em edição extraordinária diretamente do Nordeste de Amaralina para mais de 133 países.
Senhores e senhoras ouvintes, daqui a mais uma hora e poucos, no Multiplex Iguatemi 8, estreará, em cópia restaurada, Terra em Transe, o filme mais, mais…faltou o adjetivo. Porém, para que vocês não fiquem sem a informação vai uma definição sucinta de Cacá Diegues: “O Brasil até hoje plagia Terra em Transe”. Eis a verdade. Palavras da salvação.

Ouçam agora algumas palavras sobre o diretor escritas há algum tempo por este charmoso e cinemástico locutor. Som na caixa, maestro.

CANALHAS E FANTASMAS

Um espectro ronda de forma indelével a inteligentzia tropical - o espectro de Glauber Rocha. Desde que Dona Lúcia o pariu em Vitória da Conquista há pouco mais de 66 anos, no 14 de março de 1939, ele não pára de assombrar. Mas, sua figura fantasmagórica tornou-se mesmo insuportável depois de 22 de agosto de 1981, quando ele bateu as botas em um hospital do Rio de Janeiro. Definitivamente, este é um dia que nunca termina.

A partir de então, é só choro e ranger de dentes. Viúvas verdadeiras, falsas e outras maizomenos protagonizam uma ladainha sem fim. Agora mesmo o cineasta entrou novamente na roda pelas mãos de Silvio Tendler com Glauber O Filme, Labirinto do Brasil.

Tento até ser compreensivo, mas meu maltratado saco transborda quando se descamba para o inevitável: “O que Glauber faria se estivesse vivo diante de…?”. Caralho! Mandaria às favas os problemas de consciência, os culhões de Cristo, estas indagações impertinentes e continuaria com sua trajetória de loucas profecias e incoerências, ora… ou não? Como diria a vedete santamarense.

Por falar nela, outro dia, em uma de suas chatas, inúteis e intermináveis polêmicas, contou que Glauber lhe confessara: “Meu candidato a presidente é ACM”. Eta carai de asa! Viva a macumba transcendental! Aliás, nos apaixonados debates sobre arte, polititica, revolução e outros bichos afins, tão comuns em sua época, o conquistense guiava-se pela máxima do lírico Mário Quintana: “Que fique mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é o soldado”.

E já que estamos no campo dos devaneios, Terra em Transe. O filme é, com perdão da má palavra, um oxímoro. Nele, Glauber expõe todas as suas dores, contradições e esperanças a partir de uma representação atemporal dos desmantelos e (im) possibilidades das grandezas (e pequenezas) de Pindorama. À parte eu apreciar muito os gritos lancinantes das óperas místicas de literatura de cordel e faroeste que são Deus e o Diabo e o Santo Guerreiro, acho Terra em Transe superior. E nem vou entrar nesta polêmica específica. É apenas minha mísera opinião.

Aliás, nem era só de Glauber que eu queria tratar quando comecei a digitar estas mal traçadas. Desejava também falar sobre o retrato do artista quando (se transforma em) canalha. Não, cambada, não é Glauber, mas sim Fagner.

E onde é que a Bahia faz fronteira com o Ceará?

Seguinte. Outro dia um amigo me contou que o Raimundo, nome que serviria para a rima drumondiana, transava nas escadarias do hospital em que o filho de Dona Lúcia padecia. Pensei: taí um cabra que era, novamente com o perdão da má palavra, tão iconoclasta quanto o Dragão da Maldade. Um homem que botava pra fuder, literalmente, que estreou em LP já furtando Cecília Meireles.

Porém, para além do amor ao alheio, Manera Fru Fru, Manera ou o Último Pau-de-Arara é uma pequena obra-prima. Entre outras malcriações, cometeu Orós, um disco absurdamente inquietante, com o auxílio luxuoso do bruxo Hermeto; no intermezzo, ainda gravou o bolachão que contém o biscoito finíssimo Sinal Fechado; produziu e incentivou artistas novos; apoiou talentos; jogou bola com Chico Buarque e… comeu gente na escada de hospital. Enfim, fez misera.

Depois, todo o mundo já sabe o processo de vergonhosa patifaria a que este se submeteu. Abstenho-me de comentar. Só uma surra de cansanção e urtiga neste moleque, que hoje é filiado ao PSDB do Ceará e faz canções mela-cueca.Tá tudo bem, tudo muito certo, mas cadê a moral da história? Sim, porque toda a fábula tem que ter uma. Se todos assim o fazem, não seria eu que desta lei da natureza deveria ter isenção. Vamos lá.

FANTASMAS: Gênios que morrem antes do tempo, como convém aos de boa cepa, e ficam perturbando mentes, corações e provocando desmantelos nos intestinos.

CANALHAS: Nós outros, gênios ou imbecis, que permanecemos vivos.

Franciel Cruz, o canalhinha-camarada.

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1 Comentário on “Canalhas e Fantasmas”

  1. #1
    on May 29th, 2005 at 7:06 pm

    < ![CDATA[Meu idolo é boca de lata. Picou um saco de agua no viado de santoamaro na Castro, 4 feira de manha. é de madrugada é de manha vou ver meu amô. Xingou nosso pre do sinjorba, bundão essse tal de boiola dos santos amaros.]]>

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