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Waldick Viu a Foto

“O que quer dizer esta foto?”.

Como é de conhecimento público, esta indagação corre trecho há tempos. E, em casos desta natureza e magnitude, a quantidade de versões não tem fim. E neste mistério permaneceria, se dependesse da mulher que apertou o gatilho, Sora Kid Maia, a prima carnal (por parte de padrasto) de Cartier-Bresson. “O que você quer fazer é um absurdo, Franciel. Deixe que cada um pense o que quiser“, fulminou hoje cedo, já meia injuriada.

Porém, acostumado às agruras e intempéries de uma vida árida; com o couro curtido na colheita de mamona, este tipo de ameaça não me amedontra. Tal qual um Marconi do Sertão, vesti minha camisa listrada de herói do jornalismo investigativo e saí por aí em busca de tão inquietante resposta.

Descobri que a primeira tentativa de explicação foi feita por Charles Sandes Pierce. Em um já histórico congresso de semiótica, ele largou a seguinte. “Esta foto tem uma configuração simbólica que perpassa diante de uma descontextualização sígnica“. Foi, a partir de então, elevado à categoria de deus da semiologia. Nem Roland Barthes, discursando de forma fragmentada e amorosa conseguiu maior número de adeptos com suas culhudas.

Como meu prato de comer sugesta quebrou faz tempo, segui adiante. Recorri, então, aos meninos de Frankfurt. Diante do enigmático objeto de dor e êxtase, Adorno e Horkheimer tentaram esclarecer através de uma dialética fajuta. Sem sucesso. Já Benjamim, o Walter, ao se deparar com foto tão singular, teve que repensar sua teoria da obra de arte na época da reprodutibilidade técnica.

Filósofos, ensaístas e sociólogos de todos os 8 continentes deram pitaco. Teses, dissertações e opiniões à mancheia. Até o respeitado estudioso Gil Maciel opinou. Pessoas de menor quilate intelectual, também. Roberto Albergaria, por exemplo, disse que era uma “Muvucação imagética“. Ah, a falta que não faz um cansanção!Vejam se vou levar a sério esta gentinha. Mesmo com esta confusão dos seiscentos cão, não esmoreci. E eis que, há cerca de dois anos, oito meses e quatorze dias, encontro-me com Waldick Soriano. Para os que estão agora fazendo muxoxo, cara de nojo e/ou superioridade, informo logo: Waldick bate de 56 x 0 no melhor compositor muderno de mepebê surgido nos últimos anos. Ouçam uma palhinha de uma das obras-primas do cabôco. “Hoje que a noite está calma e que minh’alma esperava por ti. Aparecesse afinal, torturando este ser que te adora. Volta, fica comigo só mais uma noite“. Volta, volta Waldick, os meninos de hoje não sabem nada das torturas de amor.

Pois bem. Levei a foto até Waldick e, depois de algumas lágrimas e sorrisos, ele contou toda a verdade. “Esta fotografia eu vi pela primeira vez em uma casa de tolerância em Itapetinga ao lado de outra, bem linda, de Sandra Bréa…“. Interrompo o grande mestre da canção para informar que esta primeira informação tem procedência, já que foi naquela progressista cidade que nasceu a autora da foto.

Bom, para encurtar a prosa, que a patroa já está aqui reclamando, retorno a palavra a Waldick. “Meu amigo, fiquei tão emocionado, que nem olhei para a atriz, que é minha fã. Peguei o violão e veio aquela coisa maravilhosa (Canta alto e desafinado enquanto bebe mais um uísque): “Sorria, meu bem. Sorria“.

Pronto. Aí esta o nome da foto.

Uma bela canção waldicksoriana vale mais que mil teorias e palavras vãs.

Agora, desvendado uma parte do mistério, pois o significado desta foto ainda não está esclarecido, continuarei em minha profunda investigação. Aguardem. Novas reportagens especiais desta Ingresia deverão voltar ao tema.

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10 Comments on “Waldick Viu a Foto”

  1. #1 Anonymous
    on May 9th, 2005 at 9:02 am

    significa tanto que se pode passar a vida chorando pelo mundo, amargando um desgosto profundo, quanto que unhas pintadas vão bem com um sorriso acolhedor; tanto faz.Brito

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  2. #2 Franciel
    on May 9th, 2005 at 11:47 am

    Antes que algum gaiato desinformado venha querer corrigir e afirmar que a letra de Sorria, meu bem, é de Evaldo Braga, vou logo esclarecendo que ele a furtou do grande Waldick.

