Agora são exatamente 17h02 minutos na Capital Baiana. um pouco antes, portanto, do previsto e esperado, o Ingresia fecha as portas. É fato lamentável. Mas a vida, querida, não é nenhum mar de rosas. E como diria o sociológo Bell Marques: fazer o quê, cidadão?
Na despedida, deixo com vocês umas mal traçadas sobre Armando Oliveira. Foram escritas em 16 de janeiro, dia em que ele se cansou e caiu fora. Talvez alguns que visitaram esta joça nestes dias nunca nem tenham ouvido falar dele. E, provavelmente, as mal digitadas que vão abaixo não façam justiça ao talento do cronista . Paciência.
Bem ou mal, o fato é que vocês poderão saber um pouco mais sobre um de meus poucos ídolos futebolísticos – uma avis rara neste lodaçal. Um profeta do indizível, que tinha um zelo extremo pela ética. Um homem que, como bem disse um amigo, não traz saudade de tempo algum, pois aqui, na crônica esportiva da Bahia, jamais existiu alguém que dialogasse com ele. Não e à toa que morreu sem deixar sucessor.
Abraços a todos e bom final de semana.
Ar-man-do Oliveeeira
Logo após esta chamada acima, os devotos do Nosso Senhor Futebol Clube na Bahia costumavam se ajeitar na poltrona para ouvir “o comentário abalizado do número 1 do Brasil“, que começava sempre com o indefectível “meus amigos“. A partir de então (desculpem-me, mas o chavão é inevitável), iniciava-se mais uma aula sobre a arte futebolística.
Apesar de extremamente lúcido, quase cartesiano, o heptacampeão da Bola de Ouro guiava-se pela sábia e emocional sentença de Bill Shankly, técnico e escritor escocês: “O futebol não é uma questão de vida ou morte; é muito mais importante que isso“.
Armando falava sempre com difícil e desconcertante simplicidade, como só o fazem os grandes conhecedores.
Nunca houve na história do rádio da Bahia, e quiçá do Brasil, alguém com tanta intimidade para tratar dos acontecimentos nas quatro linhas. Possuia os segredos da clarividência. Em pouco menos de 15 minutos, era capaz de elaborar raciocínios cristalinos e convincentes sobre este algo tão inexato que é uma peleja de futebol. Sabia ver o jogo como ninguém, pois conhecia as manhas e tretas dos jogadores e técnicos. E dava pitos com uma elegância incomum, principalmente na cartolagem – esta raça de gente ruim.
Ao contrário dos cientistas da bola que, a cada quatro anos, em época de Copa do Mundo, escrevem tratados antropológicos sobre a paixão nacional, Armando gostava de se ater à dramática batalha dos 90 minutos e das prorrogações diariamente. Mesmo extremamente inteligente, não era dado a estas firulas pseudo-intelectuais. Assim, para além de filosofices, fazia-se entender por qualquer um que verdadeiramente gostasse do esporte bretão.
Além disso, em que pese trabalhar neste mar de lama que é o futebol brasileiro, jamais se deixou cooptar pelo vil metal. Por tratar o futebol sem mistérios ou firulas, nunca se envolveu nos negócios, digamos, enigmáticos, que tanto encantam os coleguinhas de profissão. O único mistério do qual se aproximava, e desvendava, era aquele relativo à disputa em campo.O ex-torcedor do Colo-Colo de Ilhéus também escrevia com correção. Tem textos deliciosos sobre a cidade do Salvador e seus personagens. A saga do clã do bairro de Massaranduba é um bom exemplo. (Vide texto abaixo). É uma pena, porém, que não conseguisse, nas crônicas esportivas, traduzir para o papel sua verve do rádio. Paciência! Cada um é para o que nasce. E ele nasceu para ensinar futebol através das ondas radiofônicas ou da televisão. Era um homem da palavra falada no futebol.
E de palavra.
Vítima de um câncer, decidiu, depois de ser destroçado por sessões de quimioterapia, que não mais faria o tratamento. “Vai morrer com a mesma dignidade com que viveu“, confidenciou-me uma amiga, que privava da intimidade de Armando.
E assim foi.
Armando Oliveira, que não deixou sucessores, saiu de cena dignamente. Partiu um tanto quanto constrangido e indignado com a patifaria reinante no futebol baiano.
Fim de jogo.
Prorrogação: Em meados do último Campeonato Brasileiro, de triste memória, o atacante Obina deu uma entrevista reclamando que não balançava mais as redes “por encosto, trabalho da vizinhança“. O locutor Sílvio Mendes perguntou a Armando se não seria um caso para o “departamento psicológico do Vitória“. O comentarista, com sua habitual sabedoria e sarcasmo, sentenciou: “Nada de psicólogo, Sílvio. Vai confundir ainda mais a cabeça do rapaz. Deixa do jeito que tá. Ou então, convoque-se um pai-de-santo“.
Amém.
Ah, sim. Ia me esquecendo. Segunda-feira a Budega volta a funcionar. É que, religioso, guardo os sábados e domingos para orações.






on May 7th, 2005 at 2:42 pm
testando… testando… experimentando…
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on May 7th, 2005 at 5:01 pm
E ai figura,vim passear. Boa sorte no blog !
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on May 9th, 2005 at 11:04 am
Smart, seu herege, seja bem vindo. Porém, advirto-lhe que o ateísmo não anda lhe fazendo bem. Escreveu errado o endereço de seu próprio blog. Se aqui nesta budega tiver alguém que queira ler textos inteligentes, favor acessar http://smartshadeofblue.brblog.com
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on May 9th, 2005 at 11:18 am
Nós, do rockloco, tivemos o privilegio de ler esta homenagem ao grande armando oliveira há alguns meses. o texto não poderia ser mais exato, e faz justiça ao mestre( este sim merecia o substantivo).agora, tô achando que vc tá se candidatando a vaga do mestre, não sei se de futebol vc entende, mais tá escrevendo fácil como o saudoso armando.
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on May 9th, 2005 at 11:52 am
Osvaldo, meu velho, fique à vontade. Esta budega é pobre, mas o garçon é honesto.
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on Dec 11th, 2009 at 12:37 pm
Olá,
O sumo de mangostão ajuda no tratamento do cancro e a suportar melhor tratamentos de quimioteraia.
http://sumodemangostao.com/a-xango-reconhecida-pela-sociedade-americana-de-cancro/
Jorge Alberto
http://sumodemangostao.com
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