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  3. #3 Anonymous
    on May 9th, 2005 at 2:34 pm

    Oi Francis! ops Franciel… quer dizer que o sr. resolveu mesmo se render a mudernidade? ” QUEM FOI NANINHA?!” já estou imagindo o dia em que você vai aparecer dizendo que comprou celular e que está dançando.Muito sucesso Franciel( pode ser assim ou tem que ser Franciel Cruz ?!)Um grande abraço,Lívia Tatiana

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  4. #4 Gil
    on May 9th, 2005 at 3:49 pm

    Que mão linda. Forte e suave, distante e calorosa; pertubadora, enfim… Afirmo - sem medo de soar pretensioso - que a imagem rivaliza em fascínio e enigma àquela Gioconda do Louvre.Estão de parabéns a fotógrafa, o dono (ou dona) da mão e você,Franciel, por dividir conosco este momento de tocante beleza.Gil

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  5. #5 Caluca
    on May 9th, 2005 at 6:54 pm

    Home seu minino, É isso mesmo. O sujeito que começou dizendo que este era o primeiro blog heterosexual da web e que aqui não teria viadagem de marca ou espécie, já começou a boiolagem. Os sertanejos de fé e prática estão virado no estopô, batendo a dentadura e tomando chá de maria preta que é prá acalmar a raiva e não cortar de foice um cabra mentiroso da sua categoria.Não foi você mesmo quem disse que nesse Blog não teria negócio de fotografia, música ou pederastias do gênero? Eu, vaqueiro que fui e sou, sujeito acostumado na lida bruta, a puxar rês pelo rabo, a ganhar capoeira adentro sem temer jurema braba, urtiga ou cançanção, não posso permitir uma afronta dessas.Exijo retratação imediata, sob pena de fazer você ter um entendimento direto com o fio de meu facão.Como é, seu fidiputa, que você se atreve a publicar uma foto nesse blog? Ainda mais quando é a foto da mão da minha mãe segurando a bola do roncolho do meu pai.

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  6. #6 Franciel
    on May 9th, 2005 at 7:18 pm

    Brito, em outras palavras, foi exatamente isso que Waldick me disse na entrevista exclusiva, que, em breve, será publicada no Ingresia. Mas, Lívia Tatiana, até você fazendo graça. Comporte-se. Tal procedimento não pega bem para uma carioca. Gil, necas de parabéns. Queremos o pagamento em espécie. Minha conta bancária anda muito maltratada. Manuel Feliciano, vulgo Caluca, antes de lhe responder, espere um pouco que vou ali buscar minha peixeira. Um homem velho como você já devia saber que é respeito é bom e conserva a dentadura, cabrunco. Onde foi que você leu que aqui não seria publicada foto? Falei de poesia, letra de música, essas viadagem.Foto não tá proibida, principalmente uma desta importância histórica. Agora, como sei que o você é homem de palavra, vou investigar esta história aí de sua mãe. Se for realmente verdade, desde já aceite minhas desculpas.

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  7. #7 Anonymous
    on May 9th, 2005 at 10:05 pm

    testando… testando… experimentando…

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  8. #8 Anonymous
    on May 10th, 2005 at 2:33 pm

    Tudo bem Franciel, mas sem ofensas, me chamar de patricinha do itaigara já não foi lá grandes coisas, mas carioca é de matar o peão.E fica quieto pra eu não dizer aqui como te chamavam por aquelas bandas de Irecê, quando eu ainda era criancinha. Você até pode ser tão sabido quanto Lalino, mas valente, valente mesmo como esse teu amigo Caluca, nunca vi. Ô bicho valente “Deus é mais!” Oh! fica tanquilo que não vou ficar vindo aqui te espezinhar sempre. Lívia Tatiana

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  9. #9 Euclides
    on May 10th, 2005 at 5:38 pm

    “Antes, no amanhecer daquele dia, comissão adrede escolhida descobrira o cadáver de Antônio Conselheiro.Jazia num dos casebres anexos à latada, e foi encontrado graças à indicação de um prisioneiro. Removida breve camada de terra, apareceu no triste sudário de um lençol imundo, em que mãos piedosas haviam desparzido algumas flores murchas, e repousando sobre uma esteira velha, de tábua, o corpo do ‘famigerado e bárbaro’ agitador. Estava hediondo. Envolto no velho hábito azul de brim americano, mãos cruzadas ao peito, rosto tumefato, e esquálido, olhos fundos cheios de terra - mal o reconheceram os que mais de perto o haviam tratado durante a vida.”

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  10. #10 Anonymous
    on May 11th, 2005 at 8:44 am

    esse euclides num era corno ? então nao entendo porque tanta banca.Fontes.

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